Uma pesquisa apresentada na conferência anual da Sociedade Europeia de Genética Humana, em Viena, na Áustria, conseguiu prever o risco de um infarto ao analisar a retina do paciente por meio de exames oftalmológicos. O estudo foi feito pela Universidade de Edimburgo, na Escócia.
O modelo, que antecipou em um ano o diagnóstico de infarto do miocárdio, alcançou precisão entre 70% e 80%. O trabalho foi publicado na revista Nature.
Porém, este novo estudo da Escócia teria criado um método mais eficiente e preciso, segundo os pesquisadores. Isso porque calcula a possibilidade de doença arterial coronariana (DAC) ao analisar os vasos sanguíneos presentes na retina e informações médicas e genéticos do paciente.
Em seguida, entenda como foi feito o novo estudo, os resultados e como olhos e infarto podem estar ligados.
Olhos e infarto: a pesquisa
Os cientistas avaliaram dados de imagens de retina de mais de 500 mil pacientes disponíveis no UK Biobank, banco de dados de saúde do Reino Unido. Com isso, descobriram que a dimensão fractal mais baixa dos vasos sanguíneos nos olhos estava relacionada à doença arterial coronariana e, logo, ao infarto.
Em seguida, desenvolveram uma Inteligência Artificial (IA) que consegue prever o risco de infarto ao analisar imagens das retinas de pacientes que já sofreram um ataque cardíaco, somado à avaliação de informações clínicas e genéticas. Neste sentido, a tecnologia também inclui idade, sexo, pressão arterial, índice de massa corporal e tabagismo.
Os cientistas já haviam identificado anteriormente nove regiões genéticas que conduzem os padrões de ramificação vascular da retina. Dessas, quatro estão envolvidas em doenças cardiovasculares. Por isso, ao incluir dados médicos e genéticos, a IA alcançou resultados mais precisos e eficientes.
Olhos e infarto: os resultados
A técnica apresentou melhor precisão ao ser empregada mais de cinco anos antes do risco de infarto. Hoje, a idade média para ataque cardíaco é de 60 anos. Com isso, já pode ser utilizada a partir dos 50 anos.
Embora os pesquisadores soubessem que as variações na vasculatura da retina estavam associadas ao estado de saúde de um indivíduo, seus resultados convincentes foram uma surpresa. “Houve várias tentativas de melhorar os modelos preditivos de risco de DAC e infarto agudo do miocárdio (IAM) levando em consideração os traços vasculares da retina, mas estes não mostraram melhora significativa quando comparados com os modelos estabelecidos. No nosso caso, descobrimos que a definição clínica de IMA é central para o desenvolvimento bem-sucedido de modelos preditivos, sustentando a necessidade de desenvolver definições robustas de doenças em grandes estudos como o UKB. Assim que validamos nossa definição de IMA, descobrimos que nosso modelo funcionou extremamente bem”, disse Villaplana-Velasco.
Dessa forma, exames de retina simples podem auxiliar no diagnóstico precoce para o risco aumentado de IAM. Atualmente, as doenças do coração são diagnosticadas por ecocardiograma ou ressonância magnética, exames com custos muito mais altos em comparação à fundoscopia, por exemplo. Além disso, a doença foi responsável por 30% dos óbitos no Brasil no último ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
“Isso permitiria aos médicos sugerir comportamentos que podem reduzir o risco, como parar de fumar e manter o colesterol e a pressão arterial (em níveis) normais”, explica a pesquisadora da Universidade de Edimburgo, e apresentadora do estudo, Ana Villaplana-Velasco, em comunicado.
Isso porque os pesquisadores acreditam que é possível que cada condição possa ter um perfil único de variação da retina. “Gostaríamos de investigar isso mais a fundo, além de realizar uma análise específica do sexo. Sabemos que mulheres com maior risco de IAM ou DAC tendem a apresentar desvios vasculares retinianos pronunciados quando comparadas à população masculina. Gostaríamos de repetir nossa análise separadamente em homens e mulheres para investigar se um modelo específico de sexo para IAM completa uma melhor classificação de risco”, diz Villaplana-Velasco.
Fonte: O Globo
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
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No início de 2020, o projeto Nestor (Neuronal Stimulation for Recovery of Function) conseguiu recuperar parte da visão de uma paciente cega por meio de um óculos conectado ao cérebro.
Dois anos depois, o consórcio constituído por cientistas de diversos institutos e responsável pelo projeto divulgou novos avanços. Em seguida, entenda melhor como a neuroprótese pode restaurar a visão de deficientes visuais.
