Um projeto nacional inédito que investiga as bases genéticas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) está indo além do DNA e encontrando, na retina, um novo caminho para compreender — e antecipar — a doença.
Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do PROADI-SUS, o Projeto Ártemis utiliza a retinografia para identificar possíveis marcadores associados ao risco de AVC.
Os exames de fundo de olho são realizados com o retinógrafo portátil Eyer2, que captura imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho em poucos minutos e sem midríase. Integrado ao EyerCloud, plataforma online de gerenciamento de exames, o equipamento conta também com o EyerMaps, recurso de inteligência artificial que identifica possíveis anomalias na retina em segundos.
“A estratégia une tecnologia, genética e imagem em um esforço inédito de medicina de precisão para ampliar as possibilidades de prevenção e cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta a investigadora principal do projeto, a neurologista Ana Cláudia de Souza.
A neurologista Ana Cláudia de Souza, investigadora principal do Projeto Ártemis.
Pesquisa
O Projeto Ártemis busca identificar variantes genéticas que influenciam o risco, a evolução clínica e a resposta ao tratamento do AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% dos casos de AVC no país. Segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), 89.490 pessoas morreram em decorrência da doença em 2025, que segue como a principal causa de morte e incapacidade no país.
Até o final de 2026, serão avaliados mil participantes, divididos em dois grupos: metade sofreu AVC isquêmico no último ano e a outra metade não tem histórico da doença, atuando como grupo de controle. Todos têm mais de 18 anos e passam por uma série de avaliações ao longo de um acompanhamento que pode chegar a cinco anos, incluindo exames de retina e sequenciamento completo do genoma.
O estudo também se destaca pela preocupação em refletir a diversidade da população brasileira. A pesquisa é conduzida em 11 centros de referência no atendimento ao AVC, distribuídos pelas cinco regiões do país. “A inclusão de diferentes perfis demográficos amplia a representatividade dos dados e contribui para a construção de soluções mais eficazes e acessíveis no contexto do SUS”, destaca Ana Cláudia.
A iniciativa integra também o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a diversidade genômica nacional, ainda pouco representada em estudos globais. Além da produção científica, o projeto prevê a capacitação de profissionais do SUS em áreas como genética, aconselhamento genético e medicina de precisão.
Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).
Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).
Integração
A inclusão da retinografia no estudo foi definida desde a concepção do projeto. Segundo Ana Cláudia, a decisão se baseou em evidências científicas que apontam para uma relação entre os padrões vasculares da retina e o risco de eventos cardiovasculares e neurológicos, como o AVC.
A partir dessa premissa, a equipe incorporou ao projeto um exame capaz de fornecer informações concretas sobre o organismo de forma rápida e acessível. “Ao associar as imagens da retina ao mapeamento genético dos participantes, esperamos identificar marcadores que indiquem maior ou menor probabilidade de desenvolvimento ou de recorrência do AVC”, explica.
A escolha do Eyer2 também atendeu às demandas de um estudo multicêntrico e com ampla distribuição geográfica. “A praticidade foi um fator decisivo. Hoje, profissionais de saúde treinados conseguem realizar o exame com facilidade”, observa. Essa característica amplia a capacidade operacional dos centros e contribui para a padronização da coleta de imagens.
Entre os diferenciais da tecnologia, estão o acesso às imagens via EyerCloud, que facilita o armazenamento e a análise em tempo real, e o uso do EyerMaps. “Em caso de dúvida, a IA já indica se há alguma alteração, atuando como um primeiro filtro para a avaliação”, afirma.
Além do papel na pesquisa, o equipamento também tem contribuído para a assistência. Segundo a neurologista, o uso da retinografia tem auxiliado na identificação de retinopatia hipertensiva e diabética, muitas vezes ainda não diagnosticadas. Com o apoio de parceiros no laudamento, os pacientes já recebem o resultado durante o acompanhamento, o que agiliza o encaminhamento e reduz o risco de complicações.
“Vejo a aplicação do Eyer2 muito forte na pesquisa, mas também um impacto direto na assistência, ao permitir diagnosticar e encaminhar corretamente os pacientes, evitando perda visual e outras consequências mais graves”, conclui.
Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).
Futuro
Ao integrar genética, imagem e tecnologia, o Projeto Ártemis reforça uma tendência cada vez mais presente na saúde: o uso de dados para antecipar riscos, orientar decisões e ampliar o cuidado ao paciente.
Ana Cláudia acredita que essa abordagem pode, no futuro, contribuir para a identificação do risco de doenças como AVC, infarto e até Alzheimer, a partir da análise integrada de diferentes marcadores. “Ainda é necessário correlacionar essas informações com outros achados clínicos, mas o potencial é grande. Estamos avançando para um cenário em que será possível predizer riscos com mais precisão, combinando fatores genéticos e exames como a retinografia”, explica.
Para a neurologista, o impacto vai além dos resultados científicos. “Quando falamos em medicina de precisão, estamos falando em entender melhor cada pessoa para cuidar melhor dela. Dessa forma, conseguimos agir antes, proporcionar mais qualidade de vida e, principalmente, ampliar o acesso à saúde”, afirma.
Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o projeto “Revolução na retina: IA e telemedicina levam diagnóstico rápido a pacientes com diabetes” foi um dos vencedores do Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025, na categoria Tecnologias Diagnósticas — um dos mais importantes reconhecimentos nacionais na área da saúde. Os vencedores foram anunciados em 5 de setembro.
A iniciativa representa um avanço significativo no rastreamento da retinopatia diabética, uma das principais causas de deficiência visual e cegueira no mundo. A doença é uma complicação comum do diabetes, mas pode ser prevenida com diagnóstico e tratamento precoces.
O rastreamento periódico com exames de fundo de olho é essencial para identificar a doença em suas fases iniciais e evitar danos irreversíveis à visão — um grande desafio no Brasil, especialmente na rede pública de saúde.
“Enxergo esse reconhecimento com enorme relevância, por representar uma linha bastante inovadora: a implementação de dispositivos inteligentes e seu impacto positivo em desfechos de saúde”, afirma o oftalmologista e um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, Fernando Korn Malerbi.
Vencedores do Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025.
Tecnologia nacional e impacto real
O estudo foi conduzido no Centro de Diabetes da Unifesp, em 2024, utilizando o retinógrafo portátil Eyer. O equipamento permite a captura de imagens de alta definição do fundo do olho e integra-se ao EyerCloud, plataforma online para o gerenciamento de exames. O sistema também utiliza o EyerMaps, uma inteligência artificial capaz de identificar possíveis anomalias na retina em poucos segundos.
As informações coletadas eram analisadas por especialistas de forma remota, o que reduzia etapas e acelerava o diagnóstico.
No total, 801 pacientes com diabetes participaram da triagem e quase 15% apresentaram sinais de retinopatia diabética. Malerbi destaca que a adesão às consultas de seguimento beirou 100%, demonstrando alto engajamento e confiança no processo.
O tempo médio entre o exame e o início do tratamento caiu de 20 para 9 dias, representando um avanço decisivo em uma condição considerada tempo-sensível. “Reduzir o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento é fundamental na retinopatia diabética, uma vez que o atraso pode significar perda visual irreversível”, explica.
Segundo ele, o projeto gerou benefícios como maior eficiência no rastreamento, otimização de recursos, alta adesão dos pacientes, redução dos tempos de espera e satisfação da equipe envolvida.
“A solução aplicada é 100% brasileira e a pesquisa foi desenvolvida em um ambiente público, dentro de uma universidade federal. Isso reforça o potencial de inovação científica e tecnológica existente no país, especialmente quando unimos a academia à prática clínica”, ressalta Malerbi.
Desafios e próximos passos
Embora o estudo tenha sido viável em ambiente de pesquisa, Malerbi reconhece os desafios para ampliar a implementação do modelo fora da universidade. “Dentro de um ambiente acadêmico, foi relativamente simples desenhar e executar o projeto. No entanto, acreditamos que uma das maiores dificuldades em larga escala esteja na formação de profissionais capacitados para a obtenção das imagens e elaboração dos laudos, além do desenho de um fluxo clínico eficiente em sistemas de saúde mais complexos”, avalia.
O oftalmologista reforça que os próximos passos são transformar o projeto em rotina assistencial e apoiar sua replicação em outros serviços públicos e privados. “Pretendemos criar condições para que o projeto se torne parte do atendimento regular e também oferecer subsídios para que nossa experiência possa ser aplicada em sistemas de saúde mais abrangentes”, conclui.
Prêmio
Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025.
O Prêmio Veja Saúde Oncoclínicas de Inovação Médica, com curadoria da VEJA SAÚDE, reconhece projetos, instituições e profissionais que contribuem de forma significativa para o avanço científico, clínico e assistencial na área da saúde.
A iniciativa valoriza trabalhos conduzidos, publicados ou liderados por médicos e cientistas brasileiros, abrangendo estudos clínicos, testes laboratoriais, projetos educativos e assistenciais, campanhas de prevenção e soluções desenvolvidas por healthtechs, dentre outros.
Os projetos finalizados e com resultados consolidados que atendem aos critérios do regulamento são avaliados por um júri de especialistas. Com base nessas análises, são definidos os vencedores em cada categoria: Medicina de Precisão e Genômica, Prevenção e Promoção da Saúde, Tecnologias Diagnósticas, Terapias e Tratamentos Inovadores, Medicina Social, Engajamento e Empoderamento do Paciente e IA na Transformação Digital em Saúde.
A ONG Zoé atua levando assistência médica a comunidades indígenas e ribeirinhas que vivem em algumas das regiões mais remotas e desassistidas do país. São os chamados “guardiões da floresta”, moradores da Amazônia que enfrentam grandes desafios de acesso à saúde, como a proporção de apenas 1,39 médico para cada mil habitantes nessas áreas.
Entre os dias 28 de junho e 6 de julho de 2025, a ONG realizou sua maior ação até o momento: a 35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA). Durante os nove dias de missão, uma equipe de 48 voluntários prestou 2.219 atendimentos, incluindo procedimentos, cirurgias, consultas e exames em diversas especialidades.
