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Olhos e covid-19: pela primeira vez, estudo relaciona neuropatia corneana ao novo coronavírus
abril 20, 2022
Gabriela Marques

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Saiba mais como foi feita a pesquisa, os resultados e quais serão os próximos passos do estudo.
olhos e covid-19

Cientistas do mundo todo continuam buscando entender como o novo coronavírus (SARS-Cov-2) afeta o organismo. Em relação aos olhos, desde o surgimento da pandemia, já foram relatadas alterações na conjuntiva, esclera, retina e a presença do vírus nas lágrimas.

Agora, uma nova pesquisa relacionou, pela primeira vez, a infecção por Sars-CoV-2 à neuropatia de pequenas fibras da superfície ocular. Os sintomas e achados são semelhantes à síndrome do olho seco e à neuropatia diabética. O estudo, realizado na Espanha, foi publicado recentemente na revista The Ocular Surface.

Em seguida, saiba mais como foi feita a pesquisa, os resultados e quais serão os próximos passos para entender melhor sobre olhos e covid-19.

 

Olhos e covid-19: a pesquisa

 

Os pesquisadores recrutaram 23 pacientes que foram contaminados anteriormente pelo SARS-Cov-2 e 46 voluntários não infectados para compor o grupo de controle.

Todos os indivíduos foram examinados com microscopia confocal in vivo para obter imagens de fibras nervosas subbasais da córnea. O objetivo era estudar a presença de estruturas semelhantes a neuroma, esferas axonais e células dendríticas.

O questionário Ocular Surface Disease Index (OSDI) e o teste lacrimal de Schirmer foram usados ​​como indicadores para avaliar síndrome do olho seco e a doença de superfície ocular.

 

Olhos e covid-19: os resultados

 

Em relação ao grupo infectado anteriormente com o novo coronavírus, 91,31% dos pacientes apresentaram alterações do plexo subbasal corneano e tecido corneano compatível com neuropatia de fibras finas. Já oito relataram aumento da sensação de secura ocular após a doença e apresentaram indicadores de síndrome de olho seco.

Axônios em contas foram encontrados em 82,60% dos casos, principalmente em pacientes com sintomas de irritação ocular. Imagens semelhantes a neuroma foram encontradas em 65,22% dos pacientes, mais frequentemente naqueles com escores OSDI >13. Células dendríticas foram encontradas em 69,56% dos pacientes e foram mais frequentes em pacientes assintomáticos mais jovens.

A presença de alterações morfológicas em pacientes até 10 meses após a recuperação da infecção por Sars-CoV-2 aponta para a natureza crônica da neuropatia.

Sobre o grupo de controle, ​​não foram encontrados danos significativos nas fibras nervosas ou no tecido da córnea. Somente em 4% foram identificados neuromas.

 

olhos e covid-19

Fig. 2 . IVCM captura de indivíduos saudáveis ​​e pacientes que superaram a infecção por COVID19, mostrando sinais morfológicos típicos de neuropatia de fibras pequenas .

 

Conclusão

 

O estudo é o primeiro relato de neuropatia induzida por Sars-CoV-2 na superfície ocular. A infecção viral causa axonopatia das fibras sensoriais que se torna crônica após a recuperação dos pacientes.

As alterações morfológicas encontradas em córneas de pacientes com covid-19 são semelhantes às encontradas em córneas diabéticas e com síndrome do olho seco. Além disso, são acompanhadas de perda funcional e alteração da sensibilidade.

Esses pacientes também sofrem dor e desconforto consistentes com os sintomas da síndrome do olho seco.

 

Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.

 

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