3º De Olhos para o Futuro incentiva projetos que ampliam o acesso à saúde ocular

3º De Olhos para o Futuro incentiva projetos que ampliam o acesso à saúde ocular

Ensinar futuros oftalmologistas, ainda durante a graduação, e ampliar o acesso da população ao diagnóstico precoce de doenças oculares. Esse é o propósito do concurso De Olhos para o Futuro, promovido pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (ABLAO) em parceria com a Phelcom Technologies e com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A iniciativa incentiva estudantes de medicina a desenvolverem projetos de extensão que unem formação acadêmica, inovação tecnológica e impacto social.

Em sua terceira edição, a competição mantém o objetivo de estimular a criação de ações educativas e assistenciais voltadas à prevenção da cegueira causada por doenças do segmento posterior do olho. Para isso, os participantes utilizam recursos como retinógrafos portáteis, telemedicina, inteligência artificial e plataformas digitais de gerenciamento de exames, aproximando os estudantes das tecnologias que já fazem parte da prática oftalmológica.

O lançamento oficial da edição de 2026 aconteceu no dia 5 de março, durante a sessão da ABLAO no 46º SIMASP – O Congresso da Oftalmo da Escola Paulista de Medicina. Além de incentivar projetos com impacto na saúde ocular, o concurso também reforça a produção científica, estabelecendo critérios que permitem a geração de dados padronizados, comparáveis e com potencial para publicação em estudos científicos.

A CCO, Diretora de Marketing e Comercial da Phelcom, Amanda Arthur, durante lançamento do 3º De Olhos para o Futuro.

Dez projetos para transformar ideias em impacto social

Nesta edição, o concurso selecionou dez projetos de extensão desenvolvidos por ligas acadêmicas de oftalmologia de diferentes regiões do país. As propostas abordam diferentes desafios relacionados à saúde ocular, como o rastreamento da retinopatia diabética, o atendimento à população idosa, ações em escolas públicas, triagens em unidades básicas de saúde e o diagnóstico precoce de doenças da retina em diferentes contextos assistenciais.

Para apoiar a execução das atividades, a Phelcom disponibilizou 20 unidades do retinógrafo portátil Eyer, além do acesso ao EyerMaps, recurso de inteligência artificial para detecção de alterações retinianas, e ao EyerCloud, plataforma online para gerenciamento de exames.

Os projetos selecionados foram:

  • De Olho no Diabetes: um dia pela sua saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNIVALI – Itajaí (SC);
  • Monitoramento da evolução da retinopatia diabética em pacientes sob novas terapias sistêmicas: uma abordagem de cuidado integral via teleoftalmologia, da Liga Acadêmica de Oftalmologia Mackenzie (LAOM) – Curitiba (PR);
  • Aplicação do retinógrafo portátil no diagnóstico precoce de emergências neurológicas pediátricas em hospital público 100% SUS, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAO) da UniSul – Tubarão (SC);
  • Implementação de modelo de triagem e navegação assistencial em oftalmologia utilizando retinografia portátil baseada em smartphone em lar de idosos no centro de São Paulo, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP);
  • Visão em Rede, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LAOF) – Araranguá (SC);
  • Rastreamento de doenças do segmento posterior com retinógrafo portátil em população idosa no município de Cascavel, da Liga Acadêmica de Oftalmologia LIOFT – Cascavel (PR);
  • Triagem oftalmológica em pacientes com diabetes mellitus na atenção primária: uso de retinografia portátil para diagnóstico precoce de retinopatia diabética em UBS de Ribeirão Preto, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNAERP (LAÇO) – Ribeirão Preto (SP);
  • Mutirão do diabetes e Feira da Saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás – Goiânia (GO);
  • Triagem de retinopatia diabética em unidades básicas de saúde periféricas: avaliação do impacto do retinógrafo portátil e correlação com inteligência artificial na detecçãoprecoce, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAOFT) – Recife (PE);
  • Avaliação da saúde ocular em escola pública: correlação entre déficit visual e retinografia digital mediada por inteligência artificial, da Liga da Visão – Fortaleza (CE).

Diretoria da ABLAO e participantes das ligas acadêmicas.

Da teoria à prática

Antes do início das atividades de campo, representantes das dez ligas acadêmicas participaram, em 2 de julho, de um treinamento online promovido pela Phelcom. Durante a capacitação, os estudantes receberam orientações sobre a utilização do Eyer, EyerMaps e EyerCloud, além de esclarecerem dúvidas sobre a execução das atividades.

A etapa prática começou em 3 de julho e segue até 30 de setembro.

Os três vencedores serão anunciados durante a sessão da ABLAO no COUSP – Congresso de Oftalmologia da USP, que será realizado de 3 a 12 de dezembro, em São Paulo. Como premiação, cada liga vencedora receberá um Eyer2.

