Phelcom 10 anos: uma trajetória entre tecnologia, ciência e impacto social

Phelcom 10 anos: uma trajetória entre tecnologia, ciência e impacto social

A Phelcom Technologies nasceu de um propósito claro: tornar a saúde visual mais acessível. A história da empresa começou com uma experiência pessoal de Diego Lencione, um dos fundadores, que acompanhou desde a infância o comprometimento da retina e da visão de seu irmão, Welber. Isso despertou seu interesse pela saúde visual e, ao lado de Flávio Paschoal Vieira e José Augusto Stuchi, deu origem ao desenvolvimento do Eyer.

Integrado a um smartphone, o retinógrafo portátil permite capturar imagens de alta qualidade da retina de forma rápida e sem a necessidade de dilatação da pupila. A tecnologia foi desenvolvida para contribuir com a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento de doenças que podem levar à deficiência visual grave e à cegueira. Essas condições atingem mais de 250 milhões de pessoas no mundo e, em mais de 75% dos casos, estão relacionadas à falta de prevenção e tratamento adequado.

Hoje, o Eyer já alcançou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e no mundo e esteve presente em mais de 200 ações sociais, levando a tecnologia para perto de quem precisa. Ao longo dessa trajetória, também passou a integrar projetos de pesquisa em diferentes regiões e contextos, contribuindo para a produção de conhecimento científico.

Tecnologia a serviço de quem mais precisa

Se a inovação nasceu para ampliar o acesso à saúde visual, foi nas ações sociais que o Eyer encontrou alguns dos cenários mais desafiadores — e mais significativos — para cumprir esse propósito.

Ao longo dos últimos dez anos, o retinógrafo portátil esteve presente em iniciativas realizadas em regiões remotas do país, comunidades indígenas e grandes mutirões de saúde, aproximando o diagnóstico oftalmológico de pessoas que muitas vezes enfrentam barreiras geográficas e de acesso aos serviços especializados.

O Eyer foi utilizado, por exemplo, em expedições do barco-hospital Papa Francisco, atendimentos em reservas indígenas no Mato Grosso e ações voltadas a comunidades indígenas no Amazonas. Também participou de projetos da ONG Retina Global, com iniciativas no Quênia e em Sergipe, além de campanhas como o Maio Verde e ações da organização Doutores do Mundo e ONG Zoé.

Ação da ONG Retina Global no Quênia usou o Eyer para realizar os exames de fundo de olho.

Entre essas experiências, os mutirões de prevenção e diagnóstico do diabetes ganharam destaque por permitir o rastreamento de alterações na retina, como a retinopatia diabética, em um grande número de pessoas durante um único dia de atendimento.

Mutirão do Diabetes de Itabuna e de Blumenau

O Mutirão do Diabetes de Itabuna (BA), classificado pela International Diabetes Federation (IDF) como um dos maiores do mundo nessa categoria, foi uma das primeiras iniciativas sociais a incorporar o Eyer, em 2019.

Na época, o exame de fundo de olho era realizado de forma convencional, sem registro fotográfico — a utilização de imagens para o rastreamento de uma população tão numerosa ainda era uma experiência nova.

“Eu acredito que Deus manda as coisas no tempo certo. Mal sabíamos que, seis meses depois, o Brasil ia parar por causa de uma pandemia”, recorda o médico Rafael Andrade, presidente da ONG Unidos pelo Diabetes e coordenador do evento.

A chegada da Covid-19, em 2020, tornou inviável o modelo tradicional das campanhas, que dependia da presença de especialistas vindos de diferentes regiões do país.

“Antes da pandemia, eu contava com dez médicos especialistas. Em 2020, eu não sabia como faria, porque ninguém estava viajando de avião. Foi então que me lembrei da Phelcom. Pedi os equipamentos, eles enviaram e conseguimos realizar a campanha, com os médicos avaliando as imagens remotamente, pela nuvem e em tempo real. Fomos os únicos no país a realizar o mutirão naquele ano”, conta Andrade.

A experiência mostrou que a combinação entre o retinógrafo portátil e o EyerCloud, plataforma em nuvem para armazenamento e gerenciamento dos exames, poderia sustentar o atendimento mesmo sem a presença física de todos os especialistas.

O modelo também passou a ser utilizado em outras iniciativas, como o Mutirão do Diabetes de Blumenau (SC). “Com o mutirão cancelado em 2020, usamos o Eyer para realizar os atendimentos nos ambulatórios e postos de saúde de Blumenau durante todo o ano. Foi uma forma de manter o acompanhamento dos pacientes mesmo naquele período”, relembra o oftalmologista e organizador da campanha, Fernando Penha.

COO da Phelcom, Flávio Pascoal Vieira, e o presidente da ONG Unidos pelo Diabetes, Rafael Andrade, no Mutirão do Diabetes de Itabuna 2023.

Da imagem à inteligência artificial

Nos anos seguintes, a incorporação do EyerMaps acrescentou uma nova etapa ao fluxo. A inteligência artificial passou a auxiliar na identificação de possíveis alterações retinianas e a direcionar os casos que precisavam de avaliação especializada.

Essa etapa ganhou um apelido: “VAR”, em referência ao recurso utilizado no futebol para revisar lances. “A gente fez uma brincadeira: quando a IA indica alguma alteração no fundo do olho, o paciente vai para o ‘VAR’. Um médico, presencialmente ou de forma remota, avalia a imagem e valida o resultado”, contam.

