Já pensou que possuir um retinógrafo em seu consultório pode ser uma verdadeira vantagem?
Afinal, ter acesso mais rápido às fotografias do fundo do olho de seus pacientes pode auxiliar no diagnóstico precoce, início do tratamento e no monitoramento de várias doenças. Dentre elas, glaucoma, retinopatia diabética e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).
Porém, o equipamento tem preço elevado. No mercado, há modelos de até R$ 100 mil. Somado aos outros aparelhos necessários para o seu negócio, o investimento pode pesar no bolso. Ainda mais para os profissionais em início de carreira.
Diante deste cenário, surgiu uma nova alternativa no mercado: o retinógrafo portátil. Acoplado a um smartphone, a tecnologia captura imagens em alta qualidade do fundo do olho e as envia para uma plataforma on-line. Nela, é possível laudar o exame e arquivar o histórico do paciente, dentre outras funcionalidades.
Outra vantagem é o preço: o equipamento é até 4 vezes mais barato que o retinógrafo convencional.
A tecnologia é nacional, desenvolvida pela startup Phelcom Technologies, com sede no interior de São Paulo.
Em seguida, saiba mais sobre o retinógrafo portátil Phelcom Eyer, as vantagens, como funciona a plataforma Eyer Cloud e como o aparelho vem sendo utilizado em projetos de pesquisa e ações sociais.
Retinógrafo portátil – Phelcom Eyer
Retinógrafo Portátil Eyer da Phelcom Technologies
Lançado em 2019, o Phelcom Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone com câmera de alta resolução. O aparelho captura a imagem do fundo do olho em alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
Em seguida, os dados são enviados automaticamente para a plataforma on-line Eyer Cloud. Nela, é possível laudar o exame e manter o histórico do paciente com total segurança de dados.
Em seguida, confira todas as funcionalidades do Eyer:
Alta qualidade
A tecnologia patenteada pela Phelcom permite que exames de alta qualidade sejam realizados em um equipamento portátil integrado ao smartphone.
Telemedicina
Os exames gerados são automaticamente sincronizados com a internet e disponibilizados na nuvem, habilitando o diagnóstico remoto.
Inteligência artificial embarcada
O Eyer possui funções inteligentes para auxílio ao diagnóstico médico e a captura dos exames de retina.
Conectividade
O aparelho é naturalmente conectado por ser integrado ao smartphone. Dessa forma, facilita o compartilhamento e acesso de dados dos exames na nuvem, no sistema Eyer Cloud.
Não midriático
Com o Eyer, é possível realizar exames de retina em qualquer local sem a necessidade de usar colírios para a dilatação da pupila. Assim, gera mais conforto ao paciente e rapidez no exame.
Autofoco
Com a função Autofoco, é possível compensar os erros refrativos do paciente no intervalo de -20D até +20D. Isso permite exames de retina com alto nível de detalhes.
Acessível
O Eyer permite a democratização do acesso à tecnologia de exames de retina através de modelos de negócio inovadores e mais acessíveis.
Fácil operação
Qualquer profissional de saúde minimamente treinado pode usar o equipamento para realizar exames de retina de alta qualidade em menos de 1 minuto. Isto é, garante diagnósticos mais rápidos e precisos.
Panorâmicas
O Eyer gera exames panorâmicos com campo visual de mais de 100 graus. Isso porque o aparelho possui pontos de fixação interna que auxiliam na captura e geração das panorâmicas.
Portabilidade
Por ser portátil, é possível realizar exames em qualquer lugar e ter o diagnóstico emitido remotamente. Portanto, essa característica auxilia na democratização da saúde uma vez que 85% das cidades brasileiras não tem acesso a especialistas e aparelhos que façam o diagnóstico de doenças nos olhos.
Baixo custo
A portabilidade e o tamanho reduzido permitem que o Eyer apresente um custo muito mais baixo em relação aos retinógrafos tradicionais. Isso mesmo com tecnologias de ponta aplicadas na produção do aparelho.
Recentemente, a Phelcom também lançou um suporte para lâmpada de fenda. O acessório permite a fixação do Eyer. Desse modo, refaz a experiência de retinógrafos de mesa ao facilitar a captura da imagem sem movimento.