Muito além da competição

Para a diretora de Extensão da ABLAO, Mariana Pasqualin, um dos principais diferenciais do De Olhos para o Futuro é que o impacto dos projetos não termina com o encerramento das ações. Segundo ela, uma iniciativa de extensão bem-sucedida deixa um legado, seja por meio de protocolos que possam ser reproduzidos, pesquisas que gerem novos conhecimentos ou ações que continuem sendo desenvolvidas e aprimoradas.

“Por isso, o concurso se destaca como projeto de extensão. Ele não coloca o acadêmico apenas como alguém que aprende, mas como alguém que transforma ideias em ações para atender necessidades da população, iniciar pesquisas e contribuir para o aprimoramento contínuo da oftalmologia”, afirma.

O presidente da ABLAO, Carlos Augusto Ferraresi Sampaio, destaca que as edições anteriores já demonstraram esse potencial. “Os projetos que mais me marcaram foram justamente aqueles que saíram do convencional, incorporaram uma dimensão científica e conseguiram alcançar populações em situação de maior vulnerabilidade. O grande mérito da iniciativa está em reunir impacto social, formação acadêmica, inovação, produção científica e alcance nacional.”

Segundo Sampaio, a parceria também fortalece a atuação da ABLAO ao conectar ligas acadêmicas de diferentes regiões do país e incentivar o protagonismo dos estudantes. “Durante a graduação, muitas vezes ainda não temos dimensão de todas as oportunidades que estão ao nosso alcance. E o De Olhos para o Futuro é uma delas. Além da competição, o projeto permite que os acadêmicos desenvolvam boas ideias, trabalhem em equipe e contribuam concretamente para a saúde ocular no Brasil.”

No Maio Verde, Phelcom leva informação, prevenção e tecnologia no combate ao glaucoma

No Maio Verde, Phelcom leva informação, prevenção e tecnologia no combate ao glaucoma

No Maio Verde, mês dedicado à conscientização, prevenção e combate ao glaucoma, a Phelcom participou de iniciativas voltadas à ampliação do acesso à informação, à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença em Brasília (DF) e Salvador (BA).

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta entre 1% e 2% da população mundial acima dos 40 anos. No Brasil, aproximadamente 350 mil pessoas realizam tratamento anualmente pelo SUS, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Caracterizado pelo dano progressivo ao nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular, o glaucoma costuma evoluir de forma silenciosa e indolor. Neste contexto, consultas oftalmológicas regulares e exames preventivos tornam-se fundamentais para a identificação precoce da doença e o início do tratamento.

24 dias pelo Glaucoma

Exame realizado com o Eyer2 em ação de sensibilização e orientação sobre glaucoma, em Brasília (DF).

Exame realizado com o Eyer2 na ação de sensibilização e orientação sobre glaucoma, em Brasília (DF).

Nos dias 27 e 28 de maio, a Phelcom participou, a convite e em parceria com o CBO, de uma ação de sensibilização e orientação sobre glaucoma realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). A iniciativa integrou a campanha 24 Dias pelo Glaucoma, mobilização nacional organizada pelo CBO e pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) para ampliar a conscientização sobre a doença em todo o país.

Ao longo da campanha, especialistas, profissionais de saúde, instituições e órgãos públicos se unem para compartilhar informações, esclarecer dúvidas e reforçar a importância do cuidado contínuo com a saúde ocular.

Para a Phelcom, participar da iniciativa representou uma oportunidade de fortalecer o propósito de ampliar o acesso à saúde visual por meio da tecnologia e da oferta de exames que contribuem para o diagnóstico precoce e acompanhamento da doença.

“A portabilidade e a facilidade de manuseio do retinógrafo portátil Eyer2 permitiram que mais de 250 pessoas, entre servidores e visitantes da Câmara dos Deputados, tivessem seus olhos examinados e avaliados pelos oftalmologistas presentes, recebendo orientações sobre como dar continuidade aos cuidados necessários para prevenir os danos visuais causados pelo glaucoma”, explica a diretora de Marketing e Comercial da Phelcom, Amanda Arthur.

Médico explica exame realizado com o Eyer2 durante ação em Brasília (DF).

Médica explica exame realizado com o Eyer2 durante ação em Brasília (DF).

Mutirão de Triagem e Orientação sobre o Glaucoma 

Exame realizado com o Eyer2 no Mutirão de Triagem e Orientação sobre o Glaucoma, em Salvador (BA).

No dia 28 de maio, a Phelcom participou do Mutirão de Triagem e Orientação sobre o Glaucoma, na Associação de Ação Social Pracatum, em Salvador (BA), a convite e em parceria com a farmacêutica Ofta Vision Health. Ao todo, cerca de 200 pessoas foram atendidas. A maior parte do público era composta por pessoas negras com mais de 50 anos, perfil que reúne importantes fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma.

Os participantes eram cadastrados no sistema EyerCloud, plataforma online de gerenciamento de exames da Phelcom, e, em seguida, realizavam a retinografia com o Eyer2. Os equipamentos estavam integrados à plataforma da RetinaLyze, parceira da ação, cuja inteligência artificial analisava as imagens e indicava possíveis sinais relacionados ao glaucoma. 

