Nos últimos anos, observamos o emprego cada vez maior da tecnologia na saúde. Porém, em 2020, a pandemia do novo coronavírus forçou a adoção imediata de alternativas para enfrentar a doença e manter o atendimento dos demais pacientes.
Desse modo, as soluções tecnológicas vêm sendo ainda mais aprimoradas e novas ferramentas são lançadas no mercado constantemente, ainda mais com a implantação do 5G no Brasil.
Em seguida, conheça 9 tendências em tecnologia na saúde para este ano.
Hoje, muitos profissionais aderiram à ferramenta. Aproximadamente 40% das consultas feitas no segundo trimestre de 2021 aconteceram on-line, segundo levantamento da CB Insights.
Dessa forma, é possível atender pacientes em locais remotos, realizar mais consultas e reduzir os custos. Entretanto, é necessário garantir a segurança dos dados do paciente em todo o processo, além de um bom atendimento. Como solução, há diversas opções de sistemas de telemedicina que oferecem desde teleconsulta à gestão integrada de todo o consultório.
2. Inteligência artificial
O uso de inteligência artificial na saúde se mantém como uma das principais tendências em tecnologia na saúde também neste ano. De fato, a solução vem apresentando resultados positivos e promissores que comprovam que o futuro é cada vez mais tecnológico e orientado por dados.
Como exemplo, há cada vez mais ferramentas que utilizam o princípio de aprendizado de máquina. Esse processo de aprendizagem profunda tem início com observações dos dados com o objetivo de encontrar padrões e, assim, fornecer os melhores resultados sozinho.
Para isso, a máquina é treinada com uma grande quantidade de dados e algoritmos para desenvolver a habilidade de aprender como executar a tarefa automaticamente, sem intervenção humana ou com poucas instruções. Em seguida, um especialista avalia os apontamentos da máquina e fecha o laudo.
De fato, essa tecnologia pode aumentar a produtividade na saúde e alcançar melhores resultados. Diversas áreas devem se beneficiar ainda mais da IA, como a genômica, medicina de precisão, imagem, descoberta de medicamentos e de novos tratamentos.
Com isso, a inteligência artificial consegue entregar mais rapidez, precisão, qualidade, acessibilidade e redução de custos para pacientes, profissionais e instituições envolvidas.
3. Telediagnóstico
Sem dúvida, uma das áreas da saúde digital que mais cresce no país é o telediagnóstico. Neste ano, a tendência é ter ainda mais adesão e aprimoramento. Isso porque a tecnologia otimiza o processo de emissão de laudos de exames ao facilitar o acesso a especialistas e garante a efetividade da análise e a segurança dos dados.
Os exames são disponibilizados nas plataformas on-line em alta resolução devido a integração de aparelhos digitais, softwares modernos e equipamentos portáteis. Dessa forma, garante laudos assertivos e seguros, assinados digitalmente pelo especialista responsável.
O compartilhamento das informações de saúde do paciente acontece exclusivamente em plataformas autorizadas, que garantem a segurança de dados. Vale ressaltar que essas ferramentas são homologadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A tecnologia gera diversas vantagens aos médicos e instituições de saúde, como procedimentos mais precisos e reprodutíveis. De fato, o conhecimento do médico aliado à robótica torna o procedimento mais seguro, rápido e com menos dor e trauma ao paciente.
A tecnologia é empregada desde robôs-cirurgiões, guiados por especialistas, até em softwares médicos. A oftalmologia é uma das áreas com mais soluções em robótica. Há sistemas que aumentam a visualização do olho por parte do cirurgião, o que auxilia na precisão de cirurgias oftalmológicas.
Outra facilidade é a utilização de filtros digitais para personalizar a visualização durante o procedimento, aumentando a imagem das estruturas oculares e camadas de tecido, e robôs voltados para cirurgia de catarata e transplante de córnea.
5. Internet das coisas (IoT)
A Internet das Coisas (IoT) ganha ainda mais espaço neste ano na área de tratamento e diagnóstico. Porém, só avançará com investimentos públicos e privado.
A tecnologia é aplicada a objetos, componentes e dispositivos médicos conectados à internet que coletam dados dos pacientes em tempo real. Também são conhecidos como aplicativos de monitoramento e wearables.
Assim, possibilita o atendimento remoto, oferece mais informações para rastreamento e prevenção de doenças crônicas, dá mais controle aos pacientes e médicos e facilitam a troca de dados, dentre outros benefícios.
