Do conceito à consolidação: o design por trás do Eyer

março 4, 2026
Gabriela Marques

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Conheça a trajetória do produto que aliou ergonomia, inteligência de projeto e visão global para redefinir a retinografia portátil.

No fim de 2017, o designer industrial Peter Martins von Zweigbergk recebeu uma ligação que marcaria o início de uma longa parceria com a recém-fundada startup Phelcom Technologies.

Do outro lado da linha estava o CEO e cofundador da Phelcom, José Augusto Stuchi, convidando-o a colaborar no desenvolvimento de um novo produto. Von Zweigbergk já conhecia Stuchi e os outros dois co-fundadores, Diego Lencione e Flávio Pascoal Vieira, de experiências profissionais anteriores.

“Duas coisas me motivaram a aceitar o convite: meu interesse por startups e o fato de o produto ser extremamente interessante, um retinógrafo portátil capaz de capturar imagens de alta qualidade em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila”, relembra. Além disso, a afinidade com a área médica reforçou sua decisão. “É um setor que exige responsabilidade, mas também oferece a oportunidade de gerar impacto real.”

Antes de qualquer desenho ou ajuste técnico, o designer propôs um workshop estratégico. O objetivo era compreender não apenas o estágio do protótipo existente, mas também a visão de futuro da empresa.

Von Zweigbergk questionou posicionamento, estratégia e até mesmo o nome do produto, que era outro na época. “Se é para construir uma marca forte, precisamos pensar nisso agora.” A partir dessas discussões surgiu o nome Eyer, consolidando não apenas um produto, mas uma identidade.

Segundo ele, aquele momento foi decisivo para transformar um protótipo promissor em um produto preparado para o mercado. A tecnologia já era reconhecida pela qualidade das imagens, mas havia a percepção de que o equipamento precisava evoluir em acabamento, posicionamento e coerência de marca.

Do conceito ao produto: os bastidores do design do Eyer

Contratado para liderar o design do produto, Von Zweigbergk sabia que o desafio ia muito além da estética. Era necessário considerar a funcionalidade, a ergonomia, a integração ao ecossistema tecnológico e, principalmente, a experiência de uso.

Após o workshop estratégico inicial, a equipe solicitou que ele apresentasse propostas de conceito. Foi nesse momento que surgiu a ideia de uma arquitetura inspirada no uso do próprio smartphone, com uma pegada mais integrada e intuitiva. A proposta rompia com modelos tradicionais de retinógrafos e apostava em uma forma de manuseio mais alinhada à realidade do usuário.

Os primeiros conceitos foram levados para testes em hospitais. “No começo, as pessoas estranharam. Um retinógrafo que se segurava como um celular era algo novo. Mas justamente por isso fomos testar: queríamos avaliar se era confortável, se o profissional conseguiria segurar com firmeza, apertar o botão com o polegar e capturar a imagem com estabilidade”, recorda. 

O ritmo de desenvolvimento foi intenso. O workshop aconteceu no início de dezembro e os primeiros protótipos estavam prontos no final de janeiro. Nos meses seguintes, a equipe se dedicou ao refinamento do conceito e ao detalhamento mecânico e eletrônico.

Primeiros protótipos do retinógrafo portátil Eyer.

Entre os desafios técnicos mais relevantes estava a questão da bateria. O primeiro protótipo dependia de uma bateria interna extra, o que poderia gerar limitações logísticas, especialmente para equipamentos armazenados por longos períodos. A solução surgiu, em parte, com a adoção de uma tecnologia que começava a se popularizar naquele momento: o padrão USB-C.

A questão, daí para frente, passou a ser, como carregar a bateria do celular por meio do sistema eletrônico da Phelcom. Foi ao observar o funcionamento de um acessório do seu laptop que Von Zweigbergk percebeu que poderia adotar uma tecnologia similar para a transferência de energia. “Eu mandei informações sobre o produto para o Flávio [Flávio Pascoal Vieira, COO e cofundador da Phelcom] que estudou e implantou a solução que permitiu eliminar a bateria extra.” A incorporação dessa tecnologia possibilitou um design mais eficiente e alinhado às tendências da época.

Outro ponto crítico foi a ergonomia. Era fundamental garantir estabilidade na captura das imagens, mesmo com o manuseio semelhante ao de um smartphone. O formato, o peso e o equilíbrio do equipamento foram cuidadosamente estudados para reduzir tremores e proporcionar maior conforto durante o uso prolongado.

Do equilíbrio à inovação: os desafios do design do Eyer2

Se no Eyer o foco estava em consolidar uma arquitetura inovadora e intuitiva, o desenvolvimento do Eyer2 trouxe um novo conjunto de desafios — muitos deles relacionados à própria evolução dos smartphones e às mudanças no comportamento do mercado.

Segundo Von  Zweigbergk, uma das questões mais marcantes foi a necessidade de romper com a simetria do modelo anterior, que tornava o produto naturalmente equilibrado. O Eyer tinha a ótica centralizada, o que facilitava o uso com ambas as mãos. No entanto, os fabricantes de smartphones começaram a alterar o posicionamento das câmeras, deslocando-as para os cantos superiores dos aparelhos.