Com essas informações em mãos, os pacientes eram encaminhados para avaliação com oftalmologistas presentes no local. “O processo foi extremamente humanizado. Independentemente do resultado apontado pela IA, todos passaram por consulta médica e receberam orientações adequadas para o seu caso”, explica a especialista em Vendas Corporativas e Governamentais da Phelcom, Bruna Giro.

A praticidade do exame chamou a atenção dos participantes, que demonstraram surpresa ao descobrir que um equipamento portátil era capaz de capturar imagens detalhadas do fundo de olho, muitas vezes sem a necessidade de dilatação da pupila. Após o procedimento, os pacientes quiseram visualizar as imagens e entender melhor a própria saúde ocular.

Além da triagem para glaucoma, a ação também possibilitou a identificação de outras alterações oculares. “Registrei as imagens de uma mulher de aproximadamente 40 anos que apresentava comprometimento importante em uma das retinas. Também foram identificadas pessoas com sinais de retinopatia diabética, mesmo esse não sendo o foco principal do mutirão”, relata Bruna.

Para a analista de Pós-Vendas da Phelcom, Giovana Thomaz, um dos momentos mais marcantes foi levar informação e conhecimento de forma mais próxima e acessível. “Capturei as imagens de um homem que havia sofrido um descolamento de retina após um acidente e tinha a visão comprometida em um dos olhos. Ao mostrar a imagem capturada pelo Eyer2, ele pôde visualizar sua retina e entender melhor o que havia acontecido”, conta.

Ao final da ação, quase 25% dos participantes apresentaram suspeita de glaucoma ou já conviviam com a doença, reforçando a importância de iniciativas voltadas ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento adequado desses pacientes.

Para Bruna, iniciativas como essa mostram o potencial da tecnologia para ampliar o acesso à saúde ocular. “Equipamentos portáteis como o Eyer2 quebram as barreiras do consultório tradicional, permitindo levar medicina de alta precisão diretamente para dentro de comunidades. A tecnologia embarcada no Eyer2 possibilita a realização de exames em pacientes colaborativos ou não colaborativos, entregando sempre imagens com uma qualidade incrível. Em mutirões de saúde com alto volume de atendimento, essa versatilidade é fundamental”, pontua.

Exame realizado com o Eyer2 no mutirão em Salvador (BA).

Exame realizado com o Eyer2 no mutirão em Salvador (BA).

Profissionais dos times Phelcom, Ofta e Retinalyze, que trabalharam em parceria durante o mutirão.

Eyer2

Tecnologias voltadas à documentação e análise da retina podem contribuir para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento do glaucoma. O retinógrafo portátil Eyer2 reúne funcionalidades que auxiliam na precisão, rapidez e monitoramento dos pacientes ao longo do tempo.

Por meio de imagens de alta qualidade do nervo óptico, o equipamento permite visualizar vasos sanguíneos, fibras nervosas e outras estruturas importantes para a avaliação clínica. A retinografia realizada com o Eyer2 possibilita, por exemplo, calcular a relação entre o disco óptico e a escavação — medida que, quando alterada, pode indicar sinais de glaucoma ou predisposição ao desenvolvimento da doença.

O aparelho também permite a composição de estereofotos de papila, oferecendo uma visualização alternativa da região e auxiliando na análise das alterações estruturais associadas ao glaucoma.

Além disso, o Eyer2 pode ser integrado ao EyerMaps, recurso de inteligência artificial que auxilia na identificação de possíveis alterações retinianas em poucos segundos, funcionando como apoio à tomada de decisão clínica e à priorização de casos que exigem maior atenção.

Já com o EyerCloud, é possível armazenar imagens, acessar exames remotamente e acompanhar a evolução dos pacientes ao longo do tempo.

Pesquisa inédita combina genômica e avaliação da retina para prever o risco de AVC 

Pesquisa inédita combina genômica e avaliação da retina para prever o risco de AVC 

Um projeto nacional inédito que investiga as bases genéticas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) está indo além do DNA e encontrando, na retina, um novo caminho para compreender — e antecipar — a doença.

Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do PROADI-SUS, o Projeto Ártemis utiliza a retinografia para identificar possíveis marcadores associados ao risco de AVC.

Os exames de fundo de olho são realizados com o retinógrafo portátil Eyer2, que captura imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho em poucos minutos e sem midríase. Integrado ao EyerCloud, plataforma online de gerenciamento de exames, o equipamento conta também com o EyerMaps, recurso de inteligência artificial que identifica possíveis anomalias na retina em segundos.

“A estratégia une tecnologia, genética e imagem em um esforço inédito de medicina de precisão para ampliar as possibilidades de prevenção e cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta a investigadora principal do projeto, a neurologista Ana Cláudia de Souza.

A neurologista Ana Cláudia de Souza, investigadora principal do Projeto Ártemis.