Essa abordagem inclui monitores de ECG e EKG e medições médicas como temperatura da pele, frequência cardíaca, controle calórico, nível de glicose e leituras de pressão arterial.
6. Realidade aumentada
A realidade aumentada permite ver, em tempo real, elementos virtuais sobre o ambiente físico de forma extremamente aprimorada. Para isso, utiliza dispositivos eletrônicos como smartphones, tablets, óculos e até capacetes para visualizar e manipular objetos reais e virtuais sem o uso das mãos, apenas pela interface do sistema.
O NGenuity é um sistema de televisão que captura a imagem do microscópio. Apresenta duas imagens, divididas por filtros polarizados, em que é possível colocar os óculos 3D e operar olhando diretamente para a tela ao invés do microscópio.
Sem dúvida, tem grande potencial para melhorar os serviços em saúde e a qualidade de vida dos pacientes. Por isso, é uma das tendências em tecnologia na saúde em 2022.
Como exemplo, fornece imagens em 3D em tempo real para médicos, o que pode beneficiar nos procedimentos. Estudantes e especialistas também podem aprender mais sobre técnicas cirúrgicas por meio de sobreposições. Outra vertente é auxiliar médicos nos diagnósticos.
7. Realidade virtual
Realidade virtual (RV) é um ambiente simulado por computador que proporciona efeitos visuais, sonoros e até táteis ao usuário. Dessa forma, permite a imersão completa no cenário virtual, como se a pessoa realmente estivesse presente ali. Para isso, utiliza tecnologias com displays estereoscópicos, como os populares headsets (óculos especiais que transmitem a simulação).
Por suas características, tem ganhado espaço em diversas áreas. Inclusive, na saúde. Uma de suas aplicações é no tratamento de dor. Especialistas verificaram que o uso da terapia da realidade virtual enche o cérebro com tanta informação que não deixa espaço para processar as sensações de dor na mesma hora.
Muito além de distração, a técnica oferece uma experiência multissensorial que envolve o paciente em um nível muito mais profundo do que assistir TV ou ler, por exemplo. Um dos primeiros programas de RV é voltado para tratamento de queimaduras. A terapia também é estudada para o momento do parto e no tratamento de doenças cardiológicas, neurológicas, gastrointestinais e crônicas. Além de ser um instrumento altamente promissor, possui baixo custo.
Outras aplicações são no tratamento de fobias, ansiedade, depressão, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), dor fantasma, fisioterapia, reabilitação cognitiva, qualidade de vida para idosos e pacientes e treinamentos médicos.
Foto: Freepik
8. Medicina em 5G
A chegada do 5G no Brasil pode otimizar ainda mais a gestão na área de saúde. Isso porque pode ser possível o processamento e análise de uma grande quantidade de dados médicos, ajudando na tomada de decisões.
Outra aplicação é uma possível autonomia futura de robôs-cirurgiões em procedimentos médicos.
9. Healthtechs
Sem dúvida, uma das tendências em 2022 é a consolidação das empresas e startups voltadas para tecnologia em saúde. As healthtechs cresceram absurdamente nos últimos anos e hoje somam US$ 430 milhões em investimentos desde 2014, de acordo com a pesquisa HealthTech Report Brasil 2020.
Esses negócios têm como objetivo resolver problemas do setor de saúde. Para isso, oferecem soluções inovadoras que melhoram o acesso à saúde e a qualidade de vida dos pacientes, que vão desde sistemas de diagnóstico por Inteligência Artificial (IA) até remédio digital.
Além disso, atuam na gestão otimizada de entidades públicas da saúde, consultórios médicos inteligentes, tecnologias avançadas para exames clínicos e laboratoriais, autoatendimentos e autocuidados.
Sem dúvida, a saúde digital deve facilitar os serviços de medicina, favorecendo o atendimento, tratamento e diagnóstico. Em todas as áreas desse setor, o uso avançado das soluções tecnológicas será vital para que os serviços médicos aconteçam da melhor maneira.
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
Acompanhe as principais tendências em tecnologia na saúde no blog da Phelcom.