O modelo também permitiu tornar o fluxo de atendimento mais ágil, já que a maioria dos pacientes não apresenta alterações na retina. “O paciente chega, não precisa dilatar a pupila, fazemos a fotografia com o Eyer e, se a IA não identifica nenhuma alteração, ele segue para as outras etapas do atendimento. Em Blumenau, todo esse percurso leva cerca de 40 minutos”, explica Penha.

Ao longo dos anos, as experiências de campo também se transformaram em uma fonte de aprendizado para a própria Phelcom. Novas versões do equipamento, recursos e formas de utilização foram incorporados às ações, aproximando o desenvolvimento da tecnologia das necessidades observadas no atendimento à população.

“A Phelcom, com o Eyer, promoveu uma verdadeira revolução tecnológica nos mutirões e nos ajudou a atravessar um período sombrio sem abandonar os pacientes. Ao longo dos anos, a empresa incorporou novas versões e recursos, muitos deles desenvolvidos e aprimorados a partir das experiências e dos treinamentos realizados nessas campanhas. O mutirão se tornou um verdadeiro campo de inovação, onde tecnologia e solidariedade caminham juntas. Foi muito bacana acompanhar esse processo e ver como ele contribuiu para democratizar o acesso à saúde”, afirma Andrade.

Da retinografia à digitalização do atendimento

Em 2019, ao participar pela primeira vez do mutirão, o cofundador e COO da Phelcom, Flávio Paschoal Vieira, presenciou uma cena que não saiu mais da sua cabeça: em uma pequena sala, duas voluntárias trabalhavam cercadas por pilhas de prontuários em papel.

A experiência despertou a busca por uma solução para tornar o fluxo de atendimento mais organizado e eficiente. Em 2023, a Phelcom, em parceria com a ONG Unidos pelo Diabetes, desenvolveu um aplicativo para digitalizar a jornada do paciente durante o mutirão.

A ferramenta permite acompanhar, em tempo real, o andamento dos atendimentos por meio do “mutirômetro”, painel exibido em uma televisão com informações como o número de pessoas atendidas e o tempo médio de permanência em cada etapa.

Mutirômetro exibiu dados coletados pelo aplicativo em tempo real durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna 2023.

“Com isso, a gente promoveu uma segunda revolução dentro dos mutirões. A primeira foi a implementação da retinografia, da telemedicina e da inteligência artificial”, afirma Andrade.

A digitalização também facilitou a organização e a análise dos dados coletados durante o evento, que abrangem diferentes áreas que a diabetes pode afetar, como olhos, pés e coração. Com as informações estruturadas, tornou-se possível acompanhar a jornada dos pacientes de forma integrada e criar uma base de dados que passou a contribuir para o desenvolvimento de pesquisas científicas.

Pesquisas científicas

As imagens capturadas pelo Eyer durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna de 2022 foram utilizadas para criar o mBRSET: um novo conjunto de dados de imagens de retina obtidas com uma câmera portátil em cenários reais de alta demanda. A base reúne 5.164 imagens de retina de 1.291 pacientes, com diferentes perfis demográficos. O artigo A portable retina fundus photos dataset for clinical, demographic, and diabetic retinopathy prediction, sobre o mBRSET, foi publicado pela revista Scientific Data, do grupo Nature.

Para avaliar a utilidade da base, os pesquisadores utilizaram modelos avançados de deep learning em tarefas de benchmarking. Os resultados demonstraram alta precisão em aplicações clínicas, como a identificação de retinopatia diabética e edema macular, além da previsão de características demográficas.

O mBRSET também se destaca por ampliar a representatividade da população brasileira na pesquisa oftalmológica. A base é o primeiro conjunto de dados público composto por imagens obtidas com câmeras portáteis e reúne registros coletados em condições reais de alta demanda, acompanhados de informações demográficas detalhadas.

Com isso, oferece uma referência para pesquisas e para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à oftalmologia, especialmente em populações de países de baixa e média renda, ainda pouco representadas em bases desse tipo.

Outra pesquisa, com dados coletados em Itabuna e Blumenau avaliou o desempenho do EyerMaps na detecção de retinopatia diabética em cenários reais de triagem. O estudo analisou as imagens de 1.257 pacientes.

O trabalho, intitulado Real-world performance of an offline, automatic algorithm for diabetic retinopathy detection embedded in a handheld smartphone-based retinal camera, on two ethnically diverse populations, foi apresentado na Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO), em 03 de maio de 2026.

A produção científica envolvendo o Eyer também se estende a outras áreas. Entre os estudos, estão uma pesquisa que investigou alterações retinianas em pacientes com Covid-19 e outra que avaliou a eficiência de uma câmera portátil de baixo custo, com inteligência artificial integrada, na triagem da retinopatia diabética em Sergipe. Atualmente, o Projeto Ártemis utiliza imagens obtidas com o Eyer para investigar possíveis marcadores associados ao risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Pesquisa também no campo da DMRI

Penha participou de diferentes trabalhos científicos envolvendo o Eyer e, mais recentemente, conduziu uma pesquisa sobre a prevalência da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) em pessoas com 60 anos ou mais na região de Blumenau (SC), em parceria com o pesquisador Vinicius Ostetto.

Oftalmologista e organizador do Mutirão do Diabetes de Blumenau (SC), Fernando Penha.