Pesquisa 

O Projeto Ártemis busca identificar variantes genéticas que influenciam o risco, a evolução clínica e a resposta ao tratamento do AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% dos casos de AVC no país. Segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), 89.490 pessoas morreram em decorrência da doença em 2025, que segue como a principal causa de morte e incapacidade no país.

Até o final de 2026, serão avaliados mil participantes, divididos em dois grupos: metade sofreu AVC isquêmico no último ano e a outra metade não tem histórico da doença, atuando como grupo de controle. Todos têm mais de 18 anos e passam por uma série de avaliações ao longo de um acompanhamento que pode chegar a cinco anos, incluindo exames de retina e sequenciamento completo do genoma.

O estudo também se destaca pela preocupação em refletir a diversidade da população brasileira. A pesquisa é conduzida em 11 centros de referência no atendimento ao AVC, distribuídos pelas cinco regiões do país. “A inclusão de diferentes perfis demográficos amplia a representatividade dos dados e contribui para a construção de soluções mais eficazes e acessíveis no contexto do SUS”, destaca Ana Cláudia.

A iniciativa integra também o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a diversidade genômica nacional, ainda pouco representada em estudos globais. Além da produção científica, o projeto prevê a capacitação de profissionais do SUS em áreas como genética, aconselhamento genético e medicina de precisão.

Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Integração

A inclusão da retinografia no estudo foi definida desde a concepção do projeto. Segundo Ana Cláudia, a decisão se baseou em evidências científicas que apontam para uma relação entre os padrões vasculares da retina e o risco de eventos cardiovasculares e neurológicos, como o AVC.

A partir dessa premissa, a equipe incorporou ao projeto um exame capaz de fornecer informações concretas sobre o organismo de forma rápida e acessível. “Ao associar as imagens da retina ao mapeamento genético dos participantes, esperamos identificar marcadores que indiquem maior ou menor probabilidade de desenvolvimento ou de recorrência do AVC”, explica.

A escolha do Eyer2 também atendeu às demandas de um estudo multicêntrico e com ampla distribuição geográfica. “A praticidade foi um fator decisivo. Hoje, profissionais de saúde treinados conseguem realizar o exame com facilidade”, observa. Essa característica amplia a capacidade operacional dos centros e contribui para a padronização da coleta de imagens.

Entre os diferenciais da tecnologia, estão o acesso às imagens via EyerCloud, que facilita o armazenamento e a análise em tempo real, e o uso do EyerMaps. “Em caso de dúvida, a IA já indica se há alguma alteração, atuando como um primeiro filtro para a avaliação”, afirma.

Além do papel na pesquisa, o equipamento também tem contribuído para a assistência. Segundo a neurologista, o uso da retinografia tem auxiliado na identificação de retinopatia hipertensiva e diabética, muitas vezes ainda não diagnosticadas. Com o apoio de parceiros no laudamento, os pacientes já recebem o resultado durante o acompanhamento, o que agiliza o encaminhamento e reduz o risco de complicações.

“Vejo a aplicação do Eyer2 muito forte na pesquisa, mas também um impacto direto na assistência, ao permitir diagnosticar e encaminhar corretamente os pacientes, evitando perda visual e outras consequências mais graves”, conclui.

Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Futuro

Ao integrar genética, imagem e tecnologia, o Projeto Ártemis reforça uma tendência cada vez mais presente na saúde: o uso de dados para antecipar riscos, orientar decisões e ampliar o cuidado ao paciente.

Ana Cláudia acredita que essa abordagem pode, no futuro, contribuir para a identificação do risco de doenças como AVC, infarto e até Alzheimer, a partir da análise integrada de diferentes marcadores. “Ainda é necessário correlacionar essas informações com outros achados clínicos, mas o potencial é grande. Estamos avançando para um cenário em que será possível predizer riscos com mais precisão, combinando fatores genéticos e exames como a retinografia”, explica.

Para a neurologista, o impacto vai além dos resultados científicos. “Quando falamos em medicina de precisão, estamos falando em entender melhor cada pessoa para cuidar melhor dela. Dessa forma, conseguimos agir antes, proporcionar mais qualidade de vida e, principalmente, ampliar o acesso à saúde”, afirma.

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Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Projeto com IA e telemedicina para detecção da retinopatia diabética vence Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025

Projeto com IA e telemedicina para detecção da retinopatia diabética vence Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025

Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o projeto “Revolução na retina: IA e telemedicina levam diagnóstico rápido a pacientes com diabetes” foi um dos vencedores do Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025, na categoria Tecnologias Diagnósticas — um dos mais importantes reconhecimentos nacionais na área da saúde. Os vencedores foram anunciados em 5 de setembro.

A iniciativa representa um avanço significativo no rastreamento da retinopatia diabética, uma das principais causas de deficiência visual e cegueira no mundo. A doença é uma complicação comum do diabetes, mas pode ser prevenida com diagnóstico e tratamento precoces.