A pesquisa
Pesquisadores de diversos institutos, como o Instituto Holandês de Neurociência, a Universidade de Twente, a Universidade Radboud, a Universidade de Maastricht e a Universidade de Tecnologia de Eindhoven, desenvolveram um óculos capaz de transmitir imagens para o cérebro em pacientes cegos e, dessa forma, permitir que eles pudessem enxergar.
Para isso, o equipamento possui uma câmera que tira fotos e as envia para serem processadas por um pequeno computador, instalado na parte de trás do pescoço. Depois, as informações são transmitidas sem fio para um chip implantado no cérebro através de uma combinação de ondas de rádio, parecido com Wi-Fi e Bluetooth.
O chip cerebral tem 1.024 eletrodos que enviam sinais elétricos para diferentes áreas do córtex visual, criando percepções visuais artificiais, mesmo quando há danos extensos ao olho ou ao nervo óptico.
O método é similar aos sinais naturais que os olhos mandam para o córtex visual.
Resultados
Foto: Imagem: Divulgação/Eduardo Fernández Jover
Esse novo chip ainda não foi testado em humanos, mas os experimentos de laboratório e em macacos têm alcançado resultados promissores. Por exemplos, os primatas conseguiram reconhecer formas, objetos em movimento e linhas.
Contudo, é necessário aumentar a quantidade de eletrodos para que humanos possam enxergar com uma qualidade razoável. Outro empecilho no momento é que o chip funciona com uma corrente elétrica 1 miliwatt. Outras pesquisas que implantaram chips similares causaram ataques epiléticos conforme a eletricidade passava pelo crânio.
Além de recuperar parte da visão, um dos objetivos da tecnologia ser sem fio é diminuir o risco de possíveis infecções no cérebro.
De fato, há outros estudos nessa área. Porém, esse é o primeiro a não usar os olhos e nervos ópticos para o paciente voltar a enxergar. Nesta pesquisa, os cientistas levaram em consideração que muitas lesões ocorrem no sistema nervoso que conecta a retina. Ou seja, não necessariamente no globo ocular. Dessa forma, a tecnologia agirá diretamente no cérebro.
A expectativa da empresa é que a tecnologia esteja pronta para uso em massa por pacientes cegos em 10 anos.
Fonte: O Globo
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Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos conseguiu reviver células sensíveis à luz em olhos de doadores, cedidos minutos depois do óbito, e restauraram a comunicação entre essas células. A descoberta, publicada na revista Nature, pode transformar a pesquisa sobre o cérebro e a visão.
Em seguida, entenda como o estudo utilizou a retina como modelo do sistema nervoso central para investigar como os neurônios morrem e novos métodos para “ressuscitá-los”.
A pesquisa
Os cientistas conseguiram despertar células fotorreceptoras na mácula humana em olhos obtidos até cinco horas após a morte. Essas células responderam à luz brilhante, luzes coloridas e até mesmo flashes de luz muito fracos.
Enquanto os experimentos iniciais reviveram os fotorreceptores, as células pareciam ter perdido a capacidade de se comunicar com a retina. Então, os pesquisadores identificaram a privação de oxigênio como o fator crítico da perda de comunicação.
Para superar esse desafio, a equipe avaliou tecidos até 20 minutos após a morte. Simultaneamente, projetaram uma unidade de transporte especial para restaurar a oxigenação e outros nutrientes para os olhos do doador de órgãos e também um dispositivo para estimular a retina e medir a atividade elétrica de suas células.
Os resultados
Com essa abordagem, os cientistas conseguiram restaurar um sinal elétrico específico visto em olhos vivos: a “onda b”. É a primeira gravação de “onda b” feita a partir da retina central de olhos humanos post mortem.
“Estudos anteriores restauraram uma atividade elétrica muito limitada em olhos de doadores de órgãos, mas isso nunca foi alcançado na mácula, e nunca na medida que demonstramos agora”, explica um dos responsáveis pelo estudo, o cientista Frans Vinberg.
A pesquisa já forneceu dados de mais de 40 olhos de doadores humanos, incluindo a primeira descrição de um mecanismo que deve limitar a velocidade da visão central humana.
Esses mecanismos podem ser usados para estudar outros tecidos neuronais no sistema nervoso central. Sem dúvida, é um avanço técnico transformador que pode ajudar a desenvolver uma melhor compreensão das doenças neurodegenerativas, incluindo as que causam cegueira relacionada à hipoxia macular, como nos descolamentos de retina.