No mundo todo, tem aumentado o diagnóstico de alergia ocular em crianças e adolescentes. Instituições e especialistas oftalmológicos atribuem esse cenário à predisposição genética combinada com fatores ambientais, como alimentação, alérgenos e poluição.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), a conjuntivite (com ou sem rinite) afeta entre 15% a 28% dos jovens. Já 44% dos portadores de asma menores de 14 anos apresenta, ao menos, um sintoma ocular. Por outro lado, apenas um terço é diagnosticado com conjuntivite alérgica. Dessa forma, esse subdiagnóstico prejudica diretamente a qualidade de vida.
Para ajudar no diagnóstico precoce, a SBOP publicou um guideline para orientar o monitoramento e tratamento da alergia ocular em crianças e adolescentes. O documento foi desenvolvido a partir da revisão de 56 estudos. Em seguida, confira as novas diretrizes.
Alergia ocular em crianças e adolescentes: diagnóstico
O diagnóstico da alergia ocular em crianças e adolescentes ocorrerá a partir da análise do histórico pessoal e familiar de atopia, sintomas, sinais e testes adicionais. O problema está relacionado à rinite alérgica em 97% das crianças, à asma em 56% e à dermatite atópica em 33%.
Dentre os sintomas, geralmente é bilateral necessariamente com pruído, lacrimejento e queimação. O exame ocular poderá mostrar secreção mucoaquosa, edema palpebral, quemose, hipertrofia papilar na conjuntiva palpebral, hiperemia conjuntival, nódulos límbicos, ceratite e até eventual envolvimento corneano.
Alergia ocular em crianças e adolescentes: tratamento
O tratamento inicial acontece com protocolos não farmacológicos que diminuem o contato entre o alérgeno e a conjuntiva, como a eliminação da poeira, fungo e pólen. Também são indicadas compressas frias e lubrificantes artificiais sem conservantes.
Caso a alergia ocular em crianças e adolescentes ainda permaneça, deve-se começar o tratamento tópico com anti-histamínicos, estabilizadores de mastócitos, drogas de ação múltipla, anti-inflamatórios não esteroidais e, em casos extremos, corticoides.
A combinação com vasoconstrictores aumenta o efeito terapêutico, mas pode levar a hiperemia rebote e taquifilaxia. A utilização por muito tempo não é recomendada e essas medicações devem ser usadas com cautela em pacientes com glaucoma, hipertireoidismo e doença cardiovascular (grau de recomendação D).
Estabilizadores de membrana de mastócitos agem inibindo a degranulação dos mastócitos. Esses agentes podem ser administrados a cada 6-8 horas por pelo menos duas semanas (grau de recomendação A). Agentes de ação múltipla atuam como estabilizadores de mastócitos, antagonistas dos receptores seletivos H1 (olopatadina e cetotifeno) e moduladores da atividade antiinflamatória dos eosinófilos.
A epinastina atua nos receptores H1 reduzindo o prurido e nos receptores H2 reduzindo a vasodilatação, enquanto outros como a alcaftadina também bloqueiam receptores H4. Os agentes com ação múltipla têm efeitos imediatos e de longa duração e são comprovadamente mais efetivos que a fluorometolona no tratamento da conjuntivite sazonal (grau de recomendação A).
Anti-inflamatórios não esteroidais tópicos bloqueiam a via da cicloxogenase e, portanto, a síntese de prostaglandinas e tromboxanos. Essas drogas têm eficácia contra a hiperemia e o prurido ocular (grau de recomendação A). Cetorolaco (anti-inflamatório não hormanal) é aprovado para o tratamento da conjuntivite alérgica, mas é menos efetivo que olopatadina e emedastina. O uso desse anti-inflamatório não hormonal tópico em criança também é limitado pela ardência ocular.
Corticoides interferem com a síntese de proteína intracelular e bloqueio da fosfolipase A2 (que forma ácido aracdônico). Também atuam inibindo a produção de citocinas e migração de células inflamatórias. Os corticoides tópicos não são considerados terapia de primeira linha para conjuntivite alérgica, apesar de drogas de baixa concentração (fluorometolona, loteprednol e rimexolona) poderem ser usadas para tratar a inflamação moderada.
Casos graves
Nas inflamações graves, as escolhas são a dexametasoma e a prednisolona (grau de recomendação B) em alta frequência (a cada 2-4 horas) por curtos períodos (3-4 semanas). Os efeitos adversos potenciais devem ser monitorados (aumento da pressão intraocular, catarata e ceratite).
