O oftalmoscópio na era digital: o poder da fotodocumentação

O oftalmoscópio na era digital: o poder da fotodocumentação

Poucas ferramentas são tão emblemáticas para a oftalmologia quanto o oftalmoscópio. Por gerações, ele tem sido a janela primária para a retina, o pilar do diagnóstico e do acompanhamento clínico.

No entanto, na prática clínica moderna, especialmente no contexto dinâmico dos consultórios e hospitais brasileiros, a pergunta fundamental mudou. Não basta mais ao especialista apenas “ver”; tornou-se imperativo documentar, analisar longitudinalmente, comparar com precisão e compartilhar com segurança. É a transição da observação subjetiva para o dado objetivo.

O desafio do oftalmoscópio tradicional na clínica moderna

O exame realizado com o oftalmoscópio direto ou indireto segue vital para a avaliação qualitativa de inúmeras condições: glaucoma, retinopatias, neuropatias ópticas e doenças sistêmicas com repercussão ocular.

Retinografia colorida realizada pelo retinógrafo portátil Eyer2

Contudo, na era da medicina baseada em dados e da telemedicina, o oftalmoscópio clássico apresenta limitações que impactam diretamente a eficiência e a qualidade do atendimento:

  1. A subjetividade do registro: a descrição de um achado no prontuário, por mais detalhada que seja, carrega a subjetividade do observador. Comparar a escavação do nervo óptico “hoje” com a descrição de “seis meses atrás” é um desafio para o acompanhamento preciso da progressão.
  2. Educação e adesão do paciente: explicar uma condição complexa ao paciente usando apenas palavras é abstrato. A falta de visualização concreta do próprio problema pode diminuir a compreensão e, consequentemente, a adesão ao tratamento.
  3. Fluxo de trabalho e telemedicina: o oftalmoscópio tradicional não gera dados compartilháveis. Em um cenário de segunda opinião ou teletriagem, a ausência de uma imagem objetiva é um gargalo significativo.

Para o oftalmologista brasileiro, que lida com alta demanda, auditorias e um mercado competitivo, otimizar o tempo e elevar a segurança diagnóstica é uma necessidade.

A evolução: o oftalmoscópio como ecossistema digital

É neste ponto que o conceito de oftalmoscópio evolui. A demanda do século 21 não é por um substituto do exame clínico, mas por uma ferramenta que o potencialize. A resposta está na integração da visualização portátil com a fotodocumentação e a gestão em nuvem. É este o conceito fundamental por trás de soluções como o Eyer2, o retinógrafo portátil da Phelcom, que transforma o exame de fundo de olho em uma experiência digital e gerenciável.

Exames realizados com o retinógrafo portátil Eyer2 são enviados automaticamente para a plataforma em nuvem EyerCloud

O retinógrafo portátil Eyer2 funciona, na prática, como um “oftalmoscópio inteligente” de alta definição. Ele preserva uma das maiores vantagens do oftalmoscópio tradicional — a portabilidade — mas a eleva a um novo patamar. Com o Eyer2, o exame de alta qualidade sai da sala escura e vai até o paciente, seja no leito hospitalar, no centro cirúrgico, em ações sociais ou em diferentes salas do consultório. 

A imagem capturada pelo Eyer2 é instantaneamente integrada a uma plataforma de gestão, o EyerCloud: um sistema que resolve o desafio crônico do armazenamento, da segurança (em conformidade com a LGPD) e da fotodocumentação. O que antes era uma imagem mental do médico ou uma anotação subjetiva, agora é um dado objetivo, datado e acessível de qualquer lugar.

Em suma, o oftalmoscópio ganha um poderoso aliado na excelência clínica, integrando suas informações a um ecossistema digital, documentado e conectado.

Eyer2

O retinógrafo portátil Eyer2 apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.

O equipamento também possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Dentre as principais funcionalidades do portátil, destacam-se: 

  • Plataforma portátil de imageamento ocular capaz de realizar seis registros em um único equipamento, sem necessidade de midríase;
  • Retinografia colorida de alta qualidade: 55º em uma única imagem para detecção de lesões periféricas na retina;
  • Red free gerado instantaneamente após o registro colorido;
  • Registro de segmento posterior com luz infravermelha, importante para avaliação de áreas mais profundas da retina sem desconforto ao paciente, como diagnóstico de nevo de coróide e olho seco evaporativo;
  • Estereofoto de papila para visualização 3D da escavação;
  • Retinografias panorâmicas com até 120°;
  • Edição e gráficos para análise de cup-to-disk ratio (CDR); 
  • Fotodocumentação em alta definição da superfície ocular para acompanhamento da progressão de doenças;
  • Avaliação e fotodocumentação de lesões de córnea com luz azul cobalto;
  • Mobilidade para atendimento em diversas clínicas, locais remotos que requerem atenção primária e exames em pacientes acamados e recém-nascidos;
  • Possibilidade de integração com o EyerMaps, inteligência artificial que sinaliza em segundos as áreas da retina com possíveis anomalias;
  • Integração com o EyerCloud, plataforma online para gerenciamento dos exames.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.

Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

Além do olhar: como a lâmpada de fenda se conecta à saúde ocular digital

Além do olhar: como a lâmpada de fenda se conecta à saúde ocular digital

A lâmpada de fenda é, para o oftalmologista, a extensão do olhar clínico. É o equipamento que permite a visualização microscópica detalhada do segmento anterior e posterior do olho, sendo insubstituível no diagnóstico diário. 

O exame, conhecido tecnicamente como biomicroscopia, é um pilar essencial. Contudo, em um mundo de prontuários eletrônicos, inteligência artificial e telemedicina, o pilar da oftalmologia clínica enfrenta um desafio fundamental: a lâmpada de fenda é, em sua essência, analógica.

O exame é visualizado, interpretado e, na maioria das vezes, descrito manualmente no prontuário. Obter uma imagem de alta qualidade desse exame geralmente requer adaptadores caros, câmeras dedicadas e softwares que nem sempre conversam com outros sistemas. Além disso, a lâmpada de fenda é estacionária, limitando o exame ao espaço físico do consultório.

Atualmente, se faz necessário investir em tecnologias que não apenas digitalizem o exame da lâmpada de fenda existente, mas também tornem esse exame portátil. A Phelcom abordou esse desafio com uma solução de dupla funcionalidade centrada no retinógrafo portátil Eyer2:

Exame do segmento anterior sendo realizado com o Eyer2 em uma lâmpada de fenda
  1. A ponte digital para a lâmpada de fenda clássica: a primeira conquista é a integração. O Eyer2, por meio de um adaptador universal, acopla-se diretamente à ocular da lâmpada de fenda. O que o médico vê, o Eyer2 captura. Instantaneamente, o exame de biomicroscopia pode ser fotodocumentado em alta resolução. A imagem sai da ocular e entra no fluxo digital.
  2. O poder da portabilidade: a segunda evolução é a mobilidade. O Eyer2, por si só, é um potente dispositivo de imagem do segmento posterior e anterior. Equipado com iluminação branca e azul cobalto, ele permite que o médico realize e documente exames de pálpebras, conjuntiva, córnea (com fluoresceína), pupila e cristalino em qualquer lugar — seja em outro consultório, no leito de um paciente internado ou em uma triagem.

Essa abordagem híbrida permite ao oftalmologista manter a excelência diagnóstica de sua lâmpada de fenda tradicional, agora com registro digital, ao mesmo tempo que ganha a flexibilidade de um dispositivo portátil para outras situações.

Eyer2

O retinógrafo portátil Eyer2 apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.

O equipamento também possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Dentre as principais funcionalidades do portátil, destacam-se: 

  • Plataforma portátil de imageamento ocular capaz de realizar seis registros em um único equipamento, sem necessidade de midríase;
  • Retinografia colorida de alta qualidade: 55º em uma única imagem para detecção de lesões periféricas na retina;
  • Red free gerado instantaneamente após o registro colorido;
  • Registro de segmento posterior com luz infravermelha, importante para avaliação de áreas mais profundas da retina sem desconforto ao paciente, como diagnóstico de nevo de coróide e olho seco evaporativo;
  • Estereofoto de papila para visualização 3D da escavação;
  • Retinografias panorâmicas com até 120°;
  • Edição e gráficos para análise de cup-to-disk ratio (CDR); 
  • Fotodocumentação em alta definição da superfície ocular para acompanhamento da progressão de doenças;
  • Avaliação e fotodocumentação de lesões de córnea com luz azul cobalto;
  • Mobilidade para atendimento em diversas clínicas, locais remotos que requerem atenção primária e exames em pacientes acamados e recém-nascidos;
  • Possibilidade de integração com o EyerMaps, inteligência artificial que sinaliza em segundos as áreas da retina com possíveis anomalias;
  • Integração com o EyerCloud, plataforma online para gerenciamento dos exames.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.

Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

Pesquisa inédita combina genômica e avaliação da retina para prever o risco de AVC 

Pesquisa inédita combina genômica e avaliação da retina para prever o risco de AVC 

Um projeto nacional inédito que investiga as bases genéticas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) está indo além do DNA e encontrando, na retina, um novo caminho para compreender — e antecipar — a doença.

Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do PROADI-SUS, o Projeto Ártemis utiliza a retinografia para identificar possíveis marcadores associados ao risco de AVC.

Os exames de fundo de olho são realizados com o retinógrafo portátil Eyer2, que captura imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho em poucos minutos e sem midríase. Integrado ao EyerCloud, plataforma online de gerenciamento de exames, o equipamento conta também com o EyerMaps, recurso de inteligência artificial que identifica possíveis anomalias na retina em segundos.

“A estratégia une tecnologia, genética e imagem em um esforço inédito de medicina de precisão para ampliar as possibilidades de prevenção e cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta a investigadora principal do projeto, a neurologista Ana Cláudia de Souza.

A neurologista Ana Cláudia de Souza, investigadora principal do Projeto Ártemis.

Pesquisa 

O Projeto Ártemis busca identificar variantes genéticas que influenciam o risco, a evolução clínica e a resposta ao tratamento do AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% dos casos de AVC no país. Segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), 89.490 pessoas morreram em decorrência da doença em 2025, que segue como a principal causa de morte e incapacidade no país.

Até o final de 2026, serão avaliados mil participantes, divididos em dois grupos: metade sofreu AVC isquêmico no último ano e a outra metade não tem histórico da doença, atuando como grupo de controle. Todos têm mais de 18 anos e passam por uma série de avaliações ao longo de um acompanhamento que pode chegar a cinco anos, incluindo exames de retina e sequenciamento completo do genoma.

O estudo também se destaca pela preocupação em refletir a diversidade da população brasileira. A pesquisa é conduzida em 11 centros de referência no atendimento ao AVC, distribuídos pelas cinco regiões do país. “A inclusão de diferentes perfis demográficos amplia a representatividade dos dados e contribui para a construção de soluções mais eficazes e acessíveis no contexto do SUS”, destaca Ana Cláudia.

A iniciativa integra também o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a diversidade genômica nacional, ainda pouco representada em estudos globais. Além da produção científica, o projeto prevê a capacitação de profissionais do SUS em áreas como genética, aconselhamento genético e medicina de precisão.

Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Phelcom ministrou breve treinamento durante o lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Integração

A inclusão da retinografia no estudo foi definida desde a concepção do projeto. Segundo Ana Cláudia, a decisão se baseou em evidências científicas que apontam para uma relação entre os padrões vasculares da retina e o risco de eventos cardiovasculares e neurológicos, como o AVC.

A partir dessa premissa, a equipe incorporou ao projeto um exame capaz de fornecer informações concretas sobre o organismo de forma rápida e acessível. “Ao associar as imagens da retina ao mapeamento genético dos participantes, esperamos identificar marcadores que indiquem maior ou menor probabilidade de desenvolvimento ou de recorrência do AVC”, explica.

A escolha do Eyer2 também atendeu às demandas de um estudo multicêntrico e com ampla distribuição geográfica. “A praticidade foi um fator decisivo. Hoje, profissionais de saúde treinados conseguem realizar o exame com facilidade”, observa. Essa característica amplia a capacidade operacional dos centros e contribui para a padronização da coleta de imagens.

Entre os diferenciais da tecnologia, estão o acesso às imagens via EyerCloud, que facilita o armazenamento e a análise em tempo real, e o uso do EyerMaps. “Em caso de dúvida, a IA já indica se há alguma alteração, atuando como um primeiro filtro para a avaliação”, afirma.

Além do papel na pesquisa, o equipamento também tem contribuído para a assistência. Segundo a neurologista, o uso da retinografia tem auxiliado na identificação de retinopatia hipertensiva e diabética, muitas vezes ainda não diagnosticadas. Com o apoio de parceiros no laudamento, os pacientes já recebem o resultado durante o acompanhamento, o que agiliza o encaminhamento e reduz o risco de complicações.

“Vejo a aplicação do Eyer2 muito forte na pesquisa, mas também um impacto direto na assistência, ao permitir diagnosticar e encaminhar corretamente os pacientes, evitando perda visual e outras consequências mais graves”, conclui.

Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Futuro

Ao integrar genética, imagem e tecnologia, o Projeto Ártemis reforça uma tendência cada vez mais presente na saúde: o uso de dados para antecipar riscos, orientar decisões e ampliar o cuidado ao paciente.

Ana Cláudia acredita que essa abordagem pode, no futuro, contribuir para a identificação do risco de doenças como AVC, infarto e até Alzheimer, a partir da análise integrada de diferentes marcadores. “Ainda é necessário correlacionar essas informações com outros achados clínicos, mas o potencial é grande. Estamos avançando para um cenário em que será possível predizer riscos com mais precisão, combinando fatores genéticos e exames como a retinografia”, explica.

Para a neurologista, o impacto vai além dos resultados científicos. “Quando falamos em medicina de precisão, estamos falando em entender melhor cada pessoa para cuidar melhor dela. Dessa forma, conseguimos agir antes, proporcionar mais qualidade de vida e, principalmente, ampliar o acesso à saúde”, afirma.

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Exame realizado com o Eyer2 durante lançamento do Projeto Ártemis, no dia 09 de dezembro, em Porto Alegre (RS).

Phelcom 10 anos: conheça a trajetória do primeiro funcionário da empresa

Phelcom 10 anos: conheça a trajetória do primeiro funcionário da empresa

O desenvolvedor de software Dimas Tadeu de Oliveira Júnior havia acabado de retornar da Itália – onde morou em uma caverna e viveu o sonho de ser músico – quando começou a trabalhar na Samsung, em Campinas (SP).

Na integração, a maioria dos novos funcionários vestia jeans e camiseta. “Inclusive eu. Menos um cara alto e loirão, que estava de social, todo arrumadinho”, relembra Dimas. No primeiro dia de trabalho, ele descobriu que esse cara seria o seu novo colega de equipe. Era José Augusto Stuchi, hoje um dos sócios-fundadores da Phelcom.

“Pensei: ‘somos muito diferentes. Eu, riponga total, e ele totalmente certinho. Não vai dar certo.’ E foi o contrário. A gente se encontrou no trabalho, na tecnologia e na cerveja. Foi uma amizade muito massa e que rendeu bons frutos.”

Os dois passaram três anos lado a lado, dividindo a mesa e atuando nos mesmos projetos em segurança da informação. Em 2016, durante um ano sabático de Dimas, o telefone tocou. Stuchi, junto com os sócios Diego Lencione e Flávio Pascoal Vieira, havia fundado a Phelcom e estava desenvolvendo um retinógrafo portátil, mas precisava de alguém de confiança para criar o sistema do equipamento.

O dispositivo nem tinha nome ainda. E a startup, sem dinheiro no caixa, dependia da boa vontade de quem acreditasse na ideia. “Vamos fazendo e depois, se rolar alguma coisa, vocês me pagam”, respondeu.

Ele começou a pesquisar e a testar tecnologias antes mesmo de qualquer proposta formal. Quando a Phelcom conquistou uma bolsa da FAPESP, a parceria se tornou oficial. Em fevereiro de 2017, Dimas entrou para a história da Phelcom como o seu primeiro funcionário, assumindo o cargo de Apoio Técnico a Projetos de Pesquisa.

Uma casa, muitos sonhos (e algumas histórias inusitadas)

Em São Carlos (SP), Dimas morou na própria sede da Phelcom junto com Stuchi por cerca de dois meses. Na época, a empresa funcionava em uma casa grande: na parte da frente, o escritório; nos fundos, a moradia. “Com o tempo, fui me sentindo mais à vontade e dormia em qualquer lugar, até embaixo da mesa no escritório”, recorda, entre risos.

A casa tinha ainda varanda ampla e garagem espaçosa, que quase se transformou na primeira linha de produção da empresa. “Eles chegaram a cogitar isso na época. Ainda bem que não aconteceu. Seria um desastre total, principalmente olhando para o tamanho que a empresa alcançou hoje”, brinca Dimas.

Foi nesse ambiente improvisado que os primeiros protótipos começaram a ganhar forma, de maneira totalmente artesanal. As peças, feitas na impressora 3D, eram lixadas e, na sequência, recebiam a base, a pintura e os ajustes finais.

Mas nem só de trabalho eram feitos os dias. À noite, depois de comer porco preparado no grill George Foreman do Stuchi, o grupo se reunia no quintal para jogar bola. Em algumas ocasiões, a bola ia parar na casa do vizinho. “A gente falava que tinha sido o sobrinho que chutou”.