A assimetria, em design, costuma ser um elemento desafiador. A busca pelo equilíbrio visual geralmente passa pela simetria, especialmente em equipamentos médicos. No Eyer2, foi necessário encontrar soluções que mantivessem a harmonia estética mesmo com uma arquitetura menos centralizada. “No começo, parecia algo difícil de resolver. Depois percebemos que é uma questão de adaptação. O importante era fazer isso de uma forma que não causasse estranhamento”, conta.

Além da mudança estrutural, houve também uma decisão estratégica de linguagem visual. O Eyer apresentava formas mais suaves, orgânicas e arredondadas. Já o Eyer2 assumiu uma estética mais técnica e geométrica, com linhas mais definidas. A intenção era deixar claro que não se tratava apenas de uma atualização incremental, mas de uma nova geração de produto.

“Queríamos quebrar um pouco a linguagem anterior para mostrar que era um novo momento. Fomos para uma estética um pouco mais quadrada, mais técnica. Isso também ajudou a acomodar melhor a assimetria, porque formas mais retangulares facilitam o alinhamento e a organização dos elementos”.

Outro ponto de evolução esteve na experiência de uso. Embora Von Zweigbergk não tenha atuado diretamente no design da interface, ele participou das discussões conceituais sobre a jornada do usuário. Uma das reflexões dizia respeito à lógica de operação do equipamento.

“Desde o começo, eu questionava: qual é a primeira coisa que o usuário quer fazer com o Eyer? Ele quer tirar uma foto. Eu defendia que fosse possível fotografar primeiro e organizar os dados depois. Às vezes o profissional quer apenas testar ou avaliar rapidamente e só depois decidir se vale a pena registrar”, ressalta.

Protótipo do retinógrafo portátil Eyer2.

A consolidação do Eyer como plataforma internacional

Desde o início, o desenvolvimento do Eyer foi orientado por uma diretriz clara: criar um produto premium, competitivo em escala global, mas com inteligência de projeto que permitisse oferecer mais valor por um custo mais acessível do que os concorrentes tradicionais.

A ambição não se limitava ao mercado nacional. O objetivo era posicionar o produto internacionalmente, competindo com grandes players globais. Nesse contexto, o nível de exigência era ainda maior. “Se você não é uma empresa dos Estados Unidos, precisa fazer tudo ainda melhor para competir de igual para igual”, observa Von Zweigbergk.

Essa visão estratégica influenciou diretamente as escolhas de design e engenharia. No Eyer, o foco era claro: oferecer um retinógrafo portátil de alta qualidade, com fácil manuseio, conectado ao smartphone e preparado para diferentes realidades de atendimento — de missões sociais a clínicas especializadas. O design privilegia simplicidade, portabilidade e rapidez, buscando romper barreiras de acesso à retinografia.

Já o Eyer2 representou uma ampliação desse conceito. Além de manter a portabilidade, trouxe uma abordagem mais completa e modular. O sistema passou a contar com módulos que podem ser acoplados por conexão magnética, bastando aproximá-los para que se encaixem por imantação. Essa solução tornou o equipamento mais adaptável às diferentes necessidades clínicas.

A bateria de 4000 mAh, com autonomia aproximada para até 60 exames sem recarga, reforça o compromisso com a produtividade e o uso contínuo. A ergonomia também evoluiu, acompanhando a proposta de um equipamento mais versátil, capaz de atender tanto exames do segmento posterior quanto do anterior, com múltiplos modos de captação e iluminação.

Enquanto o Eyer foi concebido para democratizar o acesso à retinografia com inteligência e portabilidade, o Eyer2 eleva a experiência diagnóstica ao integrar modularidade, desempenho e fluidez no fluxo de trabalho clínico.

Em síntese, o primeiro modelo quebrou barreiras de acesso e simplicidade; o segundo consolidou a plataforma como uma solução mais abrangente, sofisticada e alinhada às demandas da oftalmologia contemporânea — uma evolução que se reflete diretamente nas decisões de design, ergonomia, modularidade e usabilidade.

Uma cultura de abertura e excelência

Von Zweigbergk destaca que o sucesso do Eyer e do Eyer2 não se deve apenas a decisões técnicas ou estéticas, mas também à cultura construída desde os primeiros anos da Phelcom.

Com experiência em projetos para diferentes organizações, ele afirma que poucas companhias demonstram, de fato, abertura para ouvir, revisar caminhos e investir consistentemente na melhoria contínua.

Para ele, essa postura foi determinante ao longo de todo o processo de desenvolvimento dos produtos. A colaboração próxima com a equipe de engenharia, a troca constante de ideias e a disposição para ajustar rotas sempre que necessário criaram um ambiente verdadeiramente propício à inovação.

Von Zweigbergk também ressalta a complementaridade entre os três sócios fundadores como um diferencial estratégico. Segundo ele, o alinhamento entre competências técnicas, visão de mercado e gestão fortaleceu a tomada de decisões e permitiu que o design fosse tratado como parte central da estratégia — e não apenas como uma etapa final do desenvolvimento.

“Foi um grande prazer trabalhar com a equipe da Phelcom. Existe ali uma combinação rara: sócios que se complementam e que realmente querem construir algo sólido e relevante”, afirma.

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