Vinberg aponta que essa abordagem pode reduzir os custos de pesquisa em comparação com a realiza em primatas não humanos e a dependência de modelos animais que produzem resultados que nem sempre se aplicam a humanos. Embora os camundongos sejam comumente usados na pesquisa da visão, eles não têm mácula. Os pesquisadores também podem testar novas terapias em potencial nas células do olho humano, acelerando o desenvolvimento de medicamentos.
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Acompanhe o blog da Phelcom e fique por dentro das principais novidades sobre possíveis novos tratamentos para catarata.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), 47% dos brasileiros de 65 a 74 anos possuem catarata. Atualmente, essa doença é responsável por 48% dos casos de cegueira no Brasil, segundo a SBO.
Mesmo sendo curável, a falta de acesso à saúde de qualidade afeta o diagnóstico precoce e o tratamento. Hoje, o problema é resolvido apenas com cirurgia, dependendo da gravidade do caso.
Em seguida, saiba mais sobre a pesquisa, os resultados e como o possível novo tratamento para catarata pode ajudar milhões de pacientes que sofrem com o problema no mundo todo.
Novo tratamento para catarata: pesquisa e resultados
Os cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, fizeram testes ópticos avançados em um composto de oxisterol que havia sido proposto como uma droga anticatarata. Notou-se uma melhora ótica na transparência do cristalino, nossa lente intraocular.
O tratamento com o composto de oxisterol VP1-001 demonstrou essa melhora em 61% das lentes. Dessa forma, a organização proteica da lente parece estar sendo restaurada, resultando em uma melhor qualidade de foco da lente. Isso foi apoiado por uma redução estatística na opacidade da lente em 46% dos casos.
“Este estudo mostrou os efeitos positivos de um composto que foi proposto como uma droga anticatarata, mas nunca antes testado em a ótica da lente. É a primeira pesquisa desse tipo no mundo”, afirmou a líder do estudo, a professora Barbara Pierscionek.
“Isso mostrou que há uma diferença notável e melhora na ótica entre os olhos com o mesmo tipo de catarata que foram tratados com o composto em comparação com aqueles que não foram. Ocorreram melhorias em alguns tipos de catarata, mas não em todos, indicando que este pode ser um tratamento para cataratas específicas. Isso sugere que pode ser necessário fazer distinções entre os tipos de catarata ao desenvolver medicamentos anticatarata. É um passo significativo na direção de tratar essa condição extremamente comum com drogas em vez de cirurgia”, ressaltou.
A tradução desses estudos feitos para pacientes ainda depende de muitos testes clínicos, porém existe uma expectativa de que o melhor entendimento e manipulação à nível molecular reduza a necessidade de procedimentos invasivos em um futuro não tão distante.
Fonte: Revista Planeta
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Sem dúvida, o diagnóstico de Alzheimer é um desafio. Isso porque alguns procedimentos que podem detectar sinais da doença apresentam altos custos, como imagens do cérebro, ou até sérios riscos. Desse modo, é muito difícil utilizar esses meios para realizar a triagem de milhões de pessoas.
Por causa disto, atualmente o diagnóstico ocorre por meio de testes de memória ou alterações comportamentais do paciente. Mas, infelizmente, esses indícios só surgem quando o quadro já está avançado.
Embora não exista cura, a detecção na fase inicial auxiliaria na busca por novos tratamentos que retardem a progressão do distúrbio. Isso é apenas um benefício dentre tantos outros que poderia acarretar.
Em seguida, entenda como funciona a tecnologia, que ainda está na fase de testes, e como pode representar um grande avanço no diagnóstico precoce do Alzheimer.
Como funciona
Por meio da tecnologia de reconhecimento facial do celular, o aplicativo realiza o mapeamento da pupila para verificar sua dimensão milimetricamente. Para isso, usa sensor de infravermelho para calcular o tamanho e, em seguida, faz uma foto colorida do olho por meio de selfie. A câmara também checa a distância entre o celular e o paciente.
A experiência é a mesma de um pupilômetro. Diversos trabalhos anteriores apontaram que as medidas da pupila podem fornecer dados sobre possíveis problemas neurológicos.