A convivência próxima era facilitada pela amizade entre os sócios, que já se conheciam de trabalhos anteriores. O clima era de muita intimidade, com direito a brincadeiras constantes, especialmente entre Stuchi e Diego.

Primeira sede da Phelcom.

Motivação além da tecnologia

Para Dimas, aceitar o convite para entrar na Phelcom foi uma decisão movida, principalmente, por propósito. “O equipamento tinha um apelo humano muito forte. Era a chance de trabalhar com algo que realmente poderia ajudar as pessoas. E isso não é tão fácil de encontrar.”

Desde o início, havia um objetivo muito claro entre todos: fazer dar certo. Mais do que uma questão financeira, o foco estava no impacto. “O nosso sonho era melhorar o acesso à saúde.”

Outro ponto que o motivou foi o desafio de construir algo do zero. Com a autonomia que recebeu, ele aproveitou para explorar novas possibilidades. “Eu já estava há bastante tempo trabalhando com Java e queria mudar um pouco. Ali surgiu a oportunidade de trabalhar com Node e JavaScript, testando coisas novas.”

Esse ambiente de experimentação acabou se tornando um diferencial. “Foi uma descoberta para mim e para todo mundo ali. Tinha muita coisa nova acontecendo, era quase um celeiro de ideias”, afirma. Um exemplo disso é que a primeira versão do Eyer era feita com uma arminha de brinquedo, tipo uma Nerf.

Os desafios, naturalmente, eram muitos. Fazer a tecnologia funcionar era o principal deles. Além disso, havia a dificuldade de convencer outras pessoas a acreditarem na ideia e de conseguir novos financiamentos. “Éramos poucos para muito trabalho”, resume Dimas.

Os problemas técnicos também faziam parte da rotina. “Às vezes, durante uma apresentação ou coleta de imagens no hospital, o sistema simplesmente apagava os dados porque não tinha memória suficiente”, conta.

Crescimento, novos desafios e uma equipe em formação

Com o avanço do projeto, chegou o momento em que a primeira casa já não comportava mais a operação. Era preciso pensar em produção, armazenamento e na ampliação da equipe. Para viabilizar esse próximo passo, a Phelcom passou a desenvolver três projetos de consultoria, envolvendo áreas como óptica, computação e eletrônica, mas sem deixar de lado o Eyer.

A entrada desses recursos permitiu a mudança para uma nova sede, já com espaço para fábrica e uma estrutura mais adequada ao crescimento da empresa. Hoje, o local abriga a fábrica da Phelcom.

Nesse período, novos profissionais se juntaram ao time. “Entraram o Fred, na mecatrônica, o Paulo, no software, e o Nino, na eletrônica. A gente até brincava que eram os ‘trabalhadores do Apocalipse’”, conta Dimas. Com a chegada deles, o projeto ganhou outra dimensão. “Era muito trabalho, mas todos estavam focados. A gente era muito unido para fazer acontecer.” Foi também nessa fase que o segundo protótipo do Eyer começou a ganhar forma.

Dimas e Fred na Phelcom

Dimas e Fred em um momento de descontração na Phelcom.

Mesmo com o ritmo intenso, o clima leve continuava sendo uma marca da equipe. “A gente era meio espartano. Do nada, o Stuchi gritava ‘This is Sparta!’ e todo mundo respondia junto. Era sangue no olho, mas também muita zoeira. Isso ajudava a aliviar o estresse do dia a dia”, relembra.

E, depois das 18h, o ambiente se transformava. “Parecia que as regras iam embora e começava outra fase. O Diego cantava ópera de um lado e, eu e o Fred, Iron Maiden do outro”, conta, aos risos.

Propósito que permanece

Para Dimas, muita coisa mudou ao longo dos últimos dez anos, mas a essência da Phelcom continua a mesma: a vontade de fazer acontecer, o ambiente leve e a humanização na forma de desenvolver tecnologia e no cuidado com as pessoas.

Ao olhar para a Phelcom hoje, o que mais o impressiona é o impacto gerado na saúde. “A qualidade de vida levada a milhões de pessoas, que passaram a ter acesso ao exame não tem preço”, diz. Para ele, esse propósito segue vivo no dia a dia da empresa e se reflete diretamente nos produtos. “Existe uma preocupação real com quem está do outro lado, seja o médico, o profissional de saúde ou o paciente.”