O rastreamento periódico com exames de fundo de olho é essencial para identificar a doença em suas fases iniciais e evitar danos irreversíveis à visão — um grande desafio no Brasil, especialmente na rede pública de saúde.

“Enxergo esse reconhecimento com enorme relevância, por representar uma linha bastante inovadora: a implementação de dispositivos inteligentes e seu impacto positivo em desfechos de saúde”, afirma o oftalmologista e um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, Fernando Korn Malerbi.

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Vencedores do Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025.

Tecnologia nacional e impacto real

O estudo foi conduzido no Centro de Diabetes da Unifesp, em 2024, utilizando o retinógrafo portátil Eyer. O equipamento permite a captura de imagens de alta definição do fundo do olho e integra-se ao EyerCloud, plataforma online para o gerenciamento de exames. O sistema também utiliza o EyerMaps, uma inteligência artificial capaz de identificar possíveis anomalias na retina em poucos segundos.

As informações coletadas eram analisadas por especialistas de forma remota, o que reduzia etapas e acelerava o diagnóstico.

No total, 801 pacientes com diabetes participaram da triagem e quase 15% apresentaram sinais de retinopatia diabética. Malerbi destaca que a adesão às consultas de seguimento beirou 100%, demonstrando alto engajamento e confiança no processo.

O tempo médio entre o exame e o início do tratamento caiu de 20 para 9 dias, representando um avanço decisivo em uma condição considerada tempo-sensível. “Reduzir o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento é fundamental na retinopatia diabética, uma vez que o atraso pode significar perda visual irreversível”, explica.

Segundo ele, o projeto gerou benefícios como maior eficiência no rastreamento, otimização de recursos, alta adesão dos pacientes, redução dos tempos de espera e satisfação da equipe envolvida.

“A solução aplicada é 100% brasileira e a pesquisa foi desenvolvida em um ambiente público, dentro de uma universidade federal. Isso reforça o potencial de inovação científica e tecnológica existente no país, especialmente quando unimos a academia à prática clínica”, ressalta Malerbi.

Desafios e próximos passos

Embora o estudo tenha sido viável em ambiente de pesquisa, Malerbi reconhece os desafios para ampliar a implementação do modelo fora da universidade. “Dentro de um ambiente acadêmico, foi relativamente simples desenhar e executar o projeto. No entanto, acreditamos que uma das maiores dificuldades em larga escala esteja na formação de profissionais capacitados para a obtenção das imagens e elaboração dos laudos, além do desenho de um fluxo clínico eficiente em sistemas de saúde mais complexos”, avalia.

O oftalmologista reforça que os próximos passos são transformar o projeto em rotina assistencial e apoiar sua replicação em outros serviços públicos e privados. “Pretendemos criar condições para que o projeto se torne parte do atendimento regular e também oferecer subsídios para que nossa experiência possa ser aplicada em sistemas de saúde mais abrangentes”, conclui.

Prêmio

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Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica 2025.

O Prêmio Veja Saúde Oncoclínicas de Inovação Médica, com curadoria da VEJA SAÚDE, reconhece projetos, instituições e profissionais que contribuem de forma significativa para o avanço científico, clínico e assistencial na área da saúde.

A iniciativa valoriza trabalhos conduzidos, publicados ou liderados por médicos e cientistas brasileiros, abrangendo estudos clínicos, testes laboratoriais, projetos educativos e assistenciais, campanhas de prevenção e soluções desenvolvidas por healthtechs, dentre outros.

Os projetos finalizados e com resultados consolidados que atendem aos critérios do regulamento são avaliados por um júri de especialistas. Com base nessas análises, são definidos os vencedores em cada categoria: Medicina de Precisão e Genômica, Prevenção e Promoção da Saúde, Tecnologias Diagnósticas, Terapias e Tratamentos Inovadores, Medicina Social, Engajamento e Empoderamento do Paciente e IA na Transformação Digital em Saúde.

ONG Zoé expande atendimento oftalmológico com Eyer2 em expedição histórica na Amazônia

ONG Zoé expande atendimento oftalmológico com Eyer2 em expedição histórica na Amazônia

A ONG Zoé atua levando assistência médica a comunidades indígenas e ribeirinhas que vivem em algumas das regiões mais remotas e desassistidas do país. São os chamados “guardiões da floresta”, moradores da Amazônia que enfrentam grandes desafios de acesso à saúde, como a proporção de apenas 1,39 médico para cada mil habitantes nessas áreas.

Entre os dias 28 de junho e 6 de julho de 2025, a ONG realizou sua maior ação até o momento: a 35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA). Durante os nove dias de missão, uma equipe de 48 voluntários prestou 2.219 atendimentos, incluindo procedimentos, cirurgias, consultas e exames em diversas especialidades.