O estudo está na fase final de avaliação dos dados e reúne cerca de 1,4 mil imagens de mais de 500 olhos. O trabalho também avaliou o desempenho do algoritmo e contribuiu para seu treinamento na identificação de possíveis sinais da doença nas imagens de retina.

Os resultados iniciais foram apresentados no XIX Congresso Sul-Brasileiro de Oftalmologia, realizado em maio de 2026, e receberam o prêmio de melhor trabalho entre 150 estudos inscritos.

Para Penha, a experiência representa uma via de mão dupla, na qual a pesquisa científica contribui tanto para a produção de conhecimento quanto para o aprimoramento das próprias ferramentas desenvolvidas pela Phelcom. “É muito bacana poder fazer pesquisa, que é algo de que a gente gosta, e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento dos softwares junto com a empresa”, afirma.

Pesquisa avalia IA como apoio à triagem oftalmológica na atenção primária

Pesquisa avalia IA como apoio à triagem oftalmológica na atenção primária

O acesso ao atendimento oftalmológico ainda é um desafio para muitos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para aqueles que precisam de acompanhamento periódico devido a doenças crônicas. A escassez de especialistas, as barreiras geográficas e a crescente demanda associada ao envelhecimento da população podem atrasar a identificação de alterações na retina e, consequentemente, o início do tratamento.

Entre as condições que contribuem para esse cenário está o diabetes, doença que tem aumentado e que pode provocar complicações oculares, como a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira evitável no mundo.

No modelo tradicional de atendimento, pacientes avaliados na Atenção Primária à Saúde (APS) que precisam de uma avaliação oftalmológica são frequentemente encaminhados para a atenção secundária. “Isso acaba gerando uma fila enorme, às vezes de anos, para a primeira consulta. Se conseguirmos fazer uma triagem inicial na própria atenção primária, podemos identificar quem realmente precisa ser encaminhado e manter os demais pacientes em acompanhamento pela equipe local”, explica o pesquisador Alan Cristian Marinho Ferreira, autor do estudo e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foi a partir desse desafio que Ferreira e sua equipe desenvolveram a pesquisa derivada da tese de doutorado de Ferreira, intitulada “Desempenho Diagnóstico de um Modelo de Inteligência Artificial para Anormalidades Retinianas na Atenção Primária à Saúde”, realizada em parceria entre o Centro de Telessaúde (CETES) da UFMG, o Núcleo de Telessaúde da UFMG e o Ministério da Saúde do Brasil, sob orientação da Professora Alaneir de Fátima do Santos, coordenadora do CETES. Recentemente, o estudofoi publicado no periódico internacional Telemedicine and e-Health, um dos mais prestigiados da área de saúde digital.

A pesquisa avaliou o desempenho do EyerMaps, modelo de inteligência artificial integrado ao ecossistema do retinógrafo portátil Eyer, na identificação de possíveis anormalidades retinianas em pacientes atendidos na APS de seis municípios de Minas Gerais.

A proposta foi investigar se a ferramenta poderia contribuir para a triagem e a organização dos encaminhamentos, aproximando a avaliação da retina da porta de entrada do sistema de saúde. O estudo também analisou se o desempenho do modelo se mantinha consistente entre diferentes perfis clínicos e demográficos.

O pesquisador Alan Cristian Marinho Ferreira, autor do estudo e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG.

Pesquisa

Os exames foram realizados em um fluxo de trabalho de teleoftalmologia na APS de seis municípios mineiros: Betim, Contagem, Diamantina, Nova Lima, Santa Luzia e Santana do Riacho.

Entre dezembro de 2023 e setembro de 2024, profissionais de saúde previamente treinados operaram o Eyer para a captura das imagens. As retinografias foram realizadas em ambientes com baixa luminosidade e sem o uso de colírios para dilatação, reproduzindo as condições operacionais da rotina da APS.

A disponibilidade dos equipamentos também foi adaptada à realidade de cada cidade. “O município que já tinha o aparelho continuava fazendo os exames. Naquele que não tinha, a gente emprestava”, conta o pesquisador. Em alguns momentos, a estrutura chegou a permitir a realização de quase 100 exames em um único dia.

Na etapa seguinte, o EyerMaps classificou as imagens em categorias de baixa, média ou alta probabilidade de alterações retinianas. Os resultados foram comparados com a avaliação de um oftalmologista, considerado o padrão de referência do estudo. O especialista acessou as retinografias remotamente pela plataforma EyerCloud, sem conhecimento prévio da classificação feita pela inteligência artificial. “Essa análise independente buscou minimizar possíveis vieses de mensuração”, explica Ferreira.

Foram incluídos exames de indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 5 anos e com pelo menos uma condição crônica associada a maior risco de anormalidades retinianas, incluindo diabetes, hipertensão arterial sistêmica ou dislipidemia.

Entre as variáveis analisadas estavam idade, sexo, condição clínica associada ao encaminhamento para o exame, baixa acuidade visual autorreferida e classificação das imagens pelo oftalmologista como normal, anormal ou inconclusiva.

O estudo transversal analisou inicialmente 2.158 retinografias. Após a aplicação dos critérios definidos para a análise, chegou-se a uma amostra pareada de 824 imagens.

Para avaliar o desempenho diagnóstico do EyerMaps, foram calculados indicadores como sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo (VPP) e negativo (VPN), coeficiente Kappa de Cohen e área sob a curva ROC (AUC).