Dimas revela que um dos momentos em que mais se sentiu orgulhoso foi participar de um evento da empresa, já em uma fase mais recente. “Quando vi o tamanho que a Phelcom tinha alcançado, bateu um orgulho enorme. Um grupo pequeno, com um sonho em comum, conseguiu crescer e gerar oportunidades para tantos outros. Hoje, são muitas pessoas sonhando juntas. E isso é muito bonito de ver”, afirma. 

Sustentabilidade financeira: como otimizar o retorno sobre investimento na prática oftalmológica

Sustentabilidade financeira: como otimizar o retorno sobre investimento na prática oftalmológica

Gerenciar uma clínica oftalmológica no Brasil exige um equilíbrio constante: de um lado, a excelência clínica e o cuidado com o paciente; do outro, a gestão financeira, os custos operacionais e a busca pela sustentabilidade do negócio. Qualquer investimento em nova tecnologia é, e deve ser, analisado pela ótica do retorno sobre o investimento (ROI).

Neste cenário, a retinografia colorida se destaca. Longe de ser apenas um procedimento complementar, ela é uma fonte de receita fundamental, estruturada e prevista nas tabelas de reembolso.

A questão, portanto, não é se a retinografia é rentável, mas como otimizar sua execução para maximizar esse retorno. A resposta está na superação dos gargalos operacionais impostos pelos equipamentos tradicionais.

O potencial de reembolso: entendendo os códigos

Para qualquer gestor ou oftalmologista, a previsibilidade de receita é chave. A retinografia é um procedimento com cobertura clara, tanto no sistema público quanto no privado.

  1. No Sistema Único de Saúde (SUS): o exame está codificado na tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS sob o código 02.11.06.017-8 – Retinografia Colorida Binocular. Isso garante o reembolso por Procedimentos CID – SUS quando o exame é realizado, assegurando uma via de receita em atendimentos públicos ou filantrópicos.
  2. Nos planos de saúde (TUSS): Na saúde suplementar, a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) define o código 41301315 – Retinografia (só honorário) monocular. Este é o procedimento que justifica a remuneração pela operadora de plano de saúde (TUSS).

O desafio é que o retorno sobre o investimento é diretamente proporcional ao volume de exames que a clínica consegue realizar e, principalmente, laudar com eficiência. Para ajudar a planejar, a Phelcom oferece uma ferramenta que auxilia a estimar em quanto o tempo o retorno inicia (payback), considerando a realidade de faturamento e o volume de exames de cada clínica.

Retinografia colorida realizada pelo retinógrafo portátil Eyer2

O gargalo do retinógrafo tradicional

O ROI da retinografia é limitado por barreiras operacionais. O retinógrafo de mesa tradicional é um equipamento robusto, mas estacionário, pois:

  • Exige uma sala dedicada, muitas vezes escura;
  • Requer um operador treinado (muitas vezes o próprio oftalmologista) para manuseá-lo;
  • O fluxo de pacientes é lento, pois cada um deve ser posicionado no equipamento;
  • Pacientes com mobilidade reduzida, acamados ou crianças são difíceis ou impossíveis de examinar.

Esse modelo “sala-dependente” cria um teto para o número de procedimentos faturáveis por dia, limitando diretamente o potencial de reembolso dos códigos 02.11.06.017-8 (SUS) e 41301315 (TUSS). Para tornar os procedimentos escaláveis, é preciso criar um fluxo de trabalho dinâmico.

Equipamentos como o retinógrafo portátil Eyer2 tornam o atendimento mais fluído e trazem o dinamismo para a realidade do consultório. Sendo leve, portátil e de alta conectividade, ele permite que o exame de retinografia vá até o paciente, e não o contrário.

  • Multiplicação de pontos de exame: a triagem ou o exame podem ser feitos em qualquer sala de pré-consulta, no centro cirúrgico ou até mesmo no leito do hospital, sem necessidade de dilatação.
  • Delegação e otimização: a simplicidade da captura permite que técnicos ou assistentes devidamente treinados realizem o registro da imagem, liberando o tempo do oftalmologista para o diagnóstico e o laudo.

O retorno sobre o investimento é multiplicado. Em vez de um único ponto de estrangulamento (a sala do retinógrafo), a clínica pode ter múltiplos pontos de captura de imagem, aumentando exponencialmente o volume de exames elegíveis para reembolso.

Da imagem ao laudo: fechando o ciclo do reembolso

Para que o Procedimento – 02.11.06.017-8 – Retinografia Colorida Binocular ou o 41301315 – Retinografia (só honorário) monocular sejam devidamente pagos, é necessário um laudo e um registro seguro.