Além disso, auxilia para a manutenção do distanciamento social nos atendimentos, já que o profissional não precisa encostar na testa do paciente como ocorre no exame tradicional.
Retinógrafo portátil – vantagens
O Eyer oferece tecnologia de ponta embarcada, o que faz do aparelho um dos mais modernos em retinografia portátil para prevenção e diagnóstico de doenças relacionadas à visão.
Em seguida, veja todas as vantagens do equipamento:
Exame de vista pelo celular com alta qualidade;
Diagnósticos precisos e rápidos;
Custo mais baixo em relação aos retinógrafos tradicionais;
Possibilidade de realizar exames em vários locais devido à portabilidade;
Democratização dos exames de retina, principalmente em locais com pouca infraestrutura de serviços de qualidade na área, como médicos, profissionais de saúde, equipamentos, medicamentos etc;
Maior rapidez no atendimento, por meio de sistemas informatizados integrados a uma plataforma on-line com acesso via computadores, celulares e tablets;
Facilidade na realização de exames, que podem ser feitos em clínicas e postos de saúde;
Diagnóstico feito por especialistas e profissionais de referência, localizados em qualquer lugar do mundo;
Redução do tempo de atendimento e de custos operacionais;
Diminuição do deslocamento de pacientes a hospitais e grandes centros urbanos;
Melhora na qualidade dos laudos emitidos;
Aumento na prevenção e diagnóstico precoce de doenças como retinopatia diabética, glaucoma, catarata, degeneração macular, retinoblastoma, deslocamento da retina, retinopatia da prematuridade e cegueira, dentre outros.
Retinógrafo portátil – Eyer Cloud
Visualização e compartilhamento de exames diretamente da tela do Retinógrafo Portátil Eyer da Phelcom Technologies.
O Eyer Cloud é uma plataforma on-line integrada ao retinógrafo portátil Phelcom Eyer que permite armazenar e gerenciar os exames dos pacientes. Todos os dados capturados pelo equipamento são sincronizados automaticamente com o sistema, possibilitando que subam para a nuvem com total segurança.
Dessa forma, qualquer profissional da área de saúde – sem ser necessariamente o especialista – pode realizar o exame em campo após breve treinamento. Com as informações disponíveis na web, o diagnóstico pode ser feito por um médico localizado em qualquer lugar do mundo.
Além de garantir o backup dos dados em um servidor seguro, o usuário tem todos os dados organizados em uma interface amigável, funcional e intuitiva. Além disso, a plataforma pode ser acessada no próprio aparelho ou por celular, tablet e computador.
Se não houver acesso à internet no momento do exame, as imagens ficam salvas no aparelho e são enviadas para a nuvem assim que houver conexão.
Retinógrafo portátil – ações sociais
Atualmente, há diversas ações sociais que utilizam o aparelho para levar mais saúde para todo o país.
É o caso do projeto Unidos Pelo Diabetes em Ação, em Itabuna (BA). O evento deu lugar ao Mutirão Unidos pelo Diabetes, que precisou ser cancelado devido à pandemia. Ao todo, 400 pacientes participaram da primeira fase. Desses, 100 apresentaram retinopatia diabética mais grave ou edema macular.
Mutirão de Itabuna/BA
O projeto recorreu a tecnologias avançadas para garantir a triagem sem aglomerações. E o Eyer foi o principal instrumento de triagem. “A Phelcom foi fundamental para o sucesso do projeto, pois disponibilizou os aparelhos, forneceu treinamento prévio, ajudou na estratégia de montagem de laudos usando seu programa Eyer Cloud e colocou à disposição a sua equipe de engenheiros para suporte durante a ação”, conta Andrade. “Além disso, de maneira inovadora no Brasil, criou um algoritmo de inteligência artificial para ajudar na separação dos pacientes que provavelmente seriam graves e os sem alterações, facilitando na logística de poder laudar à distância”, complementa.
Exame sendo realizando com o Retinógrafo Portátil Eyer da Phelcom Technologies.
“É fácil realizar os exames, tirar as fotos, encontrá-las nos arquivos e armazenar depois. Podemos também enviar ou imprimir as imagens, o que considero muito interessante, além de conseguirmos acessar de qualquer lugar com internet”, analisa.