Exame com Eyer em município de Minas Gerais.

Retinografia realizada com Eyer em um dos municípios participantes da pesquisa.

Resultados

A caracterização da população mostrou maior presença de indivíduos com 60 anos ou mais (62,5%) e do sexo feminino (67,0%). Diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica foram as condições mais frequentes, presentes em 79,0% e 82,8% dos pacientes, respectivamente. A dislipidemia foi registrada em 53,1% dos casos, enquanto a baixa acuidade visual autorreferida esteve presente em 87,3% dos exames analisados.

O modelo de inteligência artificial apresentou concordância quase perfeita com a avaliação do oftalmologista, com coeficiente Kappa de 0,819 (p < 0,001), resultado superior ao observado em diversos estudos internacionais que avaliaram modelos de IA aplicados a imagens da retina.

Diferentemente de versões preliminares ou de outros modelos disponíveis no mercado que focam exclusivamente na sensibilidade, o EyerMaps se destacou pela alta especificidade (98,0%) e pelo VPP (98,0%). A sensibilidade foi de 83,0%, o VPN de 86,0% e a área sob a curva ROC (AUC) foi de 0,91.

Para testar a segurança da IA em diferentes perfis de pacientes, o estudo utilizou análise de agrupamentos (clusters), avaliando a combinação de idade e doenças crônicas. O modelo manteve altíssima especificidade em todos os subgrupos, variando a sensibilidade em apenas um perfil específico. “Isso mostra o alto rigor com que a ferramenta foi testada em ambiente real de saúde pública, reforçando a importância de protocolos integrados de segurança para o profissional de saúde”, observa o autor.

A proporção de exames classificados como anormais, tanto pelo especialista quanto pelo modelo de IA, foi superior à descrita em estudos populacionais, nos quais a prevalência de anormalidades retinianas entre usuários da APS varia de 16% a 41%. Segundo o pesquisador, esse resultado pode estar relacionado à demanda reprimida e às barreiras de acesso aos serviços especializados.

Em contextos como o brasileiro, marcado por longas filas de espera e distribuição desigual de especialistas, a teleoftalmologia surge como uma estratégia para ampliar o acesso à avaliação oftalmológica e contribuir para a reorganização dos fluxos de cuidado.

“As evidências mostraram que a inteligência artificial pode ser uma aliada do profissional de saúde na avaliação das imagens de retina, oferecendo informações que ajudam a direcionar a conduta e a identificar os casos que precisam de uma análise especializada. É uma aplicação que pode tornar a teleoftalmologia mais eficiente e apoiar a tomada de decisão clínica”, afirma Ferreira.

Referência do Estudo:

FERREIRA, A. C. M.; FREITAS, M. A. C.; PERILLO, R. D.; AMARAL, C. E. M.; SANTOS, A. F. Diagnostic Performance of an Artificial Intelligence Model for Retinal Abnormalities in Primary Health Care: A Real-World Teleophthalmology Study. Telemedicine and e-Health, v. 32, n. 9, 2026. DOI: 10.1177/15305627261454208.

Phelcom lança Eyer2 na Argentina durante o FacoExtrema 2026

Phelcom lança Eyer2 na Argentina durante o FacoExtrema 2026

A Phelcom lançou o retinógrafo portátil Eyer2 na Argentina durante o 15º FacoExtrema, realizado de 20 a 22 de agosto, em Buenos Aires. Considerado um dos principais congressos de impacto e inovação em oftalmologia da América Latina, o evento reuniu mais de 5 mil profissionais presencialmente, além de milhares de participantes que acompanharam a programação por streaming.

A participação marcou um novo momento para a Phelcom no mercado argentino. Depois de levar o Eyer à edição de 2025 e conquistar uma presença crescente no país, a empresa aproveitou o FacoExtrema 2026 para apresentar a nova geração do equipamento, diante da expectativa de profissionais que aguardavam o lançamento.

“Apresentamos o Eyer no FacoExtrema de 2025 e tivemos uma resposta muito positiva do mercado. Conseguimos construir uma presença relevante no país, o que nos deu segurança para lançar o Eyer2 em tão pouco tempo. Os médicos já vinham pedindo pela tecnologia e, assim que obtivemos a liberação regulatória, fez sentido apresentá-la durante o evento”, afirma o gerente de operações internacionais da Phelcom, Mário Sérgio da Costa.

A Phelcom participou do congresso como expositora, em parceria com seu distribuidor local, a Internacional Óptica. Durante o evento, a empresa também registrou vendas do Eyer2 e novos negócios para os meses seguintes, além de receber profissionais interessados em conhecer a tecnologia de perto.

Exame feito com o Eyer2 durante o FacoExtrema 2026.

Eyer2

Exame de segmento anterior sendo realizado com o Eyer2.

O Eyer2 é uma verdadeira plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem e em poucos segundos.

A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular. 

O equipamento também possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.