Ao todo, foram realizadas:

  • 108 cirurgias (gerais, ginecológicas e dermatológicas);
  • 998 consultas em especialidades como oftalmologia, dermatologia, pediatria, otorrinolaringologia, geriatria, fisiatria, fonoaudiologia e ginecologia;
  • 1.063 exames, incluindo exames oftalmológicos, fisiátricos, dermatológicos, ultrassonografias e audiometrias.

“Durante nove dias garantimos o acesso a especialidades inexistentes ou indisponíveis na região, desafogando o sistema de saúde local. Por exemplo, foi o primeiro atendimento de otorrinolaringologia na aldeia”, destaca a coordenadora executiva da ONG Zoé, Andréia Laplana.

Esta também foi a primeira expedição da ONG com o uso do retinógrafo portátil Eyer2. O equipamento permite a captura de imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho, viabilizando exames oftalmológicos precisos mesmo em regiões remotas.

Integrado à inteligência artificial EyerMaps e à plataforma online EyerCloud, o sistema possibilita a triagem rápida de alterações retinianas e o acompanhamento remoto por especialistas, oferecendo um novo patamar de cuidado ocular em expedições como esta.

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35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA), foi a maior ação da ONG Zoé até o momento.

Eyer2 amplia diagnósticos oftalmológicos e agiliza o atendimento em campo

A utilização do Eyer2 durante a expedição trouxe avanços significativos para a triagem, o diagnóstico e o registro de doenças oculares nas comunidades indígenas e ribeirinhas da região. Ao todo, foram 729 exames de visão realizados com precisão e agilidade.

Entre os principais achados clínicos estão casos de glaucoma, toxoplasmose ocular  e degeneração macular relacionada à idade (DMRI). Graças a essa triagem, foi possível distribuir 173 óculos personalizados, devolvendo autonomia, nitidez visual e mais qualidade de vida aos atendidos.

Segundo a coordenadora de oftalmologia da ONG Zoé, Maria Beatriz Lacerda Coelho de Paula, o equipamento se destacou por agregar valor em duas frentes: agilidade no fluxo de trabalho e documentação dos casos.

“A documentação fornecida pelo Eyer2 nos permite planejar futuras ações na mesma região. Além disso, a facilidade de manuseio possibilitou que uma oftalmologista e um técnico treinado realizassem retinografias de alta qualidade. Essa agilidade foi decisiva para atender um número maior de pacientes em um curto período, algo essencial em uma expedição com logística complexa e diversas especialidades envolvidas”, ressalta Maria Beatriz.

A oftalmologista também compartilhou um momento marcante da missão. “Uma acadêmica fez um de seus primeiros diagnósticos, um caso de glaucoma. Perceber que, com os instrumentos certos e um treinamento básico, é possível mudar o curso da vida de um paciente é algo muito significativo”, conta.

“Sou muito grata ao pessoal da Phelcom por nos ter emprestado o Eyer. É muito autêntico o interesse da empresa de que esse produto tenha propósito, que atenda a quem precisa”, afirma.

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Exame feito com o Eyer2 durante ação da ONG Zoé em Belterra (PA).

Experiência e propósito

A ideia de utilizar o Eyer2 na expedição em Belterra (PA) partiu de Maria Beatriz. Seu primeiro contato com o Eyer aconteceu antes mesmo do lançamento oficial, quando o CEO da Phelcom, José Augusto Stuchi, apresentou o protótipo à equipe de oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), em São Paulo, em 2018.

Durante a pandemia de covid, o Eyer passou a fazer parte da sua rotina profissional. “Eu trabalhava na linha de frente do HC e usávamos o aparelho para realizar fundoscopias nos pacientes e documentar os casos para os protocolos clínicos”, relembra.

Além da atuação na ONG Zoé, Maria Beatriz utilizou o equipamento em outras iniciativas sociais, como o projeto Aldeia em Foco. Seu envolvimento com expedições começou ainda na graduação, por meio do projeto Bandeira Científica, da Faculdade de Medicina da USP. “Participei de duas bandeiras: uma como interna do quinto ano e outra já como residente em oftalmologia. Foi nessa época que comecei a me interessar pela especialidade. Antes de escolher oftalmo, eu já tinha escolhido as expedições”, conta.

Ao longo do tempo, o que começou como curiosidade e desejo de conhecer outras realidades, se transformou em missão. “Fazer uma expedição passou a significar ser útil em um lugar onde você é realmente necessário. Não é apenas o aspecto técnico: só o fato de ouvir as pessoas e oferecer acolhimento já faz uma grande diferença”, reflete.

Ela resume a motivação em uma palavra: propósito. “Estar no lugar certo, na hora certa, com pessoas que precisam de você… isso traz muito propósito à vida. E propósito é uma das coisas que nos aproxima da felicidade.”

No primeiro semestre deste ano, Maria Beatriz já participou de três expedições. Até o momento, tem outras duas programadas para o segundo semestre — em outubro e dezembro. “É algo que coloquei como prioridade na minha vida, praticamente desde que comecei a trabalhar”, revela.

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Equipe da ONG Zoé na 35ª expedição, batizada de Junho Cirúrgico, no município de Belterra (PA).