O oftalmologista Fernando Korn Malerbi também usou o Eyer em uma expedição para três reservas indígenas do Estado do Mato Grosso, no início desse ano. Ao todo, o médico avaliou 193 índios. Dentre as principais doenças encontradas, estão retinopatia diabética e catarata.
“A experiência com o equipamento foi muito boa, principalmente pela portabilidade e facilidade de uso”, avalia. Ele relembra que já esteve envolvido em outros projetos com o retinógrafo para diagnóstico de retinopatia diabética. “Acredito que o Eyer seja muito relevante para esse tipo de ação, representando uma alternativa importante para rastreamento de populações que vivem em áreas remotas”, conclui.
Quer saber mais como a tecnologia auxilia nos exames dos olhos? Então, acompanhe o blog da Phelcom.
Imagine regenerar o nervo óptico danificado com terapia genética? E, assim, conseguir recuperar pacientes com glaucoma?
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge (Reino Unido) alcançou resultados promissores neste sentido. Por meio de terapia genética, os cientistas reabilitaram as fibras nervosas danificadas dos olhos. O estudo foi publicado recentemente na revista Nature Communications.
Em seguida, veja como foi realizada a pesquisa, os resultados e como pode ser importante, futuramente, no tratamento do glaucoma.
Porém, vale ressaltar que os resultados ainda são iniciais e são necessários ainda mais testes para determinar uma terapia eficaz para humanos.
A pesquisa
Os pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) empregaram uma técnica de terapia genética para estimular o crescimento do número e da atividade da proteína protrudina no olho e no nervo óptico in vitro.
Primeiro, os cientistas cultivaram as células em laboratório. Depois, provocaram lesões nas células nervosas (axônios) com laser. Por fim, introduziram o gene e acompanharam as alterações com um microscópio.
O estudo foi realizado em ratos.
Resultados
Os cientistas notaram que, quanto mais aumentava a quantidade da proteína protrudina nessas células, maior era a regeneração dos neurônios da retina. Além de melhorar o crescimento, a protrudina também diminuiu a chance de morte das células nervosas.
A investigação demonstrou uma “proteção” quase completa das células nervosas crescendo numa cultura de células de uma das cobaias.
Desse modo, essa proteína pode ajuda a curar ou ao menos reduzir lesões no nervo óptico. E, assim, auxiliar na proteção contra o glaucoma no futuro.
Vale ressaltar que ainda são necessárias mais pesquisas para que seja possível desenvolver tratamentos eficazes para humanos.
Conclusão
De fato, os resultados do estudo com terapia genética são promissores. Ainda mais quando lembramos que, no passado, parecia impossível descobrir uma forma de regenerar o nervo ótico lesionado.
Realmente, essa pesquisa dá esperanças. Entretanto, muitos testes ainda precisam ser feitos em ratos, primatas e em humanos antes de definir um tratamento eficaz. E isso levará alguns anos para chegar às mãos da população.
Mesmo assim, o estudo continua sendo um grande avanço no combate ao glaucoma e outras doenças que afetam os neurônios, como o Alzheimer.
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De fato, ainda não sabemos quais são as consequências do novo coronavírus no organismo a médio e longo prazo. Mais do que isso, se são temporárias ou permanentes.
Diversos relatos e pesquisas têm identificado sequelas na saúde de pacientes curados. Dentre elas, dor de cabeça frequente, fadiga, sonolência, problemas de memória, perda de olfato e de paladar e, nos casos mais graves, alterações nos rins, cérebros, pulmões e coração.
Agora, uma paciente apresentou ataque agudo de glaucoma após Covid-19, dois meses depois da recuperação. Um estudo, publicado recentemente na revista Jama Ophthalmology, encontrou o antígeno da proteína N (nucleocapsídeo) do SARS-CoV-2 nos tecidos oculares da portadora. A proteína regula o sistema de replicação do vírus.
Apesar de ser apenas um caso até o momento, o relato é importante para alertar e incentivar a investigação das possíveis sequelas do coronavírus também nos olhos.
Portanto, conheça a seguir mais sobre a pesquisa, como foi realizada e quais são os resultados.