Dentre as principais funcionalidades, destacam-se: 

  • Registros com apenas um clique;
  • Ergonomia projetada para proporcionar maior comodidade durante as capturas;
  • Plataforma portátil de imageamento ocular capaz de realizar seis registros em um único equipamento, sem necessidade de midríase;
  • Retinografia colorida de alta qualidade: 55º em uma única imagem para detecção de lesões periféricas na retina;
  • Red free gerado instantaneamente após o registro colorido;
  • Registro de segmento posterior com luz infravermelha, importante para avaliação de áreas mais profundas da retina sem desconforto ao paciente, como diagnóstico de nevus de coróide e olho seco evaporativo;
  • Estereofoto de papila para visualização 3D da escavação;
  • Retinografias panorâmicas com até 120°;
  • Edição e gráficos para análise de cup-to-disk ratio (CDR); 
  • Fotodocumentação em alta definição da superfície ocular para acompanhamento da progressão de patologias;
  • Avaliação e fotodocumentação de lesões de córnea com luz azul cobalto;
  • Mobilidade para atendimento em diversas clínicas, locais remotos que requerem atenção primária e exames em pacientes acamados e recém-nascidos;
  • Possibilidade de integração com o EyerMaps, inteligência artificial que sinaliza em segundos as áreas da retina com possíveis anomalias;
  • Integração com o EyerCloud, plataforma online para gerenciamento dos exames. 

FacoExtrema 2026 

Phelcom apresentou o retinógrafo portátil e eye camera Eyer2 com a inteligência artificial EyerMaps e a plataforma online EyerCloud.

O FacoExtrema nasceu há 15 anos com uma proposta diferente: mostrar, ao vivo e sem edição, como os oftalmologistas enfrentam casos cirúrgicos de alta complexidade. A primeira edição reuniu 60 especialistas em um centro de saúde de Berazategui, na Argentina. Desde então, o encontro cresceu e passou a receber profissionais de diferentes países das Américas e da Europa.

Em 2026, a programação reuniu mais de 5 mil participantes e contou com a presença de especialistas dos Estados Unidos, Itália, Portugal, Espanha e outros países. “De 60 para 5 mil pessoas, foi isso que aconteceu nesses 15 anos”, resume o oftalmologista Gerardo Valvecchia, diretor do congresso e especialista em cirurgia de catarata, alta miopia e transplante de córnea.

A edição deste ano manteve uma das principais características do evento: as transmissões ao vivo e sem cortes de cirurgias reais. Foram mais de 30 procedimentos de retina, catarata e glaucoma, além de outros casos considerados de alta complexidade. A programação também incluiu auditórios simultâneos, exposições comerciais e estações de treinamento cirúrgico.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que compromete severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.  Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

3º De Olhos para o Futuro incentiva projetos que ampliam o acesso à saúde ocular

3º De Olhos para o Futuro incentiva projetos que ampliam o acesso à saúde ocular

Ensinar futuros oftalmologistas, ainda durante a graduação, e ampliar o acesso da população ao diagnóstico precoce de doenças oculares. Esse é o propósito do concurso De Olhos para o Futuro, promovido pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (ABLAO) em parceria com a Phelcom Technologies e com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A iniciativa incentiva estudantes de medicina a desenvolverem projetos de extensão que unem formação acadêmica, inovação tecnológica e impacto social.

Em sua terceira edição, a competição mantém o objetivo de estimular a criação de ações educativas e assistenciais voltadas à prevenção da cegueira causada por doenças do segmento posterior do olho. Para isso, os participantes utilizam recursos como retinógrafos portáteis, telemedicina, inteligência artificial e plataformas digitais de gerenciamento de exames, aproximando os estudantes das tecnologias que já fazem parte da prática oftalmológica.

O lançamento oficial da edição de 2026 aconteceu no dia 5 de março, durante a sessão da ABLAO no 46º SIMASP – O Congresso da Oftalmo da Escola Paulista de Medicina. Além de incentivar projetos com impacto na saúde ocular, o concurso também reforça a produção científica, estabelecendo critérios que permitem a geração de dados padronizados, comparáveis e com potencial para publicação em estudos científicos.

A CCO, Diretora de Marketing e Comercial da Phelcom, Amanda Arthur, durante lançamento do 3º De Olhos para o Futuro.

Dez projetos para transformar ideias em impacto social

Nesta edição, o concurso selecionou dez projetos de extensão desenvolvidos por ligas acadêmicas de oftalmologia de diferentes regiões do país. As propostas abordam diferentes desafios relacionados à saúde ocular, como o rastreamento da retinopatia diabética, o atendimento à população idosa, ações em escolas públicas, triagens em unidades básicas de saúde e o diagnóstico precoce de doenças da retina em diferentes contextos assistenciais.

Para apoiar a execução das atividades, a Phelcom disponibilizou 20 unidades do retinógrafo portátil Eyer, além do acesso ao EyerMaps, recurso de inteligência artificial para detecção de alterações retinianas, e ao EyerCloud, plataforma online para gerenciamento de exames.

Os projetos selecionados foram:

