A Phelcom Technologies lançou seu mais novo serviço: o Phelcom AI Assistant, que amplia as possibilidades de uso da inteligência artificial na avaliação da retina ao reunir os achados identificados nas imagens e apresentar possíveis hipóteses diagnósticas em relatórios visuais.
O lançamento ocorreu durante o Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO) 2026, realizado de 8 a 11 de setembro, em Salvador (BA). O serviço complementa a análise oferecida pelo EyerMaps, que identifica e destaca regiões com possíveis alterações retinianas.
A análise é realizada em tempo real, permitindo visualizar os resultados instantaneamente no Eyer2, retinógrafo portátil da Phelcom. O AI Assistant também está integrado ao EyerCloud, plataforma em nuvem que permite armazenar, gerenciar e acessar os exames realizados.
“A proposta é facilitar a interpretação dos achados e apoiar o oftalmologista na avaliação dos exames, mantendo a confirmação diagnóstica e a definição da conduta clínica sob responsabilidade do especialista”, explica o CEO da Phelcom, José Augusto Stuchi.
Desempenho na identificação de alterações retinianas
Na análise da retinopatia diabética, o Phelcom AI Assistant apresenta sensibilidade e especificidade superiores a 90%. Para outras alterações retinianas, incluindo as maculares, vasculares, pigmentares e do nervo óptico, os indicadores são de 85% de sensibilidade e 99% de especificidade.
Esses indicadores estão relacionados a pesquisas sobre inteligência artificial aplicada à análise de imagens da retina, realizadas ao longo de cinco anos e envolvendo diferentes populações brasileiras. Nesse período, dezenas de publicações independentes contribuíram para a avaliação da tecnologia.
Entre as iniciativas está o mBRSET, conjunto público de dados composto por 5.164 imagens de retina de 1.291 pacientes, capturadas durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna (BA), em 2022. Publicada na revista Scientific Data, do grupo Nature, a base foi a primeira a reunir imagens de retina obtidas com uma câmera portátil, contribuindo para ampliar a representatividade de dados brasileiros em pesquisas e para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial na oftalmologia.
Lançamento destacou aplicação da IA na rotina clínica
Oftalmologista Caio Regatieri fez palestra silenciosa sobre o uso do Phelcom AI Assistant na prática clínica no CBO 2026.
O lançamento do Phelcom AI Assistant contou com uma palestra do oftalmologista Caio Regatieri, professor do Departamento de Oftalmologia e chefe do setor de retina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Ele compartilhou sua experiência com o uso da inteligência artificial multiclasse para otimizar o fluxo de atendimento na prática clínica.
Regatieri abordou os desafios do modelo tradicional de avaliação da retina, que exige a análise manual de um grande volume de exames. Como muitos apresentam resultados normais, uma parcela significativa do tempo do especialista é dedicada a avaliações que não exigem intervenções complexas, o que reduz a disponibilidade para analisar casos que demandam maior atenção.
A integração do EyerMaps ao fluxo de atendimento busca agilizar essa etapa. O exame é realizado no consultório com o retinógrafo portátil Eyer2, sem necessidade de dilatação da pupila na maioria dos casos. Em seguida, a IA analisa a imagem em tempo real e classifica o resultado, auxiliando na identificação dos exames que requerem avaliação especializada.
O oftalmologista ressaltou, porém, que a IA atua como ferramenta de apoio à triagem e não substitui a revisão médica. Cabe ao especialista avaliar os achados, confirmar o diagnóstico e definir a conduta adequada para cada paciente.
Resultados na prática clínica
Durante a apresentação, Regatieri também compartilhou dados de um estudo realizado em seu consultório, com 305 pacientes atendidos consecutivamente. A análise registrou sensibilidade geral de 84% e especificidade de 93,4%. Não foram identificados casos com alterações que ameaçassem a visão entre os resultados falso-negativos.
“Os resultados falso-negativos estavam relacionados, em sua maioria, a drusas, depósitos que podem se formar sob a retina e que, neste estudo, não apresentavam alterações ameaçadoras à visão. O levantamento também apontou uma redução de 75% no tempo dedicado à revisão dos exames e à elaboração dos laudos”, destacou Regatieri.
Relatórios também pensados para os pacientes
CEO da Phelcom, José Stuchi, apresentou o AI Assistant durante o CBO 2026.
Ao final da apresentação, Stuchi apresentou o AI Assistant e destacou a proposta de tornar as informações dos exames mais acessíveis aos profissionais de saúde e aos pacientes.
Além de reunir os achados identificados pela inteligência artificial, o serviço gera relatórios visuais com linguagem simples para facilitar a compreensão dos resultados e ajudar o paciente a entender as orientações recebidas durante a consulta.
“O Phelcom AI Assistant foi pensado para apoiar o médico na análise dos exames, mas também para aproximar essas informações do paciente. Queremos que ele compreenda melhor o que foi identificado na retina e as orientações do profissional, contribuindo para aumentar a adesão ao tratamento. Por isso, o relatório combina recursos visuais e linguagem simples, facilitando a comunicação entre médico e paciente”, explicou Stuchi.
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