Ao todo, foram realizadas:
108 cirurgias (gerais, ginecológicas e dermatológicas);
998 consultas em especialidades como oftalmologia, dermatologia, pediatria, otorrinolaringologia, geriatria, fisiatria, fonoaudiologia e ginecologia;
1.063 exames, incluindo exames oftalmológicos, fisiátricos, dermatológicos, ultrassonografias e audiometrias.
“Durante nove dias garantimos o acesso a especialidades inexistentes ou indisponíveis na região, desafogando o sistema de saúde local. Por exemplo, foi o primeiro atendimento de otorrinolaringologia na aldeia”, destaca a coordenadora executiva da ONG Zoé, Andréia Laplana.
Esta também foi a primeira expedição da ONG com o uso do retinógrafo portátil Eyer2. O equipamento permite a captura de imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho, viabilizando exames oftalmológicos precisos mesmo em regiões remotas.
Integrado à inteligência artificial EyerMaps e à plataforma online EyerCloud, o sistema possibilita a triagem rápida de alterações retinianas e o acompanhamento remoto por especialistas, oferecendo um novo patamar de cuidado ocular em expedições como esta.
35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA), foi a maior ação da ONG Zoé até o momento.
Eyer2 amplia diagnósticos oftalmológicos e agiliza o atendimento em campo
A utilização do Eyer2 durante a expedição trouxe avanços significativos para a triagem, o diagnóstico e o registro de doenças oculares nas comunidades indígenas e ribeirinhas da região. Ao todo, foram 729 exames de visão realizados com precisão e agilidade.
Entre os principais achados clínicos estão casos de glaucoma, toxoplasmose ocular e degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Graças a essa triagem, foi possível distribuir 173 óculos personalizados, devolvendo autonomia, nitidez visual e mais qualidade de vida aos atendidos.
Segundo a coordenadora de oftalmologia da ONG Zoé, Maria Beatriz Lacerda Coelho de Paula, o equipamento se destacou por agregar valor em duas frentes: agilidade no fluxo de trabalho e documentação dos casos.
“A documentação fornecida pelo Eyer2 nos permite planejar futuras ações na mesma região. Além disso, a facilidade de manuseio possibilitou que uma oftalmologista e um técnico treinado realizassem retinografias de alta qualidade. Essa agilidade foi decisiva para atender um número maior de pacientes em um curto período, algo essencial em uma expedição com logística complexa e diversas especialidades envolvidas”, ressalta Maria Beatriz.
A oftalmologista também compartilhou um momento marcante da missão. “Uma acadêmica fez um de seus primeiros diagnósticos, um caso de glaucoma. Perceber que, com os instrumentos certos e um treinamento básico, é possível mudar o curso da vida de um paciente é algo muito significativo”, conta.
“Sou muito grata ao pessoal da Phelcom por nos ter emprestado o Eyer. É muito autêntico o interesse da empresa de que esse produto tenha propósito, que atenda a quem precisa”, afirma.
Exame feito com o Eyer2 durante ação da ONG Zoé em Belterra (PA).
Experiência e propósito
A ideia de utilizar o Eyer2 na expedição em Belterra (PA) partiu de Maria Beatriz. Seu primeiro contato com o Eyer aconteceu antes mesmo do lançamento oficial, quando o CEO da Phelcom, José Augusto Stuchi, apresentou o protótipo à equipe de oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), em São Paulo, em 2018.
Durante a pandemia de covid, o Eyer passou a fazer parte da sua rotina profissional. “Eu trabalhava na linha de frente do HC e usávamos o aparelho para realizar fundoscopias nos pacientes e documentar os casos para os protocolos clínicos”, relembra.
Além da atuação na ONG Zoé, Maria Beatriz utilizou o equipamento em outras iniciativas sociais, como o projeto Aldeia em Foco. Seu envolvimento com expedições começou ainda na graduação, por meio do projeto Bandeira Científica, da Faculdade de Medicina da USP. “Participei de duas bandeiras: uma como interna do quinto ano e outra já como residente em oftalmologia. Foi nessa época que comecei a me interessar pela especialidade. Antes de escolher oftalmo, eu já tinha escolhido as expedições”, conta.
Ao longo do tempo, o que começou como curiosidade e desejo de conhecer outras realidades, se transformou em missão. “Fazer uma expedição passou a significar ser útil em um lugar onde você é realmente necessário. Não é apenas o aspecto técnico: só o fato de ouvir as pessoas e oferecer acolhimento já faz uma grande diferença”, reflete.
Ela resume a motivação em uma palavra: propósito. “Estar no lugar certo, na hora certa, com pessoas que precisam de você… isso traz muito propósito à vida. E propósito é uma das coisas que nos aproxima da felicidade.”
No primeiro semestre deste ano, Maria Beatriz já participou de três expedições. Até o momento, tem outras duas programadas para o segundo semestre — em outubro e dezembro. “É algo que coloquei como prioridade na minha vida, praticamente desde que comecei a trabalhar”, revela.
Equipe da ONG Zoé na 35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA).
Sobre a ONG Zoé
A ONG Zoé atua desde o final de 2019, promovendo o acesso à saúde para comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia — populações historicamente negligenciadas no sistema público de saúde brasileiro.
A organização realiza expedições médicas que levam especialistas e infraestrutura básica a regiões de difícil acesso, onde o número de médicos por habitante está entre os mais baixos do país.