  • De Olho no Diabetes: um dia pela sua saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNIVALI – Itajaí (SC);
  • Monitoramento da evolução da retinopatia diabética em pacientes sob novas terapias sistêmicas: uma abordagem de cuidado integral via teleoftalmologia, da Liga Acadêmica de Oftalmologia Mackenzie (LAOM) – Curitiba (PR);
  • Aplicação do retinógrafo portátil no diagnóstico precoce de emergências neurológicas pediátricas em hospital público 100% SUS, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAO) da UniSul – Tubarão (SC);
  • Implementação de modelo de triagem e navegação assistencial em oftalmologia utilizando retinografia portátil baseada em smartphone em lar de idosos no centro de São Paulo, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP);
  • Visão em Rede, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LAOF) – Araranguá (SC);
  • Rastreamento de doenças do segmento posterior com retinógrafo portátil em população idosa no município de Cascavel, da Liga Acadêmica de Oftalmologia LIOFT – Cascavel (PR);
  • Triagem oftalmológica em pacientes com diabetes mellitus na atenção primária: uso de retinografia portátil para diagnóstico precoce de retinopatia diabética em UBS de Ribeirão Preto, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNAERP (LAÇO) – Ribeirão Preto (SP);
  • Mutirão do diabetes e Feira da Saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás – Goiânia (GO);
  • Triagem de retinopatia diabética em unidades básicas de saúde periféricas: avaliação do impacto do retinógrafo portátil e correlação com inteligência artificial na detecçãoprecoce, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAOFT) – Recife (PE);
  • Avaliação da saúde ocular em escola pública: correlação entre déficit visual e retinografia digital mediada por inteligência artificial, da Liga da Visão – Fortaleza (CE).

Diretoria da ABLAO e participantes das ligas acadêmicas.

Da teoria à prática

Antes do início das atividades de campo, representantes das dez ligas acadêmicas participaram, em 2 de julho, de um treinamento online promovido pela Phelcom. Durante a capacitação, os estudantes receberam orientações sobre a utilização do Eyer, EyerMaps e EyerCloud, além de esclarecerem dúvidas sobre a execução das atividades.

A etapa prática começou em 3 de julho e segue até 30 de setembro.

Os três vencedores serão anunciados durante a sessão da ABLAO no COUSP – Congresso de Oftalmologia da USP, que será realizado de 3 a 12 de dezembro, em São Paulo. Como premiação, cada liga vencedora receberá um Eyer2.

Muito além da competição

Para a diretora de Extensão da ABLAO, Mariana Pasqualin, um dos principais diferenciais do De Olhos para o Futuro é que o impacto dos projetos não termina com o encerramento das ações. Segundo ela, uma iniciativa de extensão bem-sucedida deixa um legado, seja por meio de protocolos que possam ser reproduzidos, pesquisas que gerem novos conhecimentos ou ações que continuem sendo desenvolvidas e aprimoradas.

“Por isso, o concurso se destaca como projeto de extensão. Ele não coloca o acadêmico apenas como alguém que aprende, mas como alguém que transforma ideias em ações para atender necessidades da população, iniciar pesquisas e contribuir para o aprimoramento contínuo da oftalmologia”, afirma.

O presidente da ABLAO, Carlos Augusto Ferraresi Sampaio, destaca que as edições anteriores já demonstraram esse potencial. “Os projetos que mais me marcaram foram justamente aqueles que saíram do convencional, incorporaram uma dimensão científica e conseguiram alcançar populações em situação de maior vulnerabilidade. O grande mérito da iniciativa está em reunir impacto social, formação acadêmica, inovação, produção científica e alcance nacional.”

Segundo Sampaio, a parceria também fortalece a atuação da ABLAO ao conectar ligas acadêmicas de diferentes regiões do país e incentivar o protagonismo dos estudantes. “Durante a graduação, muitas vezes ainda não temos dimensão de todas as oportunidades que estão ao nosso alcance. E o De Olhos para o Futuro é uma delas. Além da competição, o projeto permite que os acadêmicos desenvolvam boas ideias, trabalhem em equipe e contribuam concretamente para a saúde ocular no Brasil.”

Phelcom lança Eyer2 Essential focado em exames de retina e alta portabilidade

Phelcom lança Eyer2 Essential focado em exames de retina e alta portabilidade

A Phelcom lança no segundo semestre de 2026 o Eyer2 Essential, novo integrante da família Eyer2, desenvolvido para a realização de exames de retina. O equipamento foi projetado para reunir alta qualidade de imagem, facilidade de transporte e recursos voltados à documentação do fundo de olho.

O lançamento atende à demanda de profissionais de saúde, como oftalmologistas e médicos de diferentes especialidades, que buscam um equipamento portátil para exames de imagem dedicado à retina com amplo campo de visão, captura de imagens sem necessidade de dilatação da pupila na maioria dos pacientes e recursos alinhados às necessidades da prática clínica.

“O Eyer2 Essential vem preencher o lugar antes ocupado pelo Eyer Retinógrafo Portátil, ou Eyer1, como é conhecido hoje o primeiro equipamento lançado pela Phelcom em 2019 e descontinuado em 2025. Para atender essa demanda, passamos a oferecer o Eyer2 Essential como uma opção com excelente custo-benefício”, ressalta a diretora de Marketing e Comercial da Phelcom, Amanda Arthur.

Retinografia com mobilidade e praticidade

Exame realizado com Eyer2 Essential.

O Eyer2 Essential foi desenvolvido para a documentação da retina por meio da retinografia colorida de alta resolução. O exame permite registrar imagens do fundo de olho para avaliação clínica, acompanhamento dos pacientes e comparação da evolução das alterações ao longo do tempo.

Entre as principais características do equipamento estão o campo de visão de 55°, foco automático, captura de imagens em poucos segundos e operação simplificada. A portabilidade também é um dos destaques: o Eyer2 Essential acompanha uma maleta compacta, com espaço para o retinógrafo e o carregador, facilitando o transporte.

Essas características ampliam as possibilidades de uso em consultórios, atendimentos externos e ações de rastreamento, especialmente em contextos nos quais equipamentos convencionais apresentam limitações de mobilidade.