O estudo
Cientistas de Wuhan, na China, detectaram uma proteína reguladora do novo coronavírus nos olhos de uma paciente curada da Covid-19. O relato do caso foi divulgado na revista Jama Ophthalmology.
A mulher, de 64 anos, testou positivo para a doença e passou 18 dias internada. Porém, não apresentou sintomas graves. Entretanto, oito dias após a recuperação, a paciente sofreu perca de visão nos dois olhos e dores agudas no local.
Exames demonstraram um aumento considerável e perigoso na pressão do humor aquoso, que chegou a 50 mmHg – o ideal é até 22 mmHg. O diagnóstico foi de glaucoma agudo de ângulo fechado.
A paciente passou por duas cirurgias, já que o tratamento com remédios não surtiu efeito. Na ocasião, os médicos retiraram amostras do tecido conjuntivo para análise.
Os resultados
No material, os pesquisadores localizaram o antígeno da proteína N (nucleocapsídeo) dentro das células da conjuntiva, malha trabecular e íris, mesmo após dois meses da recuperação. Essa proteína é responsável pelo processo de replicação do vírus.
Em seguida, comparou-se os resultados a um paciente controle, sem infecção pelo coronavírus, que foi submetido às cirurgias iguais e no mesmo período. Contudo, o homem não apresentou a proteína. Desse modo, o estudo sugere uma possível capacidade do vírus em infectar outros órgãos além do sistema respiratório. Inclusive, os olhos.
Todavia, é fundamental destacar que o caso dessa paciente é raro. Por outro lado, demonstra a necessidade de mais investigações sobre como o novo coronavírus afeta os olhos.
Conclusão
Sem dúvida, o relato de glaucoma após Covid-19 é importantíssimo para buscar respostas em um cenário em que ainda não está claro quais são as sequelas da doença.
Por isso, o estudo investigou se os antígenos virais que permaneceram nos olhos, mesmo após dois meses, podem provocar danificações à estrutura ocular. Além disso, se também apontam para resquícios ativos do vírus em outros órgãos e se são infecciosos.
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Sem dúvida, o diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, é um verdadeiro desafio para os especialistas. Por isso, identificar biomarcadores que levem a detecção dessas disfunções logo no início é o foco principal de pesquisas nessa área.
Recentemente, um novo estudo descobriu que o neurofilamento (NfL) de cadeia leve, um biomarcador promissor de neurodegeneração no líquido cefalorraquidiano e no sangue, também é detectável no olho. O trabalho, realizado por cientistas dos Estados Unidos, foi publicado no periódico Alzheimer’s Research & Therapy.
Em seguida, saiba como foi realizada a pesquisa, os resultados e como pode servir de base para uma investigação aprofundada de NfL como biomarcador nos olhos de doenças neurodegenerativas.
A pesquisa
O objetivo da pesquisa foi investigar a presença de neurofilamento (NfL) no humor vítreo e suas associações com beta amilóide, tau, citocinas inflamatórias e proteínas vasculares, genótipos de apolipoproteína E ( APOE ), escores de Mini-Exame do Estado Mental (MMSE), doença sistêmica e doenças oftálmicas.
Os participantes do estudo foram selecionados com base em alguns critérios como idade a partir de 18 anos e com programação para vitrectomia via pars plana em pelo menos um olho devido a uma condição clínica ocular.
Os pesquisadores retiraram amostras de fluido ocular de 77 pacientes que passaram por cirurgia nos olhos. Ao todo, 63% eram do sexo masculino e tinham 56 anos em média.
Resultados
O estudo demonstrou que o NfL está positivamente associado aos níveis de Aβ 40, Aβ 42 e t-tau e outras citocinas inflamatórias selecionadas. Além disso, identificou que os níveis de NfL não foram significativamente associados a doenças oculares. Ou seja, aparentemente não são influenciados pelas condições clínicas dos olhos dos pacientes.
Os níveis de NfL também não foram associados aos genótipos de APOE e não foram encontrados uma relação significativa com doenças sistêmicas, como diabetes.
A pesquisa é a primeira a alcançar esses resultados. Entretanto, vale ressaltar que não mostra evidências confiáveis de que os níveis de NfL vítreo definitivamente representam neurodegeneração.