Pacientes com ceratoconjuntivite grave, conjuntivite papilar gigante, envolvimento límbico e úlcera de córnea recorrente podem ter necessidade de injeção supratarsal de corticoide como tratamento adjuvante. Colírios de imunomoduladores (ciclosporina ou tacrolimus) têm efeitos em alguns pacientes e têm sido cada vez mais utilizados.
A ciclosporina A tem efeito anti-inflamatório e imunomodulador, inibindo a atividade do NF-kB, sendo disponível como colírio a 0,05% e usado de 2-4 vezes ao dia. O tacrolimus age inibindo a proliferação de mastócitos e degranulação e reduzindo a produção de citocinas pelo linfócito T (com maior potência que a ciclosporina A). É prescrito como pomada 0,02%- 0,03% ou colírio 0,03%-0,1% administrados 2-4x ao dia.
A primeira geração de anti-histamínicos H1 não é recomendado por causa do efeito sedativo e atividade anticolinérgica. Drogas de segunda geração (desloratadina, ebastina, loratadina e rupatadina) têm eficácia similar, porém com menos efeitos adversos e sedação (grau de recomendação B). Geralmente são administradas para controle dos sintomas nasais e oculares da rinoconjuntivite.
Imunoterapia
A imunoterapia sistêmica contra o alérgeno pode suprimir ou regular a resposta imune. A primeira geração de antihistamínicos tópicos bloqueia o receptor H1, porém são pouco tolerados e têm efeito e potência restritos (grau de recomendação D).
O critério primário para o diagnóstico clínico da ceratoconjuntivite atópica é uma forma específica de conjuntivite crônica com ceratite em associação com dermatite atópica e eczema. Dessa forma, a ceratoconjuntivite é uma doença sistêmica com manifestação ocular e essa é a razão do uso da imunossupressão sistêmica com ciclosporina A.
Altas doses de alérgenos induzem um desvio da resposta imune em favor de linfócitos Th1, com a formação de interferon gama e produção de células T regulatórias. A OMS recomenda imunoterapia específica para alérgenos como uma abordagem efetiva em pacientes com doenças alérgicas como a rinoconjuntivite e a asma.
Pode ser administrada por via sublingual ou subcutânea, induzindo tolerância ao alérgeno em curto e longo prazo. Além disso, melhora sintomas oculares em alguns pacientes com rinoconjuntivite alérgica, mesmo após a parada do tratamento. Produz uma redução de 63% da necessidade de medicação em pacientes com rinoconjuntivite ou conjuntivite sazonal, mas não em pacientes com conjuntivite perene (grau de evidência A).
A imunossupressão com imunomoduladores pode ser uma opção para casos graves refratários ao tratamento tópico para evitar o uso de corticoides sistêmicos e seus efeitos adversos. Tanto o tacrolimus quanto a ciclosporina agem inibindo a calcineurina, que geralmente ativa o fator nuclear e causa proliferação e ativação de células T.
A inibição da calcineurina inibe a produção e ativação de citocinas pelas células T e o processo inflamatório crônico. Um mínimo de 12 semanas de terapia com ciclosporina sistêmica na dose diária de 3 a 5 mg/kg pode ser benéfica no tratamento da dermatite atópica.
Os anticorpos monoclonais podem ser usados no controle de doenças alérgicas e também como alternativa nas alergias oculares. O anticorpo monoclonal anti IgE amalizumab, que é indicado para o tratamento da asma e urticária crônicas, também demonstrou ter efeito apesar de incompleto, no controle da ceratoconjuntivite vernal grave. O anti Il4 dupilumab, indicado para dermatite atópica, asma grave e rinosinusite crônica, também poderá ser benéfico no tratamento da conjuntivite alérgica.
O tratamento cirúrgico na conjuntivite alérgica inclui a ceratectomia superficial para úlceras/placas em escudo; a excisão de papilas gigantes associada com recobrimento conjuntival, de mucosa oral ou transplante de membrana amniótica; a cirurgia reconstrutora com transplante de células tronco límbicas.
A intervenção cirúrgica é reservada para pacientes com doença ameaçadora à visão, caracterizada pela presença de grandes papilas, úlceras em escudo ativas/extensas e deficiência de células tronco limbares com extensa conjuntivalização. Geralmente são refratários à terapia farmacológica e precisam ser monitorados para complicações como infecção, opacidade de córnea permanente, catarata e glaucoma.