Desde sua fundação, a ONG já realizou 35 expedições, somando mais de 15 mil atendimentos com a colaboração de 352 voluntários, que juntos dedicaram mais de 24 mil horas de trabalho às ações em campo.
As expedições envolvem múltiplas especialidades, exames, cirurgias e a distribuição de medicamentos e insumos com o objetivo de garantir cuidado integral e contínuo às comunidades atendidas.
Quem deseja contribuir com essa missão pode fazer parte como voluntário ou doador. Acesse o site da organização e saiba: www.ongzoe.org.
Eyer2
O Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.
Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.
Há nove anos, a ONG Doutores do Mundo percorre o Brasil levando atendimento básico de saúde a comunidades em situação de vulnerabilidade. Formada por profissionais voluntários, a organização atua em regiões remotas oferecendo consultas médicas, odontológicas e psicológicas, além de realizar a entrega de medicamentos, óculos e kits de higiene bucal, dentre outros insumos.
Desde que se formalizou como ONG, em 2022, a Doutores do Mundo já atendeu mais de 80 mil pessoas, muitas delas sem histórico de acompanhamento médico especializado. “Atendemos pessoas que, na maioria das vezes, nunca passaram por um dentista ou foram avaliadas por um especialista”, explica a cardiologista, fundadora e presidente da ONG, Bruna Suda.
O grupo se empenha em levar o maior número possível de especialidades em cada expedição. Embora o foco principal seja em médicos especialistas, as ações também contam com enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde, conforme a estrutura de cada missão.
Desde março de 2025, a ONG conta com um novo aliado nessa missão: o retinógrafo portátil Eyer. O equipamento é acoplado a um smartphone e realiza exames de fundo de olho de forma rápida, prática e com alta qualidade de imagem, sem necessidade de dilatar a pupila.
Até o momento, dois Eyers foram utilizados em três expedições: Baía Formosa (RN), Sertão de Minas Gerais e no Rio de Janeiro (RJ), realizadas entre março e junho. Nessas ações, 424 pessoas foram atendidas na especialidade de oftalmologia, com diagnósticos que incluíram glaucoma, retinopatia diabética, cicatriz de toxoplasmose e alta miopia.
“Com essa parceria com a Phelcom, poderemos realizar exames mais precisos e detectar problemas oculares precocemente, melhorando a saúde e a qualidade de vida das pessoas que atendemos”, afirma Bruna.
Impacto do Eyer nas expedições
A coordenadora da Oftalmologia da ONG Doutores do Mundo, Ana Beatriz Cabral, ressalta que o uso do Eyer representou um avanço significativo para a ONG. Antes, a equipe conseguia oferecer apenas exames clínicos de refração e a entrega de óculos. A realização de exames mais aprofundados, como o de fundo de olho, era inviável devido à falta de estrutura adequada em campo.
Com o Eyer, isso mudou. Agora, além de realizar exames com alta qualidade de imagem, os profissionais conseguem documentar os achados, acompanhar casos com maior precisão e, quando necessário, encaminhar os pacientes para tratamento especializado.
Ana Beatriz destaca que o equipamento tem sido essencial em diagnósticos mais complexos. “Em um dos casos mais marcantes, um paciente com glaucoma avançado pôde iniciar o tratamento com base na documentação feita com o Eyer. Em outra situação, o exame permitiu identificar sinais de retinopatia diabética, possibilitando uma intervenção precoce e adequada.”
Já a presidente da ONG, Bruna Suda, conta que o aparelho também facilita a relação com o paciente e melhora a experiência de atendimento. “Eles se interessam muito em ver as imagens dos próprios olhos. Isso gera curiosidade, aproxima e ajuda na adesão ao tratamento. Muitos se emocionam ao verem, pela primeira vez, um exame oftalmológico sendo feito de forma tão rápida e prática.”
Outro ponto de destaque foi a facilidade de uso. Além da oftalmologista, mais duas voluntárias utilizaram o Eyer nas expedições: uma médica de outra especialidade e uma estudante de medicina. Ambas conseguiram operar o dispositivo sem dificuldades, o que demonstra sua usabilidade mesmo em contextos fora da rotina clínica tradicional.
Médica mostra para paciente as imagens do fundo do olho feitas com o Eyer.
Expedições
Baía Formosa
Entre os dias 22 e 29 de março, a ONG Doutores do Mundo realizou uma expedição à cidade de Baía Formosa (RN), em parceria com o Instituto Ítalo Ferreira. A ação atendeu 7.129 pessoas, com foco em comunidades que enfrentam dificuldades de acesso à saúde básica e especializada.
Foram realizados 899 atendimentos médicos em diversas especialidades, incluindo clínica médica, oftalmologia, ortopedia, dermatologia, ginecologia e obstetrícia, neuropediatria, pediatria, odontologia, psicologia, fisioterapia e ultrassonografia.
Além dos atendimentos, a equipe fez 1.392 exames e procedimentos, como testes rápidos, exames oftalmológicos com o Eyer, exames de dextro, bioimpedância, ultrassonografia, coletas de preventivos, cirurgias dermatológicas, biópsias, implantes de DIU, eletrocardiogramas e extrações e restaurações dentárias, dentre outros.