Sobre a ONG Zoé

A ONG Zoé atua desde o final de 2019,  promovendo o acesso à saúde para comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia — populações historicamente negligenciadas no sistema público de saúde brasileiro.

A organização realiza expedições médicas que levam especialistas e infraestrutura básica a regiões de difícil acesso, onde o número de médicos por habitante está entre os mais baixos do país.

Desde sua fundação, a ONG já realizou 35 expedições, somando mais de 15 mil atendimentos com a colaboração de 352 voluntários, que juntos dedicaram mais de 24 mil horas de trabalho às ações em campo.

As expedições envolvem múltiplas especialidades, exames, cirurgias e a distribuição de medicamentos e insumos com o objetivo de garantir cuidado integral e contínuo às comunidades atendidas.

Quem deseja contribuir com essa missão pode fazer parte como voluntário ou doador. Acesse o site da organização e saiba: www.ongzoe.org.

Eyer2

Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.

A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.

Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem. 

Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.

Com Eyer, ONG Doutores do Mundo amplia exames e diagnósticos oftalmológicos

Com Eyer, ONG Doutores do Mundo amplia exames e diagnósticos oftalmológicos

Há nove anos, a ONG Doutores do Mundo percorre o Brasil levando atendimento básico de saúde a comunidades em situação de vulnerabilidade. Formada por profissionais voluntários, a organização atua em regiões remotas oferecendo consultas médicas, odontológicas e psicológicas, além de realizar a entrega de medicamentos, óculos e kits de higiene bucal, dentre outros insumos.

Desde que se formalizou como ONG, em 2022, a Doutores do Mundo já atendeu mais de 80 mil pessoas, muitas delas sem histórico de acompanhamento médico especializado. “Atendemos pessoas que, na maioria das vezes, nunca passaram por um dentista ou foram avaliadas por um especialista”, explica a cardiologista, fundadora e presidente da ONG, Bruna Suda.

O grupo se empenha em levar o maior número possível de especialidades em cada expedição. Embora o foco principal seja em médicos especialistas, as ações também contam com enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde, conforme a estrutura de cada missão.

Desde março de 2025, a ONG conta com um novo aliado nessa missão: o retinógrafo portátil Eyer. O equipamento é acoplado a um smartphone e realiza exames de fundo de olho de forma rápida, prática e com alta qualidade de imagem, sem necessidade de dilatar a pupila.

Integrado à plataforma em nuvem EyerCloud e à inteligência artificial EyerMaps, permite a triagem e o diagnóstico de alterações retinianas, mesmo em locais sem especialistas disponíveis, graças à possibilidade de laudo remoto.

Até o momento, dois Eyers foram utilizados em três expedições: Baía Formosa (RN), Sertão de Minas Gerais e no Rio de Janeiro (RJ), realizadas entre março e junho. Nessas ações, 424 pessoas foram atendidas na especialidade de oftalmologia, com diagnósticos que incluíram glaucoma, retinopatia diabética, cicatriz de toxoplasmose e alta miopia.

“Com essa parceria com a Phelcom, poderemos realizar exames mais precisos e detectar problemas oculares precocemente, melhorando a saúde e a qualidade de vida das pessoas que atendemos”, afirma Bruna.

Impacto do Eyer nas expedições

A coordenadora da Oftalmologia da ONG Doutores do Mundo, Ana Beatriz Cabral, ressalta que o uso do Eyer representou um avanço significativo para a ONG. Antes, a equipe conseguia oferecer apenas exames clínicos de refração e a entrega de óculos. A realização de exames mais aprofundados, como o de fundo de olho, era inviável devido à falta de estrutura adequada em campo.

Com o Eyer, isso mudou. Agora, além de realizar exames com alta qualidade de imagem, os profissionais conseguem documentar os achados, acompanhar casos com maior precisão e, quando necessário, encaminhar os pacientes para tratamento especializado.

Ana Beatriz destaca que o equipamento tem sido essencial em diagnósticos mais complexos. “Em um dos casos mais marcantes, um paciente com glaucoma avançado pôde iniciar o tratamento com base na documentação feita com o Eyer. Em outra situação, o exame permitiu identificar sinais de retinopatia diabética, possibilitando uma intervenção precoce e adequada.”

Já a presidente da ONG, Bruna Suda, conta que o aparelho também facilita a relação com o paciente e melhora a experiência de atendimento. “Eles se interessam muito em ver as imagens dos próprios olhos. Isso gera curiosidade, aproxima e ajuda na adesão ao tratamento. Muitos se emocionam ao verem, pela primeira vez, um exame oftalmológico sendo feito de forma tão rápida e prática.”

Outro ponto de destaque foi a facilidade de uso. Além da oftalmologista, mais duas voluntárias utilizaram o Eyer nas expedições: uma médica de outra especialidade e uma estudante de medicina. Ambas conseguiram operar o dispositivo sem dificuldades, o que demonstra sua usabilidade mesmo em contextos fora da rotina clínica tradicional.