Monitorização indicado pelo guindeline
Casos leves: rever a cada quatro semanas e manter tratamento até melhora dos sintomas;
Casos moderados intermitentes ou perene: rever a cada quatro semanas (se controlados, tratar quatro semanas e considerar suspender colírios. Se não controlados, tratar como casos graves). Considerar corticoide leve se houver envolvimento corneano leve e imunoterapia específica em situações persistentes ou com outras manifestações;
Casos graves: rever a cada duas semanas. Se controlados, diminuir corticoide a cada três dias. Se não controlados, rever o diagnóstico. Considerar terapia com biológicos e imunoterapia específica.
Fonte: PedMed – Juliana Rosa
Ronconni CS, et al. Brazilian guidelines for the monitoring and treatment of pediatric allergic conjunctivitis. Diretrizes brasileiras sobre o monitoramento e tratamento da conjuntivite alérgica pediátrica. Arq. Bras. Oftalmol. 2021 Nov. doi: 10.5935/0004-2749.20220053
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
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Com o avanço da tecnologia, a interoperabilidade na saúde torna-se cada vez mais essencial na otimização de processos, redução de custos e melhora na qualidade do atendimento. Isso porque a integração dos dados clínicos gera mais segurança ao paciente e aos profissionais da área, além de permitir que o atendimento ocorra em qualquer lugar.
Entretanto, esse processo pode ser um verdadeiro desafio no Brasil. De fato, não basta apenas trabalharmos com ferramentas e sistemas de gestão de ponta. É preciso padronização para que falem a mesma língua.
Em seguida, entenda mais o que é interoperabilidade na saúde, os benefícios e como implementá-la.
Interoperabilidade na saúde – o que é
Basicamente, interoperabilidade na saúde é a capacidade de comunicação, troca de informações e o emprego dos dados compartilhados pelos vários sistemas de informação e aplicativos de software sem a intervenção humana.
Isto é, após receber as informações, os próprios sistemas processam os dados e conversam entre si depois da implantação de algumas normas-padrão. Desse modo, é possível trabalharem simultaneamente, independentemente das características digitais de cada um, como arquitetura de software, template, funcionalidades etc.
Com isso, é possível trocar informações clínicas entre as diferentes ferramentas usadas, produzindo mais dados e cuidados melhores do paciente.
Assim, permite a comunicação e integração entre sistemas de gestão de clínicas, consultórios e hospitais que atuam em todos os níveis de atenção ao paciente. Dessa forma, a instituição pode fazer o rastreamento dos serviços usados pelo paciente, por exemplo, e até um levantamento mais amplo da população.
Dentre diversas outras ferramentas, o prontuário eletrônico também é uma ótima tecnologia para o compartilhamento, com segurança, dos dados do paciente com outros profissionais envolvidos no atendimento, por exemplo.
Para isso, é preciso disponibilizar os dados de forma que outros sistemas também consigam acessá-los e integrá-los. Atualmente, essa é uma grande barreira para a implantação da interoperabilidade, já que cada sistema possui linguagem e lógica próprias.
Sem dúvida, a tecnologia empregada na saúde traz diversas vantagens. A visão completa da saúde do paciente é uma das principais devido à união das informações vindas de vários sistemas. Por exemplo, os dados levantados em consulta por um médico podem ser analisados pelo laboratório, hospital ou outro especialista.
Com certeza, isso aumenta significativamente o sucesso no tratamento e diagnósticos precoces. Dessa maneira, também contribui com o a maior assertividade dos profissionais.
Outro benefício é a agilidade nos processos, pois preenche os dados apenas uma vez no sistema e as demais pontas têm acesso ao sistema completo. Com isso, permite uma comunicação mais fluída entre todos os envolvidos e a realização de uma terapia multidisciplinar mais efetiva. Ainda por cima, em uma local prático e seguro.
Ao ter acesso facilitado e completo às suas próprias informações de saúde, o paciente também pode se comprometer mais com o tratamento. Além do resultado melhor ao paciente, o médico também ganha tempo para outros cuidados.
Por fim, a interoperabilidade na saúde garante mais agilidade nos procedimentos, integra melhor às equipes, melhora a gestão de processos internos, melhora a qualidade de dados, diminui atividades repetitivas e facilita a transmissão de informações.
Interoperabilidade na saúde – sistemas
A implantação da interoperabilidade na saúde precisa da utilização de protocolos específicos. São eles que converterão os dados automaticamente, sem a necessidade de intervenção humana.