A expedição também garantiu o acesso a medicamentos, óculos de grau e itens de cuidado e conforto. Foram 4.797 medicamentos distribuídos, além de kits de higiene bucal, chaveiros educativos, vestidos infantis, protetor solar e naninhas para acolher as crianças atendidas.
Os dados coletados durante a ação revelam o tamanho da lacuna no acesso à saúde:
Quase 30% dos atendidos nunca haviam passado por um médico especialista;
23,5% jamais haviam recebido solicitações de exames específicos relacionados às suas queixas;
Cerca de metade dos pacientes relataram agravamento das dores ou avanço das doenças devido à ausência de diagnóstico;
Mais de 40% relutam em buscar atendimento médico, muitas vezes por experiências anteriores negativas ou por falta de recursos;
Quase 30% têm algum problema crônico de saúde sem diagnóstico adequado.
Exame feito com o Eyer em expedição da ONG Doutores do Mundo para Baía Formosa (RN), em março de 2025.
Sertão de Minas Gerais
De 25 a 31 de maio, a ONG Doutores do Mundo levou atendimento médico, odontológico e psicológico ao município de Ninheira, no sertão de Minas Gerais, em parceria com a Associação Sementes do Vale.
A expedição atendeu 962 pessoas com um corpo clínico formado por especialistas de diversas áreas: clínica médica, oftalmologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, infectologia, geriatria, ginecologia e obstetrícia, neuropediatria, pediatria, odontologia, psicologia e radiologia.
Para muitos, foi o primeiro atendimento especializado da vida. “Muitos enfrentaram longas jornadas, viajando por duas a três horas, muitas vezes de carona, apenas para ter acesso, pela primeira vez, a um atendimento com um especialista”, relata a médica generalista e coordenadora de logística da ONG Doutores do Mundo, Giovanna Argeoli.
Dentre os pacientes atendidos, estavam casos de hanseníase que nunca haviam sido tratados; filariose americana, associada a um quadro grave de elefantíase verrucosa nostra – quadro raríssimo no Brasil; criança com baixa estatura sem útero e ovários devido à uma síndrome genética; uma paciente com uma tarraxa de brinco dentro do ouvido há pelo menos dois anos e que não havia passado por otoscopia antes; e crianças e adolescentes com dentes quebrados, cariados ou ausentes que não sorriam de vergonha.
Rio de Janeiro
Entre os dias 23 e 28 de junho, a ONG Doutores do Mundo realizou uma nova expedição, desta vez no Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro (RJ), em parceria com a ONG Anjos da Tia Stellinha. A ação levou atendimento médico especializado a 511 pessoas, promovendo cuidado integral em uma região marcada por desigualdades e dificuldades de acesso à saúde.
A equipe contou com profissionais de clínica médica, ortopedia, oftalmologia, psiquiatria, cardiologia, ginecologia, pediatria, psicologia, nutrição e ultrassonografia, atuando de forma multidisciplinar para oferecer diagnósticos, orientações e, sempre que possível, encaminhamentos.
Além dos atendimentos clínicos, foram distribuídos mais de 4 mil insumos e serviços, incluindo medicamentos, óculos, kits de higiene bucal, roupas infantis, protetores solares, naninhas, camisinhas e testes rápidos.
ONG Doutores do Mundo
A ONG Doutores pelo Mundo reúne dezenas de voluntários de diferentes áreas da saúde, promovendo expedições em comunidades em situação de vulnerabilidade social em todo o país.
Se você também deseja contribuir com essa causa com doações ou com trabalho, é possível se inscrever como voluntário diretamente pelo site da ONG, no endereço www.doutoresdomundo.org.
Eyer
O Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.
Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.
A dificuldade para enxergar compromete o aprendizado e a qualidade de vida de crianças e adolescentes. Para enfrentar esse problema, a Liga Acadêmica de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Nove de Julho (Uninove) – campus São Bernardo do Campo criou o projeto “Enxergando o Futuro”, uma iniciativa que busca prevenir a cegueira e promover a saúde ocular de jovens em situação de vulnerabilidade, integrando saúde, educação e comunidade.
A primeira ação do projeto ocorreu em novembro, na Escola Estadual Omar Donato Bassani, em São Bernardo do Campo (SP), com o apoio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), da Phelcom e de outras empresas parceiras.
Na primeira fase, 274 estudantes, com idades entre 11 e 18 anos, passaram por uma triagem inicial que incluiu exames de acuidade visual, teste de Ishihara (para detecção de daltonismo), motilidade ocular, refração, retinografia e reflexo pupilar, dentre outros.
Um dos principais recursos utilizados foi o retinógrafo portátil Eyer, que permite capturar imagens de alta qualidade da retina em poucos minutos, sem a necessidade de dilatação da pupila.
“O Eyer nos ajudou a realizar a triagem de forma mais rápida e eficiente. Com as imagens da retina, já conseguimos avaliar possíveis problemas do fundo do olho e direcionar os alunos que precisavam de uma avaliação oftalmológica mais completa”, explica a oftalmologista, professora do curso de medicina da Uninove e coordenadora da liga, Débora Schneider-Felberg.