Portanto, mais estudos são necessários para validar o NfL no fluido do olho para outros biomarcadores estabelecidos de neurodegeneração.
A ligação entre olhos e cérebro
De fato, o olho é uma janela para o cérebro. Doenças oculares como catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética foram associadas ao Alzheimer em estudos epidemiológicos, indicando que ambas possivelmente compartilham fatores de risco comuns e mecanismos patológicos em nível molecular.
Essas interconexões sugerem que a elucidação das características comuns dos processos neurodegenerativos pode levar a uma melhor compreensão das doenças neurológicas e oculares.
Como o diagnóstico precoce ainda é um desafio, é essencial contar com biomarcadores confiáveis para a identificação da doença, avaliação prognóstica e resposta mensurável ao tratamento.
Neste cenário, os resultados dessa pesquisa servem como base para uma investigação mais aprofundada de NfL nos fluidos oculares para informar sobre a utilidade potencial de sua presença no olho.
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De acordo com diversos estudos, a Covid-19 também atinge os olhos. Primeiro, o relato de um médico chinês testado positivo levantou a possibilidade de o vírus ser contraído pelos olhos, além de mucosas da boca e nariz.
Ao mesmo tempo, alguns pacientes manifestaram conjuntivite como um dos sintomas. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1% dos infectados apresenta esse quadro.
Agora, um estudo publicado na revista Java Ophthalmology sugere que as crianças podem apresentar sintomas de Covid-19 relacionados aos olhos com mais frequência do que os adultos. Ao todo, 22,7% dos pacientes avaliados apresentaram conjuntivite. Um número muito superior ao detectado em adultos, que apresentam taxa de 1% a 3%.
Portanto, entenda neste artigo como foi realizada a pesquisa e os resultados. De fato, há algumas limitações. Porém, esses dados podem ajudar a orientar a prevenção e o manejo de distúrbios oculares em crianças com Covid-19.
A pesquisa
Cientistas de Wuhan, da China, investigaram as manifestações oculares e características clínicas de crianças com Covid-19. Ao todo, os pesquisadores examinaram 216 pacientes de um hospital infantil, com idades entre 2 e 11 anos, confirmados por RT-PCR entre janeiro e março deste ano.
Ao todo, 49 crianças (22,7%) apresentaram diversas manifestações oculares. Em seguida, conheça quais são:
Descarga conjuntival – 55,1%, incluindo 18,4% com secreção mucoide branca, 14,3% com aguado fino e 22,4% com secreção purulenta;
Pruido ocular – 38,8%;
Congestão conjuntival – 10,2%;
Dor ocular – 8,2%;
Edema palpebral – 8,2%;;
Lacrimejamento – 4,1%;
Vale ressaltar que alguns pacientes sofreram com mais de um dos sintomas relatados acima.
Além disso, os sintomas gerais foram:
Febre – 37.5%;
Tosse – 36,6%;
Diarreia – 5,1%;
Fadiga – 4,6%;
Descarga nasal – 3,2%;
Congestão Conjuntival – 1,9%.
Atenção: dois pacientes já sofriam com conjuntivite alérgica antes da contaminação.
O estudo identificou que crianças com sintomas sistêmicos ou tosse eram mais propensas a desenvolver sintomas oculares leves.
Felizmente, todas as crianças recuperaram-se sem maiores complicações. Ao todo, 26 pacientes foram submetidos a tratamentos com colírios antibióticos, antivirais e antialérgicos. Já 23 apenas ficaram em observação, sem tratamento.
Do total de pacientes com sintomas oculares, 8 mantiveram o prurido ocular por período maior. O restante recuperou-se completamente. A duração dos sintomas oculares foi de 3 a 10 dias, apresentando uma média de 7.
Desse modo, a sugestão dos pesquisadores é que o maior contato mão-olho possa ser o motivo da maior incidência de manifestações oculares em crianças.
As limitações
Apesar da importância da pesquisa, é válido ressaltarmos algumas limitações enfrentadas. Dentre elas, a falta da evidência do patógeno do problema ocular. Isso porque os pesquisadores não receberam permissão para realizar swab conjuntival nos pacientes.