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Médica mostra para paciente as imagens do fundo do olho feitas com o Eyer.

Expedições

Baía Formosa

Entre os dias 22 e 29 de março, a ONG Doutores do Mundo realizou uma expedição à cidade de Baía Formosa (RN), em parceria com o Instituto Ítalo Ferreira. A ação atendeu 7.129 pessoas, com foco em comunidades que enfrentam dificuldades de acesso à saúde básica e especializada.

Foram realizados 899 atendimentos médicos em diversas especialidades, incluindo clínica médica, oftalmologia, ortopedia, dermatologia, ginecologia e obstetrícia, neuropediatria, pediatria, odontologia, psicologia, fisioterapia e ultrassonografia.

Além dos atendimentos, a equipe fez 1.392 exames e procedimentos, como testes rápidos, exames oftalmológicos com o Eyer, exames de dextro, bioimpedância, ultrassonografia, coletas de preventivos, cirurgias dermatológicas, biópsias, implantes de DIU, eletrocardiogramas e extrações e restaurações dentárias, dentre outros.

A expedição também garantiu o acesso a medicamentos, óculos de grau e itens de cuidado e conforto. Foram 4.797 medicamentos distribuídos, além de kits de higiene bucal, chaveiros educativos, vestidos infantis, protetor solar e naninhas para acolher as crianças atendidas.

Os dados coletados durante a ação revelam o tamanho da lacuna no acesso à saúde:

  • Quase 30% dos atendidos nunca haviam passado por um médico especialista;
  • 23,5% jamais haviam recebido solicitações de exames específicos relacionados às suas queixas;
  • Cerca de metade dos pacientes relataram agravamento das dores ou avanço das doenças devido à ausência de diagnóstico;
  • Mais de 40% relutam em buscar atendimento médico, muitas vezes por experiências anteriores negativas ou por falta de recursos;
  • Quase 30% têm algum problema crônico de saúde sem diagnóstico adequado.

Exame feito com o Eyer em expedição para Baía Formosa, da Ong Doutores do Mundo.

Exame feito com o Eyer em expedição da ONG Doutores do Mundo para Baía Formosa (RN), em março de 2025.

Sertão de Minas Gerais

De 25 a 31 de maio, a ONG Doutores do Mundo levou atendimento médico, odontológico e psicológico ao município de Ninheira, no sertão de Minas Gerais, em parceria com a Associação Sementes do Vale.

A expedição atendeu 962 pessoas com um corpo clínico formado por especialistas de diversas áreas: clínica médica, oftalmologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, infectologia, geriatria, ginecologia e obstetrícia, neuropediatria, pediatria, odontologia, psicologia e radiologia.

Para muitos, foi o primeiro atendimento especializado da vida. “Muitos enfrentaram longas jornadas, viajando por duas a três horas, muitas vezes de carona, apenas para ter acesso, pela primeira vez, a um atendimento com um especialista”, relata a médica generalista e coordenadora de logística da ONG Doutores do Mundo, Giovanna Argeoli.

Dentre os pacientes atendidos, estavam casos de hanseníase que nunca haviam sido tratados; filariose americana, associada a um quadro grave de elefantíase verrucosa nostra – quadro raríssimo no Brasil; criança com baixa estatura sem útero e ovários devido à uma síndrome genética; uma paciente com uma tarraxa de brinco dentro do ouvido há pelo menos dois anos e que não havia passado por otoscopia antes; e crianças e adolescentes com dentes quebrados, cariados ou ausentes que não sorriam de vergonha.

Rio de Janeiro

Entre os dias 23 e 28 de junho, a ONG Doutores do Mundo realizou uma nova expedição, desta vez no Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro (RJ), em parceria com a ONG Anjos da Tia Stellinha. A ação levou atendimento médico especializado a 511 pessoas, promovendo cuidado integral em uma região marcada por desigualdades e dificuldades de acesso à saúde.

A equipe contou com profissionais de clínica médica, ortopedia, oftalmologia, psiquiatria, cardiologia, ginecologia, pediatria, psicologia, nutrição e ultrassonografia, atuando de forma multidisciplinar para oferecer diagnósticos, orientações e, sempre que possível, encaminhamentos.

Além dos atendimentos clínicos, foram distribuídos mais de 4 mil insumos e serviços, incluindo medicamentos, óculos, kits de higiene bucal, roupas infantis, protetores solares, naninhas, camisinhas e testes rápidos.

ONG Doutores do Mundo

A ONG Doutores pelo Mundo reúne dezenas de voluntários de diferentes áreas da saúde, promovendo expedições em comunidades em situação de vulnerabilidade social em todo o país.

Se você também deseja contribuir com essa causa com doações ou com trabalho, é possível se inscrever como voluntário diretamente pelo site da ONG, no endereço www.doutoresdomundo.org.

Eyer

Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.

A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.

Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem. 

Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.

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