Na segunda etapa, um consultório oftalmológico foi montado dentro da própria escola para facilitar o acesso dos estudantes ao atendimento especializado. “Sabíamos que, se marcássemos as consultas em outro local, a chance de o jovem não comparecer seria maior”, ressalta a Dra Débora.
Nesta fase, 100 alunos passaram por exames mais detalhados, incluindo refração, biomicroscopia e retinografia com dilatação pupilar. No total, 46 estudantes receberam óculos gratuitos, com lentes de alta qualidade e armações doadas por empresas parceiras.
Problemas oculares detectados
Exame ocular feito pela Liga Acadêmica de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Nove de Julho (Uninove) durante o projeto “Enxergando o Futuro”.
Além de identificar dificuldades visuais comuns, como erros refrativos, a liga também diagnosticou condições oculares mais complexas durante a triagem.
“O Eyer nos permitiu detectar uma persistência de vítreo primário intensa em uma criança que apresentava baixa significativa de acuidade visual. Além disso, identificamos uma lesão de corioretinite em um aluno que não relatava nenhuma queixa, mas apresentava alterações no fundo de olho”, relataDra. Débora.
Um dos desafios enfrentados durante a análise das imagens foi a avaliação precisa do tamanho da escavação do nervo óptico. No entanto, como os atendidos eram crianças e adolescentes, essa preocupação foi reduzida, pois a progressão dessas alterações ocorre com menor frequência nessa faixa etária.
Próximos passos
Exame ocular feito pela Liga Acadêmica de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Nove de Julho (Uninove) durante o projeto “Enxergando o Futuro”.
Em abril, a Liga de Oftalmologia da Uninove pretende reavaliar os jovens que receberam os óculos, acompanhando os resultados do tratamento.
Para a Dra. Débora, a experiência com o Enxergando o Futuro foi profundamente transformadora. “Esse é o meu primeiro projeto nesse sentido e fiquei muito tocada com o impacto que podemos gerar na vida das pessoas. Sabemos que há inúmeros desafios sociais nessas comunidades, mas ver tanta gente se mobilizando, como alunos, funcionários das escolas e parceiros, foi extremamente motivador.”
A oftalmologista destaca que problemas de visão podem comprometer diretamente o aprendizado e o futuro de um jovem. “Uma criança que não enxerga bem enfrenta dificuldades para aprender e, muitas vezes, perde a motivação. Mas, quando você a ajuda a enxergar, está oferecendo a chance de se tornar um cidadão pleno, ativo e economicamente produtivo, capaz de mudar sua realidade”, reflete.
O papel do Eyer na triagem
A liga está compilando e avaliando os resultados da primeira ação do projeto. “Para o examinador, a midríase facilita o exame. Mas, pelos dados iniciais, percebemos que a diferença entre os exames feitos com e sem dilatação da pupila é mínima”, explica Débora Schneider-Felberg.
A oftalmologista já utilizava o Eyer em seu consultório particular, mas essa foi a primeira vez que o empregou em um atendimento em larga escala. “O Eyer facilitou demais, porque a maioria dos projetos de triagem não realiza uma avaliação da retina nessa etapa inicial. Com ele, conseguimos fazer essa análise já no primeiro contato, antes mesmo dos exames de refração.”
Além do impacto clínico, o projeto também despertou vocações. Um dos alunos da liga já tinha familiaridade com o Eyer, pois seu pai, oftalmologista, utiliza o equipamento em consultório. “Ele já sabia operar o aparelho e, no projeto, assumiu a frente da captação de imagens. Até então, ele não pensava em seguir a oftalmologia, mas, depois dessa experiência, se apaixonou pela área”, conta Dra. Débora.
Eyer
O Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.
Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.
Sete estados representados, 205 acadêmicos de medicina envolvidos, 2.486 pessoas atendidas e mais de 70 pacientes graves diagnosticados e encaminhados para tratamento. Esses são os principais resultados da segunda edição do concurso “De Olhos para o Futuro”, promovido pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (ABLAO) em parceria com a Phelcom Technologies e com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
A iniciativa selecionou 10 projetos acadêmicos voltados para a redução da cegueira causada por doenças do segmento posterior. As ações envolveram exames de fundo de olho, o uso de telemedicina e a aplicação de inteligência artificial para auxiliar na triagem e diagnóstico. Para viabilizar os projetos, a Phelcom disponibilizou 20 unidades do retinógrafo portátil Eyer, com acesso ao recurso EyerMaps e ao sistema em nuvem EyerCloud.
As ligas selecionadas foram:
Liga Acadêmica de Oftalmologia da Faculdade ZARNS (LAOZ) – Itumbiara (GO);
Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade de São Caetano do Sul (LAOUSCS) – São Caetano do Sul (SP);
Liga de Combate a Distúrbios Visuais (LCDV) da Universidade Estadual de Feira de Santana – Feira de Santana (BA);
Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade de Pernambuco (LAOF-UPE) – Recife (PE);
Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAOF) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) – Tubarão (SC);
Liga Acadêmica de Oftalmologia de Curitiba (LIOF) da Universidade Positivo Ecoville – Curitiba (PR);
Liga de Oftalmologia LOFTU da Universidade de Passo Fundo II – Passo Fundo (RS);
Liga Acadêmica de Oftalmologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiás – Goiânia (GO);
Liga de Prevenção à Cegueira da USP, Campus Pinheiros – São Paulo (SP);
Liga Acadêmica LAOF – FMRP/USP – Ribeirão Preto (SP).