Aqui entra o EyerCloud. Cada imagem capturada no Eyer2 é sincronizada automaticamente com a plataforma em nuvem, permitindo que uma clínica com várias unidades ou mesmo um único médico que atende em múltiplos locais centralize todo o fluxo de laudos. O resultado é a capacidade de escalar o volume de exames faturáveis sem aumentar proporcionalmente o tempo gasto pelo especialista em tarefas operacionais

Em síntese, o Eyer2 e o EyerCloud são otimizadores de gestão que permitem ao oftalmologista brasileiro extrair o máximo potencial financeiro dos procedimentos de retinografia já estabelecidos e codificados, transformando um investimento em tecnologia em um claro e mensurável retorno sobre o investimento

Retinógrafo portátil Eyer2 e Eyercloud sendo utilizados em consulta

Eyer2

O retinógrafo portátil Eyer2 apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.

O equipamento também possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Dentre as principais funcionalidades do portátil, destacam-se: 

  • Plataforma portátil de imageamento ocular capaz de realizar seis registros em um único equipamento, sem necessidade de midríase;
  • Retinografia colorida de alta qualidade: 55º em uma única imagem para detecção de lesões periféricas na retina;
  • Red free gerado instantaneamente após o registro colorido;
  • Registro de segmento posterior com luz infravermelha, importante para avaliação de áreas mais profundas da retina sem desconforto ao paciente, como diagnóstico de nevo de coróide e olho seco evaporativo;
  • Estereofoto de papila para visualização 3D da escavação;
  • Retinografias panorâmicas com até 120°;
  • Edição e gráficos para análise de cup-to-disk ratio (CDR); 
  • Fotodocumentação em alta definição da superfície ocular para acompanhamento da progressão de doenças;
  • Avaliação e fotodocumentação de lesões de córnea com luz azul cobalto;
  • Mobilidade para atendimento em diversas clínicas, locais remotos que requerem atenção primária e exames em pacientes acamados e recém-nascidos;
  • Possibilidade de integração com o EyerMaps, inteligência artificial que sinaliza em segundos as áreas da retina com possíveis anomalias;
  • Integração com o EyerCloud, plataforma online para gerenciamento dos exames.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.

Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

Tecnologias portáteis comprovam relevância na comunidade científica global

Tecnologias portáteis comprovam relevância na comunidade científica global

Além de sua aplicação no dia a dia clínico, o retinógrafo portátil Eyer e a Inteligência Artificial EyerMaps têm sido fundamentais para o avanço de grandes pesquisas. Recentemente, dois estudos de peso tiveram suas apresentações aprovadas no maior e mais prestigiado congresso de pesquisa oftalmológica do mundo: The Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO). Adicionalmente, um deles foi laureado como o melhor artigo científico na Association of University Professors of Ophthalmology (AUPO).

A Inteligência Artificial do Eyer no mundo real

O artigo “Real-world performance of an offline, automatic algorithm for diabetic retinopathy detection embedded in a handheld smartphone-based retinal camera, on two ethnically diverse populations”, liderado pelo Dr. Fernando Malerbi, avaliou a IA offline do Eyer na detecção da Retinopatia Diabética (RD) em cenários reais e desafiadores de triagem. A apresentação ocorrerá no dia 03 de maio de 2026.

O desafio do viés algorítmico

Para que uma IA seja verdadeiramente eficaz e segura, ela não pode funcionar bem apenas em laboratório ou em um grupo específico de pessoas. “Além dos testes iniciais que fazemos para verificar se o algoritmo está dando respostas corretas, é importante reproduzi-los em populações com características diferentes, por exemplo, no nosso estudo, com backgrounds étnicos diversos, garantindo representatividade na base de dados, otimizando a performance da para a ferramenta e, assim, reduzindo o risco dela acertar em um cenário e errar em outro”, explica Malerbi.

Para provar essa robustez, o estudo analisou as imagens de 1.257 pacientes com diabetes em duas amostras brasileiras demograficamente muito díspares:

  • Itabuna (Bahia/BR): População predominantemente afro descendente, com maior taxa de retinopatia diabética e menor duração da diabetes;
  • Blumenau (Santa Catarina/BR): Ascendência europeia prevalente.

Mapa destacando Itabuna (BA) e Blumenau (SC), cidades onde as amostras de pacientes foram coletadas.

Resultados impressionantes nas mãos de não-médicos

Um dos grandes diferenciais do estudo foi a operação do equipamento: as capturas foram realizadas majoritariamente por voluntários não-médicos, com diferentes níveis de experiência, em mutirões de triagem de alto volume.