Um diagrama do fluxo da aquisição de dados para os dados finais. Um usuário autoadministra um teste de resposta da pupila e, em seguida, os dados são coletados fora do dispositivo para calcular a distância e o diâmetro da pupila. O resultado final é mostrado na extrema direita. Crédito: Laboratório de Saúde Digital
Resultados
Os resultados do teste alcançaram parâmetros próximos aos exames de diagnóstico usados atualmente. Porém, são realizados por meio de equipamentos especializados e caros. Já o aplicativo pode ser uma solução mais econômica e viável.
Isso porque o próprio paciente poderá realizar o exame na sua casa desde que possua um celular compatível com a nova ferramenta. Hoje, a maioria dos novos celulares estão aptos para receber o aplicativo.
Outra finalidade pode ser medir o nível de consciência de pacientes em coma ou que sofreram traumas cranianos. A tecnologia também poderá ser utilizada em larga escala em exames comunitários.
Como os idosos são os que mais sofrem com a doença, a ferramenta oferece mecanismos de comando de voz e orientações com base em imagens. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima 35 milhões de pessoas com 65 anos ou mais com Alzheimer. Só no Brasil, a Associação Brasileira de Alzheimer fala em 1 milhão de pacientes.
Próximos passos
Agora, os pesquisadores planejam abranger pacientes com déficit cognitivo leve para verificar a praticidade e funcionalidade do aplicativo.
Sem dúvida, a tecnologia pode permitir que problemas neurológicos sejam identificados já na fase inicial, além de ocorrer de forma rápida, não invasiva e com custo baixo. Mais testes nos dirão da aplicabilidade no cotidiano das pessoas sobre esses incríveis avanços.
Desse modo, pode alcançar uma busca realizada há décadas pela medicina: o diagnóstico precoce do Alzheimer.
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
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Há anos, vários relatos de casos e pequenos estudos epidemiológicos quantificam o risco de eventos adversos oculares associados ao uso de remédios para disfunção erétil.
Agora, uma pesquisa da Universidade da Columbia Britânica (UBC), no Canadá, aponta que a utilização de inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5Is) pode aumentar em até 85% o risco de doenças oculares graves. Inclusive, problemas que podem causar cegueira. O estudo foi publicado na revista JAMA Ophthalmology.
Em seguida, entenda como foi feita o estudo, os resultados e as hipóteses levantadas de como esses remédios para disfunção erétil podem aumentar o risco de doenças oculares.
A pesquisa
A pesquisa levantou informações de planos de saúde de 213 mil homens nos Estados Unidos no período entre 2006 e 2020. Esses pacientes não haviam informado problemas de visão um ano antes de ingerirem regularmente os remédios para disfunção erétil que incluíam sildenafil, tadalafil, vardenafil e avanafil.
Depois, os pesquisadores compararam os dados sobre quantos desses indivíduos desenvolveram uma ou mais condições após o uso dos medicamentos e quantos permaneceram sem distúrbios.
Os resultados
O risco para descolamento de retina aumentou 2,5 vezes; o para oclusão venosa da retina (OVR), 1,4 vezes e o para neuropatia óptica isquêmica (NOIA), 2,2 vezes. Atualmente, a oclusão venosa da retina é uma das principais causas de cegueira no mundo. A neuropatia óptica isquêmica também pode provocar perda súbita de visão.
Os pacientes que apresentaram esses problemas tinham também, como doenças relacionadas mais frequentes, hipertensão, diabetes, doença arterial coronariana e apneia do sono.
“Estas são condições raras, e o risco individual de desenvolver uma delas permanece muito baixo para qualquer usuário. No entanto, o grande número de prescrições realizadas a cada mês nos EUA – cerca de 20 milhões – significa que um número significativo de pessoas pode ser afetado. Os usuários regulares desses medicamentos que percebem alguma alteração na visão devem levar isso a sério e procurar atendimento médico”, afirma em comunicado o professor do departamento de oftalmologia e ciências visuais da Faculdade de Medicina da UBC, Mahyar Etminan.
O trabalho constatou uma conexão estatística entre a utilização regular dos remédios e o aumento no risco de doenças. Entretanto, não elucidou precisamente o mecanismo que causa esse crescimento. Mas, os pesquisadores levantaram algumas hipóteses.
“Esses medicamentos tratam a disfunção erétil melhorando o fluxo sanguíneo na área, mas sabemos que eles também podem dificultar o fluxo sanguíneo em outras partes do corpo. Então, embora nosso estudo não prove causa e efeito, existe um mecanismo pelo qual esses medicamentos podem levar a esses problemas. A totalidade das evidências aponta para um vínculo forte”, observou Etminan.
Fonte: O Globo
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