“A proposta é oferecer os recursos essenciais para a realização de exames de retina, mantendo a facilidade de uso e a qualidade de imagem que caracterizam a linha Eyer2”, afirma Amanda.

O retinógrafo é integrado ao EyerCloud, plataforma online da Phelcom para gerenciamento de exames, que permite armazenar até 10 mil imagens, além de organizar os registros e acessá-los remotamente.

Uma proposta diferente dentro da família Eyer2

Eyer2 Essential faz retinografia colorida em alta resolução.

Embora faça parte da mesma família de equipamentos, o Eyer2 Essential foi desenvolvido com uma proposta diferente da versão completa do Eyer2.

De acordo com Amanda, essa diferenciação amplia as possibilidades de escolha e permite que cada profissional opte pelo modelo mais adequado às necessidades de cada serviço de saúde.

“O Eyer2 é um equipamento mais completo, capaz de realizar exames de segmento anterior e que conta com acessórios como o adaptador para lâmpada de fenda. Já o Essential reúne todos os recursos voltados aos exames de retina e, com menos acessórios e uma maleta mais compacta, oferece maior portabilidade.”

Disponível no Brasil e nos Estados Unidos

Eyer2 Essential reúne alta qualidade de imagem e facilidade de transporte.

O Eyer2 Essential passa a integrar o portfólio da Phelcom no segundo semestre de 2026 e está disponível para aquisição nos mercados brasileiro e norte-americano.

Com o lançamento, a empresa amplia a família Eyer2 com uma versão voltada exclusivamente aos exames de retina, oferecendo uma alternativa para profissionais que priorizam portabilidade sem renunciar à qualidade de imagem e da integração com o EyerCloud.

Sobre a Phelcom

A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.

O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que compromete severamente sua visão desde a infância.

Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.  Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.

Como a retina pode mudar o tratamento do diabetes

Como a retina pode mudar o tratamento do diabetes

O diabetes está entre as doenças crônicas que mais crescem no mundo e representa um dos principais desafios para a saúde pública. No Brasil, 12,9% da população convive com a condição, que pode afetar diversos órgãos e sistemas quando não é adequadamente controlada.

Entre as complicações mais preocupantes está a retinopatia diabética, causada por alterações nos vasos sanguíneos da retina e um dos principais motivos da perda visual evitável em adultos. O problema é que, em muitos casos, ela evolui silenciosamente, sem apresentar sintomas nas fases iniciais.

Nesse cenário, a retinografia tem se consolidado como uma importante aliada na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento da saúde ocular de diabéticos. Ao permitir a visualização detalhada da retina, o exame auxilia na identificação de alterações antes mesmo de comprometer a visão.

Para a endocrinologista e oftalmologista Flávia Godinho, acompanhar a saúde dos olhos deve fazer parte da rotina de cuidado dos pacientes com diabetes. “A incorporação da retinografia à prática clínica tem potencial para mudar condutas, ampliar a adesão ao tratamento e impactar diretamente o prognóstico e a qualidade de vida dessas pessoas”, ressalta.

A analista comercial da Phelcom, Daniele Oliveira, a oftalmologista e endocrinologista Flávia Godinho e a analista de pós-venda da Phelcom, Maiara Guiliano, durante o evento Diabetes 360º, realizado de 29 a 31 de maio, em São Paulo (SP).

Além da glicemia

Um dos aspectos menos conhecidos do tratamento do diabetes é que nem sempre reduzir a glicemia o mais rápido possível é a melhor estratégia. Em pessoas que já apresentam retinopatia diabética, uma queda muito brusca dos níveis de açúcar no sangue pode agravar temporariamente as lesões na retina e aumentar o risco de perda visual.

Flávia explica que é justamente nesse contexto que a retinografia se torna uma ferramenta fundamental para orientar a conduta médica. “Precisamos entender primeiro como está a retina para definir a velocidade e a segurança desse controle glicêmico”, afirma.

A médica relembra um caso que ilustra bem essa situação. “Já tive paciente que chegou ao consultório dizendo: ‘doutora, quando minha glicose era 400 eu enxergava tudo. Agora que ela está em 110, estou praticamente cega. O que aconteceu?’. E o que havia mudado foi justamente o início do tratamento do diabetes”, conta.

Segundo ela, em alguns casos, pode ser necessário até um ano para reduzir a glicose de forma segura. “Fazemos isso gradualmente, acompanhando com exames de retina e em conjunto com o oftalmologista. Se percebemos qualquer sinal de piora, desaceleramos o processo e reavaliamos a estratégia.”

Nesse cenário, a retinografia ajuda o endocrinologista a equilibrar dois objetivos igualmente importantes: controlar a doença e preservar a visão.

Diabetes e caneta emagrecedora

O debate sobre a relação entre diabetes e caneta emagrecedora ganhou força nos últimos anos com a popularização de medicamentos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Embora essas medicações tenham demonstrado benefícios importantes no controle glicêmico e na perda de peso, a especialista alerta para a necessidade de acompanhamento médico.

“Não existe comprovação científica de que causem alterações visuais ou levem à cegueira. O problema é quando o paciente com diabetes reduz a glicose muito rapidamente e já possui uma retinopatia instalada”, explica.

Flávia observa que esse cuidado vale não apenas para as chamadas canetas emagrecedoras, mas para qualquer estratégia capaz de provocar uma queda acentuada da glicemia, como insulina, determinados medicamentos orais, dietas muito restritivas ou jejum prolongado. “Em alguns casos, o oftalmologista enfrenta grande dificuldade para controlar a progressão da retinopatia diabética depois que esse processo é iniciado”.