Há várias organizações que unificam esses protocolos, como por exemplo o TISS e o HL7 International.
O sistema TISS (Troca de Informação de Saúde Suplementar) é o padrão utilizado entre as instituições de saúde suplementar e os planos de saúde. Ele obedece aos critérios de interoperabilidade indicados pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dentre suas principais vantagens, estão uniformizar as ações administrativas, aperfeiçoar os registros de dados, facilitar o financiamento de medidas de avaliação e a gestão financeira de operadores de planos de saúde.
Já HL7 (Health Level Seven International), por meio do sistema FHIR, permite a criação de protocolos de transmissão de mensagens entre aparelhos, base de dados e sistemas de gestão em saúde.
Em relação aos padrões de terminologia ou dados em saúde, foram produzidos vocabulários e códigos para padronizar conceitos clínicos, como doenças, diagnósticos, fármacos, técnicas e procedimentos, dentre outros.
Como exemplo, há a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, revisão 11), que começou a valer a partir de 1º de janeiro de 2022. O documento é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo e contém cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte. Ou seja, essencial para o trabalho de médicos em todo o mundo.
A tabela fornece uma linguagem comum que permite aos profissionais da área compartilhar informações de saúde em nível global de modo padronizado.
Além disso, o próprio número SUS, muitas vezes, não é único para o mesmo paciente. Além do indexador do número SUS, existem inúmeros outros, como CPF, RG, nome etc. Ou seja, o Brasil não possui uma política única que consiga facilitar a interoperabilidade.
Para implementar o processo na sua clínica, é preciso investir em sistemas de gestão assistenciais, treinamento da equipe e na humanização do atendimento por meio dessas ferramentas.
Por fim, vale ressaltar que a interoperabilidade na saúde é um meio para um fim. Entretanto, há uma quantidade significativa de padrões que podem dificultar as escolhas dentre os vários sistemas com os quais uma instituição de saúde deve interagir, por exemplo.
Desse modo, é fundamental determinar corretamente as políticas, as guias e os padrões a serem implantados.
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Lançada em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID 11) começou a valer a partir de 1º de janeiro de 2022. O documento é a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo e contém cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte. Ou seja, essencial para o trabalho de médicos em todo o mundo.
A tabela fornece uma linguagem comum que permite aos profissionais da área compartilhar informações de saúde em nível global de modo padronizado. A última atualização, a CID 10, ocorreu na década de 90 e já não engloba mais diversas doenças da atualidade.
Por isso, é fundamental acompanhar as novas diretrizes. Em seguida, confira quais foram as principais mudanças na CID 11.
Autismo
Agora, todos os transtornos inseridos no espectro de autismo estão reunidos em apenas um diagnóstico: Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) – código 6A02. Isso inclui autismo infantil, transtorno com hipercinesia, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett e transtorno desintegrativo da infância.
De acordo com a OMS, as subdivisões passaram a ser apenas relacionadas a prejuízos na linguagem funcional e deficiência intelectual. Dessa forma, a intenção é facilitar o diagnóstico e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde.
Transexualidade
Até 2021, a transexualidade era enquadrada como doença mental, sendo considerada distúrbio de identidade de gênero. Com a CID 11, foi recategorizada como incongruência de gênero e realocada na categoria de saúde sexual.
A OMS explica que cientistas e médicos comprovaram que a transexualidade não é um distúrbio mental. Devido a isso, trazia mais estigmatização aos que se identificavam como transgêneros.
Com a alteração, esse grupo garante acesso aos procedimentos cirúrgicos e terapêuticos assegurados pelo SUS.
Síndrome de Burnout
A Síndrome de Burnout é um exemplo das doenças da atualidade. Agora, a doença integra problemas de saúde gerados ou associados ao emprego e desemprego. Isso porque, segundo a OMS, é uma síndrome gerada devido ao estresse crônico no local de trabalho e que não foi tratada corretamente.
Dentre seus principais sintomas, estão a sensação de esgotamento mental e/ou físico, sentimentos negativos relacionados ao trabalho e a redução da eficiência profissional.
Vale ressaltar que a doença está relacionada apenas ao trabalho, não sendo aplicado às outras partes da vida.
Gaming disorder
Sem dúvida, uma das principais novidades da CID 11 é a criação do Game Disorder, que significa “distúrbio em jogos eletrônicos”. Isto é, o uso abusivo pode causar vício e passa a ser entendido como doença.