Outro ponto é que a descrição dos sintomas pode não ser real, pois crianças muito pequenas tem dificuldade de descrever o desconforto sofrido.
Conclusão
Apesar de apresentar algumas limitações, os dados da pesquisa podem ajudar a orientar a prevenção e o manejo de distúrbios oculares em crianças com Covid-19. Ainda mais nesse cenário em que não sabemos muito bem quais são todos os sintomas e as possíveis sequelas pós-recuperação.
De fato, ainda não existe tratamento específico para desordens oculares associadas a Covid-19. Entretanto, como mostra a pesquisa, a maior parte se recupera rapidamente, sem tratamento e sem complicações.
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A Anvisa aprovou o primeiro produto de terapia gênica no Brasil, voltado para tratamento de Distrofia Hereditária da Retina (DHR), como a amaurose congênita de Leber e a retinose pigmentar. Até então, não havia alternativa terapêutica para o problema.
O voretigene neparvoveque (nome comercial: Luxturna®) é um tipo especial de medicamento de terapia avançada. A enzima produzida por ele melhora o funcionamento das células da retina, diminuindo assim o progresso da doença.
Em seguida, conheça mais sobre essa terapia gênica, como atua no organismo e os resultados para o paciente.
Terapia gênica
Resumidamente, a terapia gênica baseia-se na inserção de material genético exógeno em células de um indivíduo com finalidade terapêutica. Dessa forma, a transferência é feita com o intuito de recuperar a função de um gene, dar uma nova função gênica ou intensificar a atividade dos genes ativos.
De maneira objetiva, a terapia gênica conserta genes defeituosos com a inserção de genes saudáveis nos pacientes com diferentes doenças.
Distrofia hereditária da retina
Já a Distrofia Hereditária da Retina (DHR) é uma doença rara provocada pela mutação do gene humano RPE65. Dentre os problemas causados, estão amaurose congênita de Leber, retinose pigmentar, síndrome de Usher e doença de Stargardt.
A mutação desse gene provoca a ruptura gradual das células que formam a retina, localizadas na parte de trás do olho. Desse modo, causa perda gradual da visão até culminar com a cegueira.
Dentre os sintomas, estão a dificuldade ou ausência de adaptação ao escuro, perda de campo visual periférico, visão de cores anormal, fotofobia e perda da acuidade visual até evoluir para cegueira total.
Como funciona o medicamento
Elaborado por engenharia genética, o produto é composto por um vírus em que foi inserido cópia do gene humano RPE65, responsável pela produção de uma enzima necessária para o funcionamento normal da retina.
Essa enzima permite um melhor desempenho das células da retina, diminuindo assim o progresso da doença. Na fase de estudos, mostrou ganho de visão funcional e de autonomia em adultos e crianças.
Vale ressaltar que o vírus utilizado na fabricação deste medicamento não causa doença em humanos.
O tratamento pode ser feito em crianças acima de 12 meses e em adultos com perda de visão devido à distrofia hereditária da retina. O remédio é produzido pela Novartis Biociências S.A.
Até o momento, não havia alternativa terapêutica para o distúrbio.
Outra observação importante é que o produto é de uso hospitalar e deve ser utilizado sob supervisão médica especializada, administrado via injeção sub-retiniana.
O médico também deve adotar precauções, como a obrigatoriedade de o paciente passar por testes capazes de comprovar que sua perda de visão foi provocada por mutações no gene RPE65, sobre o qual a substância ativa do Luxturna atua.
Além disso, usar outros critérios laboratoriais e clínicos para avaliação. Por exemplo, é necessária uma quantidade de células da retina ainda funcionando normalmente para o sucesso do tratamento. Se não, os resultados podem ser baixos.
Conclusão
A terapia gênica, de modo geral, tem um potencial enorme para tratar doenças provocadas por um único gene imperfeito. Isso porque, ao corrigir a parte do código genético defeituoso, soluciona ou melhora bastante o problema. E, dessa maneira, gerar mais qualidade de vida ao paciente.
Sem dúvida, esse tratamento gera expectativas positivas para doenças raras geradas por distúrbios genéticos.
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