Por isso, a avaliação da retina antes e durante o tratamento pode fazer diferença. “A retinografia é um exame simples, não invasivo e que pode mudar completamente a forma como conduzimos o tratamento”, pontua.

A endocrinologista lembra que as consequências da perda visual vão muito além da saúde ocular. “Estamos falando de independência, qualidade de vida, capacidade de trabalhar e de realizar atividades simples do dia a dia. Quando conseguimos identificar o risco antecipadamente, temos a oportunidade de proteger a visão e mudar o prognóstico dessa pessoa para o resto da vida”.

Uma janela para a saúde

Endocrinologista Flávia Godinho em palestra no evento Diabetes 360, que ocorreu de 29 a 31 de maio, em São Paulo

Em palestra no evento Diabetes 360º, realizado de 29 a 31 de maio, em São Paulo (SP), a médica Flávia Godinho abordou o papel da retinografia na prática clínica do endocrinologista.

Além da identificação da retinopatia diabética, a médica ressalta que a retinografia oferece informações valiosas sobre a saúde vascular do organismo e pode ajudar a detectar sinais precoces de diversas doenças antes mesmo do surgimento de sintomas.

“Muitas dessas alterações aparecem primeiro nos pequenos vasos. E a retina é o único local do corpo onde conseguimos visualizar diretamente vasos sanguíneos e capilares sem procedimentos invasivos. Isso nos permite observar modificações relacionadas à hipertensão, aterosclerose, inflamações e outras condições que afetam a microcirculação”, esclarece.

Segundo a especialista, esse é um aspecto que ainda recebe pouca atenção na prática clínica. “Frequentemente avaliamos sono, alimentação, atividade física e diversos outros aspectos da saúde, mas os olhos acabam ficando em segundo plano. No entanto, eles podem fornecer informações extremamente importantes sobre o estado geral do paciente”.

Flávia também lembra que o endocrinologista acompanha uma população frequentemente exposta a doenças associadas ao envelhecimento. Nesses casos, a observação da retina pode auxiliar na identificação precoce de condições como glaucoma, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e outras doenças oculares potencialmente graves.

“Quando incorporamos a avaliação da retina ao acompanhamento de rotina, conseguimos identificar problemas mais cedo e encaminhar o paciente para o tratamento adequado antes que ocorram perdas irreversíveis. O olho tem muito a agregar à endocrinologia”, acredita.

Uma nova ferramenta para o endocrinologista

Flávia observa que a retinografia ainda é um exame pouco explorado fora da oftalmologia, principalmente porque muitos especialistas não receberam treinamento específico para avaliar o fundo de olho durante a formação médica.

Nesse contexto, tecnologias como o retinógrafo portátil Eyer2 podem facilitar a incorporação desse cuidado ao consultório. “O Eyer torna esse exame muito mais acessível para o endocrinologista. A captura das imagens é simples, rápida e pode ser realizada por profissionais de saúde treinados. Em poucos instantes, o médico já tem acesso às imagens e consegue discutir os achados com o paciente durante a própria consulta”, ressalta.

O Eyer2 captura imagens de alta definição dos segmentos anterior e posterior do olho em poucos minutos e sem necessidade de midríase. Integrado ao EyerCloud, plataforma online de gerenciamento de exames, permite armazenar, acessar e acompanhar as imagens ao longo do tempo. Já a inteligência artificial EyerMaps auxilia na identificação de possíveis alterações retinianas, funcionando como apoio à avaliação clínica.

Além do apoio clínico, a visualização das imagens também fortalece o vínculo entre médico e paciente. “Quando mostramos a imagem e comparamos com uma retina saudável, ele entende o que está acontecendo. Isso desperta um interesse maior pelo tratamento e pelo acompanhamento oftalmológico”.

Imagem de retina com retinopatia diabética capturada pelo retinógrafo portátil Eyer.

Imagem de retina com retinopatia diabética capturada pelo retinógrafo portátil Eyer.

Retinografia realizada com o retinógrafo portátil Eyer. A IA EyerMaps destaca as regiões com possíveis alterações associadas à retinopatia diabética.

Saúde pública

A incorporação de tecnologias de imagem à atenção primária e ao acompanhamento de pacientes crônicos pode representar um avanço importante para a saúde ocular no Brasil, especialmente diante dos desafios de acesso ao atendimento oftalmológico especializado no sistema público.

De acordo com Flávia, uma das principais vantagens do Eyer está na possibilidade de realizar uma triagem rápida e acessível diretamente nos serviços de saúde que já acompanham pacientes com diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas, como o Programa Hiperdia. “Muitas vezes, o paciente leva meses ou até mais de um ano para conseguir uma consulta com o oftalmologista. Enquanto isso, a doença continua evoluindo. Ter acesso à imagem da retina no próprio local de atendimento pode ajudar a identificar quem realmente precisa de encaminhamento prioritário”, afirma.

A especialista destaca que essa necessidade se torna ainda mais evidente no acompanhamento de pessoas com diabetes avançado, já que a definição da velocidade ideal para o controle glicêmico depende justamente da avaliação da retina. “O Eyer é uma ferramenta que pode contribuir muito para a prevenção e para uma gestão mais eficiente da saúde pública”, conclui.

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