“A relevância desse estudo está também nos ótimos números de acurácia e na qualidade das imagens. Em mais de 90% dos casos, foi possível realizar a imagem de maneira adequada e com alta taxa de qualidade”, destaca o autor. Malerbi pontua ainda alguns elementos que permitem qualidade adequada para uma imagem:,enquadramento, adequação da luz, foco e nitidez — fatores que são facilitados pela tecnologia do Eyer.

O estudo comprovou que a IA do Eyer é precisa, consistente e livre de vieses geográficos ou étnicos, provando que dispositivos de baixo custo e fáceis de usar, juntamente com ferramentas de detecção automática, podem desempenhar um papel significativo na prevenção da cegueira secundária ao diabetes.

O desafio técnico por trás do impacto

Para Paulo Prado, Coordenador de Mobile Software e IA da Phelcom, que participou ativamente do projeto, o sucesso do estudo reflete a união entre tecnologia avançada e propósito. “Participar deste projeto foi uma experiência muito significativa, ligando minha formação com o impacto direto na saúde das pessoas. Um dos pontos mais importantes foi desenvolver um algoritmo capaz de rodar offline e embarcado, sem comprometer a precisão, o que trouxe um desafio técnico muito grande”, relata Prado.

Prado reforça que a diversidade da amostra foi crucial para validar o trabalho da engenharia. “A validação do sistema em duas populações tão distintas demonstra a robustez do sistema em cenários reais e ajuda a garantir que a tecnologia seja realmente útil na prática clínica. Para mim, foi muito gratificante contribuir para uma solução que pode ajudar na detecção precoce de retinopatia diabética, ampliando o acesso ao rastreamento da doença, especialmente em locais com menos infraestrutura médica”.

Paulo Prado realiza captura de imagem de retina com o Eyer no Mutirão de Diabetes de Itabuna, 2022.

Eyer no leito hospitalar: Prêmio de Melhor Artigo na AUPO

O estudo intitulado “Handheld Non-Mydriatic Fundus Camera for Bedside Inpatient Ophthalmology and Neurology Consultations”, conduzido por pesquisadores da Emory University (EUA), incluindo a especialista Valerie Biousse, demonstrou como a portabilidade e a alta qualidade de imagem do Eyer facilitam diagnósticos rápidos e precisos em ambientes hospitalares, onde o deslocamento do paciente para equipamentos de mesa muitas vezes é inviável.

O impacto clínico dessa abordagem foi tão significativo que o estudo foi eleito o melhor artigo na conferência da AUPO, além de garantir seu espaço para apresentação no ARVO.

A relevância de estar no ARVO e AUPO 2026

Em 2026, o ARVO acontecerá do dia 03 a 07 de maio com o tema oficial “Achieving precision ophthalmology through innovative vision research”, tema amplamente alinhado aos estudos realizados com o Eyer.

“Esse evento é considerado o maior e mais importante encontro científico de pesquisa em oftalmologia e ciências visuais do mundo” resume Malerbi. “É lá onde as principais ideias são apresentadas e validadas. Soluções que vão entrar no mercado ou que estarão disponíveis como tratamento lá na frente são apresentadas no ARVO. Tem esse caráter de pioneirismo”.

Para a Phelcom, ter o Eyer validado nestes estudos comprova o alinhamento da empresa com o futuro da “oftalmologia de precisão” mundial. Como conclui Malerbi: “É realmente importante estar presente neste evento, tanto do ponto de vista do autor quanto do de uma empresa que tem essa robustez  de pesquisa e desenvolvimento”.

Para Diego Lencione, co-founder & CTO da Phelcom, o destaque nesses congressos reflete a maturidade da empresa e permite que a tecnologia alcance e transforme cada vez mais vidas. “É incrível acompanhar a evolução dos produtos na Phelcom e o aumento de nossa relevância no cenário internacional. Nos últimos anos tivemos a certificação regulatória de nossos produtos no FDA e vemos ano após ano aumentar nossa presença no mercado internacional. Sem dúvidas, parte deste sucesso se deve ao nosso esforço e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, que culminam com este trabalho tão relevante que será apresentado no ARVO 2026, combinando nossas competências na criação e fabricação de dispositivos oftalmológicos e de soluções em inteligência artificial que de fato agregam valor aos médicos, pacientes e toda sociedade.”, destaca Lencione.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.

Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

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