A patologia é definida como “padrão de comportamento persistente ou recorrente” e é tão grave que pode comprometer as áreas de funcionamento pessoal e social.
Dentre os principais sintomas, estão prioridade aos jogos perante outras áreas da vida, perda de controle sobre aspectos relacionados aos jogos, como duração e frequência das sessões, e a continuidade do vínculo com jogos mesmo com consequências negativas como o impacto na vida profissional, educacional, social e familiar.
Resistência antimicrobiana
Na CID 11, a OMS realinhou os códigos relacionados à resistência antimicrobiana porque diversos micro-organismos estão cada vez mais resistentes às terapias, não reagindo mais às drogas indicadas.
Confira todas as atualizações da CID 11 aqui. Para quem trabalha com prontuários eletrônicos na nuvem, diversos sistemas já foram atualizados com o novo protocolo. Vale a pena conferir.
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Selecionar corretamente a CNAE para consultório médico é essencial para abrir seu negócio longe de irregularidades e dores de cabeça com problemas como multas, por exemplo.
Vale ressaltar que toda organização deve ser enquadrada em algum código CNAE, que serve para cadastro e registros de órgãos federais, estaduais e municipais.
Portanto, é preciso escolher a CNAE certa para seu consultório. Em seguida, entenda mais sobre o que é CNAE e os principais códigos relacionados ao seu modelo de negócio.
CNAE: o que é
A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos tributários do Brasil. Desse modo, facilita a fiscalização e a cobrança de impostos das diversas organizações.
Cada código contém 7 algarismos e determina a natureza dos serviços prestados conforme 5 grupos: Seção, Divisão, Grupo, Classe e Subclasse.
Além disso, ao escolher o CNAE, o seu negócio também estará ligado a uma alíquota de imposto. Portanto, é preciso cuidado para não pagar mais e também para não pagar menos e sofrer com consequências como multas pela Receita Federal, por exemplo.
CNAE para consultório médico: qual escolher?
Na maioria dos casos, os consultórios e clínicas médicas se encaixam na Classe 86.30-5. Essa classe envolve as atividades de atenção ambulatorial realizadas por médicos e odontólogos.
Dentro dessa categoria, existem 7 subclasses:
8630-5/01: Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos.
8630-5/02: Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares.
8630-5/03: Atividade médica ambulatorial restrita a consultas
8630-5/04: Atividade odontológica
8630-5/06: Serviços de vacinação e imunização humana
8630-5/07: Atividades de reprodução humana assistida
8630-5/99: Atividades de atenção ambulatorial não especificadas anteriormente.
Sem dúvida, as três primeiras subclasses listadas acima são as que mais se enquadram com as atividades de clínicas e consultórios médicos. Dessa forma, o CNAE para consultório médico mais selecionado é 8630-5/01, 8630-5/02 ou 8630-5/03.
De fato, seu negócio pode ter mais de uma CNAE, dependendo do tipo de serviço realizado.
Esse código será definido logo após selecionar uma dentre as 54 categorias para organizações de atendimento médico. Somente após essas etapas é possível fazer opedido de alvará de funcionamento e outros documentos indispensáveis para o estabelecimento.
CNAE para consultório médico: para que serve?
A CNAE é necessária para obter o CNPJ e abrir a empresa. O código é requisitado na Ficha Cadastral de Pessoa Jurídica (FCPJ), preenchida como requerimento para o CNPJ.
Além disso, o registro melhora o controle fiscal feito pelos órgãos governamentais, impedindo assim fraudes no recolhimento de impostos. Também é uma ferramenta importante para o enquadramento do negócio em determinada classe, estabelecendo as obrigações tributárias.
De fato, esse é um dos benefícios da CNAE, pois evita o pagamento de impostos indevidos. Isso porque o código insere o consultório em um grupo específico, determinando documentos, licenças e tributos pertinentes à área.
Caso seja escolhido o CNAE errado ou apenas um código sendo que o consultório oferece outros serviços, podem ocorrer problemas como dificuldade na obtenção de licenças e alvarás de funcionamento, inconformidade do local em que funciona a clínica, perda de incentivos fiscais, cobrança indevida de impostos, multas em caso de irregularidades constatadas e danos para a imagem do consultório, dentre outros problemas.
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
Acompanhe o blog da Phelcom e saiba mais sobre gestão de consultórios e clínicas médicas.