A premiação foi realizada em 20 de fevereiro, durante o Simpósio Internacional Moacyr Álvaro (Simasp), em São Paulo. O evento contou com a presença da presidente em exercício da ABLAO, Isabela Negrine, do vice-presidente da ABLAO, Augusto César, do cofundador e COO da Phelcom, Flávio Pascoal Vieira e da coordenadora de marketing da Phelcom e líder do projeto pela empresa, Manoela Campos, além de representantes das ligas participantes.
Negrine abriu o evento destacando os resultados expressivos alcançados pelas ligas participantes. “Muitos projetos focaram em populações de maior vulnerabilidade social, que têm ainda menos acesso à saúde básica. Esses pacientes passaram anos na fila aguardando atendimento e, graças aos acadêmicos, conseguiram acesso ao exame e encaminhamento adequado. Assim, iniciativas como o ‘De Olhos para o Futuro’ não apenas beneficiam diretamente a população e aprimoram o atendimento de saúde da região, como também aceleram diagnósticos que antes dependiam da realização do exame. Além disso, oferecem uma oportunidade única para que as ligas acadêmicas desenvolvam projetos de uma competência admirável”.
Na sequência, Pascoal ressaltou a importância da iniciativa e o papel dos estudantes na ampliação do acesso ao diagnóstico oftalmológico. “A Phelcom nasceu com a missão de democratizar o acesso à saúde ocular e esse concurso representa exatamente isso. Ele cria um canal para que nossos equipamentos cheguem às pessoas que realmente precisam de um diagnóstico ou de um cuidado visual. Mas quem torna tudo isso possível são vocês, acadêmicos de medicina, que utilizam essa ferramenta para levar saúde à população. É inspirador ver como a tecnologia aliada à dedicação de vocês pode transformar tantas vidas”.
Após parabenizar a dedicação de todas as ligas, a presidente da ABLAO revelou os grandes vencedores do 2º De Olhos para o Futuro. Os três primeiros colocados receberam como prêmio um retinógrafo portátil Eyer, acompanhado do sistema EyerMaps, para dar continuidade às suas ações e ampliar o alcance dos seus projetos. Além disso, a liga vencedora ganhou uma inscrição cortesia para o Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que ocorrerá de 27 a 30 de agosto, em Curitiba (PR), onde terá a oportunidade de apresentar seu projeto na sessão da ABLAO.
1º lugar: Olhos de Luz
Parte da equipe da LAOZ durante premiação da segunda edição do concurso “De Olhos para o Futuro”.
A Liga Acadêmica de Oftalmologia da Faculdade ZARNS (LAOZ), de Itumbiara (GO), conquistou o primeiro lugar no concurso com o projeto “Olhos de Luz – Atividade Física e a Influência na Qualidade de Vida e Prevenção de Cegueira em Diabéticos de Comunidade Quilombolas”.
A iniciativa investigou a prevalência de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) e suas implicações na saúde ocular, como retinopatia diabética (RD), catarata e glaucoma. Além disso, o projeto avaliou a influência da atividade física na qualidade de vida e na prevenção da cegueira por RD em pessoas a partir de 45 anos da comunidade quilombola Córrego do Inhambú, abrangendo os municípios de Itumbiara e Cachoeira Dourada, em Goiás.
No total, 408 pacientes foram avaliados por meio de questionários e exames oftalmológicos, incluindo retinografia, escala de Snellen, teste de monofilamento e Teste de Sensibilidade Tátil.
A presidente da LAOZ, Carolina Oliveira de Ávila, conta que um dos momentos mais marcantes do projeto envolveu uma paciente com risco iminente de perder completamente a visão devido à RD. “Graças ao diagnóstico precoce realizado pela liga, conseguimos encaminhá-la rapidamente para tratamento. Esse episódio reforçou o quanto a detecção precoce e o acesso ao tratamento certo podem transformar vidas. Com atenção, cuidado e informação, conseguimos proteger algo tão essencial quanto o olhar”, afirma.
Exame feito com Eyer por ligante da LAOZ durante ação do projeto “Olhos de Luz”.
2º lugar: Rastreamento da Retinopatia Diabética em Tubarão (SC)
Parte da equipe da LAOF durante premiação da segunda edição do concurso “De Olhos para o Futuro”.
Segundo colocado no concurso “De Olhos para o Futuro”, a Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAOF) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) – Tubarão (SC) desenvolveu o projeto “Prevalência e Rastreio da Retinopatia Diabética em Pacientes Diabéticos da Rede Pública de Tubarão (SC): Um Estudo Transversal com Uso de Retinografia”. O objetivo foi analisar a prevalência da retinopatia diabética entre os pacientes atendidos pelo SUS, além de implementar ações educativas e estabelecer um protocolo de acompanhamento contínuo, com foco no controle glicêmico e no monitoramento da doença.