O Google ADS para médicos é uma ferramenta que ajuda na captação de novos pacientes para seu consultório. Todos sabemos que é no Google que as pessoas procuram o que fazer, aonde ir, o que comprar e até qual médico escolher. Com esse recurso, seu anúncio pode ser exibido no momento exato em que uma pessoa estiver pesquisando serviços como o seu.
Assim, você pode aumentar as visitas no site, os agendamentos e, consequentemente, o número de pacientes. Mas, como atrair mais clientes com o Google ADS para médicos? Veja como neste artigo.
Google ADS para médicos: como funciona
O Google Ads é uma plataforma de anúncios do Google. Ele permite criar anúncios on-line com links patrocinados, que vão aparecer para o usuário conforme as palavras-chaves usadas na pesquisa.
Dessa forma, sua publicidade pode aparecer nos vídeos do YouTube, no buscador do Google, em sites relacionados à sua área de atuação, aplicativos etc. Tudo vai depender da estratégia definida por você ou sua equipe.
A posição do seu anúncio no Google dependerá de três fatores: relevância da palavra-chave ao assunto buscado, assim como a qualidade do anúncio e da página de destino; o lance máximo do CPC (custo por clique), um comparativo do anunciante com o valor mais alto por clique; e o Ad rank, um valor médio entre os dois anteriores.
A ferramenta também entrega as métricas das campanhas realizadas. Desse modo, é possível avaliar quantas impressões e cliques o anúncio teve, além de conseguir identificar os usuários que clicaram. Assim, permite descobrir qual tipo de anúncio teve o melhor desempenho e controlar melhor o retorno dos seus investimentos on-line.
Aliás, a cobrança pelo anúncio só ocorre quando receber cliques. Além disso, você também pode limitar o valor gasto por cada clique recebido.
Google ADS para médicos: como fazer
Em seguida, veja o passo a passo de como criar campanhas on-line com o Google ADS:
Defina o público-alvo
Quais pacientes você quer atrair? Informações como idade, profissão, localidade, nível de escolaridade e renda ajudam a criar o seu público-alvo.
Crie as personas
Personas são perfis ideais, detalhados, do paciente que deseja atrair. Além das informações acima, é preciso analisar estilo de vida, hábitos, comportamentos, frustrações, dificuldades, lazer etc.
Faça a campanha
Com as personas em mãos, você consegue definir qual tipo de mídia é mais consumido e fazer anúncios por lá. Exemplo: blogs e YouTube.
Escolha as palavras-chaves
Esse passo é fundamental para seu anúncio aparecer ou não para sua persona. Aqui, você precisa definir as palavras-chaves que mais tem relação com a sua especialidade e que deve chamar a atenção do seu paciente em potencial.
Selecione seu objetivo
Já na ferramenta, ajuste seu anúncio com base nos resultados desejados, como receber mais chamadas na sua clínica, atrair mais pacientes ou direcionar as pessoas ao seu site.
Decida onde anunciar
Você decide onde quer exibir os anúncios e o Google mostrará para as pessoas certas.
Crie sua mensagem
Mostre o que seu consultório tem de especial em três frases curtas para conquistar os pacientes ou adicione imagens para criar anúncios de banner atraentes.
Defina seu limite de orçamento
Você nunca pagará mais do que seu orçamento mensal e poderá ajustar ou pausar quando quiser. Além disso, a plataforma mostra os resultados estimados com base no orçamento escolhido.
O Google Ads pode ser uma ferramenta que ajuda a encontrar formas de melhorar seus anúncios e gerar melhores resultados, liberando assim o médico para se concentrar naquilo que ele mais sabe: atender pacientes.
Também fornece relatórios, insights e dicas para você acompanhar seu progresso e otimizar ainda mais os anúncios.
Outra dica é criar o Google Meu Negócio, ferramenta gratuita e fácil de usar que possibilita que instituições de saúde gerenciem a presença on-line no Google, inclusive na Pesquisa e no Maps.
Para isso, é possível criar um verdadeiro perfil do seu negócio com todas os dados essenciais. Desse modo, quando pesquisarem diretamente pelo seu nome ou do consultório ou por palavras-chaves relacionadas à sua especialidade, o Google mostrará o seu perfil profissional.
Veja o passo a passo para criar o seu perfil neste artigo.
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
Acompanhe o blog da Phelcom e veja dicas de como melhorar a estratégia de marketing digital de consultórios e clínicas médicas.
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