Um dos impactos mais significativos do projeto foi a priorização de pacientes no SUS. “Alguns já estavam na fila de espera para uma consulta com o oftalmologista. Mas, após a identificação de alterações nos exames, passaram a ser classificados como casos urgentes, acelerando o atendimento e o início do tratamento”, explica o presidente da liga, Matheus Oliveira.
“O Eyer permitiu realizar exames de retina de forma muito mais prática e acessível, inclusive em locais onde o uso de equipamentos tradicionais seria inviável, como no presídio e no Abrigo dos Velhinhos. Isso ampliou significativamente nosso alcance e possibilitou um atendimento de qualidade para populações que, normalmente, têm pouco acesso a esse tipo de exame”.
Estudantes avaliam exames feitos com o Eyer no EyerCloud durante projeto do concurso “De Olhos para o Futuro”.
3º lugar: De Olhos para o Futuro
Parte da equipe da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás durante premiação da segunda edição do concurso “De Olhos para o Futuro”.
O projeto “De Olhos para o Futuro”, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC de Goiás, campus Goiânia, conquistou o terceiro lugar e teve como principal objetivo reduzir a incidência de cegueira causada por retinopatia diabética em comunidades carentes de Goiás.
Para viabilizar o projeto, a liga estabeleceu parcerias estratégicas com as secretarias municipais de saúde de Goiânia, Anicuns, Adelândia, Americano do Brasil e Avelinópolis, além da Fundação Banco de Olhos de Goiás. “Conseguimos acessar a lista de pacientes que estavam há muito tempo sem conseguir uma consulta, especialmente aqueles com histórico de diabetes, para realizar a triagem com o Eyer. Viajamos até essas cidades para examiná-los e identificar casos que necessitavam de acompanhamento urgente”, conta a presidente da liga, Isadora Moulin Lima Rezende de Castro.
Um dos momentos mais marcantes para a equipe foi o atendimento a um paciente com retinopatia diabética avançada, que desconhecia a gravidade de seu quadro. “Graças à triagem, conseguimos orientá-lo e encaminhá-lo rapidamente para tratamento, o que pode ter evitado a perda total da visão. Com palavras de gratidão, ele nos disse que nunca havia feito um exame tão detalhado e que, pela primeira vez, sentia que sua saúde ocular estava sendo levada a sério. Esse momento nos tocou profundamente, pois mostrou que não estávamos apenas realizando triagens, mas também oferecendo acolhimento, esperança e a chance de um futuro com visão. Foi um lembrete poderoso do porquê escolhemos a medicina e do impacto real que podemos causar na vida das pessoas”, relata Castro.
Exame feito com Eyer em paciente durante ação da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás.
Ensino da oftalmologia
O concurso “De Olhos para o Futuro” vai além do rastreamento e da prevenção de doenças oftalmológicas: também desempenha um papel fundamental na formação dos futuros médicos. Para muitos acadêmicos, representa uma oportunidade de aprofundar o conhecimento na especialidade, desenvolver habilidades práticas e compreender o impacto da oftalmologia na saúde pública.
Negrine ressalta como a iniciativa complementa a graduação. “O concurso agrega muito na formação dos estudantes de medicina. Poucas faculdades incluem oftalmologia no currículo e, mesmo quando há a disciplina, o ensino costuma ser superficial, com poucas aulas e mínima prática. O projeto surge como uma alternativa para que os alunos interessados na área tenham contato maior com a especialidade e com tecnologia inovadoras, como o Eyer”, observa.
Além da experiência prática, o projeto estimula a pesquisa científica e a produção acadêmica. Os dados obtidos durante as triagens podem ser organizados em estudos e apresentados em congressos, contribuindo para o avanço do conhecimento na área. “Outro aspecto é o impacto social. Como as iniciativas são totalmente voluntárias e atendem populações em situação de vulnerabilidade, os estudantes desenvolvem uma maior noção de cidadania e compromisso com a comunidade”, acrescenta.
Para César, parcerias com empresas como a Phelcom são essenciais para ampliar o impacto da ABLAO, que possui uma forte conexão com alunos de medicina e tem grande capacidade de mobilização para iniciativas de saúde. “Ao disponibilizar equipamentos inovadores e soluções tecnológicas acessíveis, a Phelcom possibilita que estudantes e profissionais levem atendimento oftalmológico a comunidades que, muitas vezes, não teriam acesso a esse tipo de cuidado. Esse modelo de parceria que une ensino, tecnologia e impacto social é um caminho promissor para transformar a realidade da saúde no país”, destaca.
Outro diferencial da iniciativa é estimular os estudantes a assumirem um papel ativo na organização e gestão de projetos voluntários. “Muitas vezes, os acadêmicos de medicina participam apenas da execução das ações, sem contato com a estruturação e o planejamento. Esse envolvimento mais amplo aprimora sua visão sobre o impacto dos projetos e os incentiva a desenvolver novas iniciativas utilizando o Eyer”.
O impacto das ações vai além do período do concurso. “A liga vencedora da primeira edição, por exemplo, conseguiu expandir suas atividades e desenvolver novos projetos a partir dessa experiência. Isso demonstra o potencial transformador do concurso, não apenas na vida dos pacientes atendidos, mas também na formação de futuros médicos comprometidos com inovação e impacto social”, conclui César.
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