Ensinar futuros oftalmologistas, ainda durante a graduação, e ampliar o acesso da população ao diagnóstico precoce de doenças oculares. Esse é o propósito do concurso De Olhos para o Futuro, promovido pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (ABLAO) em parceria com a Phelcom Technologies e com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A iniciativa incentiva estudantes de medicina a desenvolverem projetos de extensão que unem formação acadêmica, inovação tecnológica e impacto social.
Em sua terceira edição, a competição mantém o objetivo de estimular a criação de ações educativas e assistenciais voltadas à prevenção da cegueira causada por doenças do segmento posterior do olho. Para isso, os participantes utilizam recursos como retinógrafos portáteis, telemedicina, inteligência artificial e plataformas digitais de gerenciamento de exames, aproximando os estudantes das tecnologias que já fazem parte da prática oftalmológica.
O lançamento oficial da edição de 2026 aconteceu no dia 5 de março, durante a sessão da ABLAO no 46º SIMASP – O Congresso da Oftalmo da Escola Paulista de Medicina. Além de incentivar projetos com impacto na saúde ocular, o concurso também reforça a produção científica, estabelecendo critérios que permitem a geração de dados padronizados, comparáveis e com potencial para publicação em estudos científicos.
A CCO, Diretora de Marketing e Comercial da Phelcom, Amanda Arthur, durante lançamento do 3º De Olhos para o Futuro.
Dez projetos para transformar ideias em impacto social
Nesta edição, o concurso selecionou dez projetos de extensão desenvolvidos por ligas acadêmicas de oftalmologia de diferentes regiões do país. As propostas abordam diferentes desafios relacionados à saúde ocular, como o rastreamento da retinopatia diabética, o atendimento à população idosa, ações em escolas públicas, triagens em unidades básicas de saúde e o diagnóstico precoce de doenças da retina em diferentes contextos assistenciais.
Para apoiar a execução das atividades, a Phelcom disponibilizou 20 unidades do retinógrafo portátil Eyer, além do acesso ao EyerMaps, recurso de inteligência artificial para detecção de alterações retinianas, e ao EyerCloud, plataforma online para gerenciamento de exames.
Os projetos selecionados foram:
- De Olho no Diabetes: um dia pela sua saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNIVALI – Itajaí (SC);
- Monitoramento da evolução da retinopatia diabética em pacientes sob novas terapias sistêmicas: uma abordagem de cuidado integral via teleoftalmologia, da Liga Acadêmica de Oftalmologia Mackenzie (LAOM) – Curitiba (PR);
- Aplicação do retinógrafo portátil no diagnóstico precoce de emergências neurológicas pediátricas em hospital público 100% SUS, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAO) da UniSul – Tubarão (SC);
- Implementação de modelo de triagem e navegação assistencial em oftalmologia utilizando retinografia portátil baseada em smartphone em lar de idosos no centro de São Paulo, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo – São Paulo (SP);
- Visão em Rede, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade Federal de Santa Catarina (LAOF) – Araranguá (SC);
- Rastreamento de doenças do segmento posterior com retinógrafo portátil em população idosa no município de Cascavel, da Liga Acadêmica de Oftalmologia LIOFT – Cascavel (PR);
- Triagem oftalmológica em pacientes com diabetes mellitus na atenção primária: uso de retinografia portátil para diagnóstico precoce de retinopatia diabética em UBS de Ribeirão Preto, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da UNAERP (LAÇO) – Ribeirão Preto (SP);
- Mutirão do diabetes e Feira da Saúde, da Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás – Goiânia (GO);
- Triagem de retinopatia diabética em unidades básicas de saúde periféricas: avaliação do impacto do retinógrafo portátil e correlação com inteligência artificial na detecçãoprecoce, da Liga Acadêmica de Oftalmologia (LAOFT) – Recife (PE);
- Avaliação da saúde ocular em escola pública: correlação entre déficit visual e retinografia digital mediada por inteligência artificial, da Liga da Visão – Fortaleza (CE).
Diretoria da ABLAO e participantes das ligas acadêmicas.
Da teoria à prática
Antes do início das atividades de campo, representantes das dez ligas acadêmicas participaram, em 2 de julho, de um treinamento online promovido pela Phelcom. Durante a capacitação, os estudantes receberam orientações sobre a utilização do Eyer, EyerMaps e EyerCloud, além de esclarecerem dúvidas sobre a execução das atividades.
A etapa prática começou em 3 de julho e segue até 30 de setembro.
Os três vencedores serão anunciados durante a sessão da ABLAO no COUSP – Congresso de Oftalmologia da USP, que será realizado de 3 a 12 de dezembro, em São Paulo. Como premiação, cada liga vencedora receberá um Eyer2.
Muito além da competição
Para a diretora de Extensão da ABLAO, Mariana Pasqualin, um dos principais diferenciais do De Olhos para o Futuro é que o impacto dos projetos não termina com o encerramento das ações. Segundo ela, uma iniciativa de extensão bem-sucedida deixa um legado, seja por meio de protocolos que possam ser reproduzidos, pesquisas que gerem novos conhecimentos ou ações que continuem sendo desenvolvidas e aprimoradas.
“Por isso, o concurso se destaca como projeto de extensão. Ele não coloca o acadêmico apenas como alguém que aprende, mas como alguém que transforma ideias em ações para atender necessidades da população, iniciar pesquisas e contribuir para o aprimoramento contínuo da oftalmologia”, afirma.
O presidente da ABLAO, Carlos Augusto Ferraresi Sampaio, destaca que as edições anteriores já demonstraram esse potencial. “Os projetos que mais me marcaram foram justamente aqueles que saíram do convencional, incorporaram uma dimensão científica e conseguiram alcançar populações em situação de maior vulnerabilidade. O grande mérito da iniciativa está em reunir impacto social, formação acadêmica, inovação, produção científica e alcance nacional.”
Segundo Sampaio, a parceria também fortalece a atuação da ABLAO ao conectar ligas acadêmicas de diferentes regiões do país e incentivar o protagonismo dos estudantes. “Durante a graduação, muitas vezes ainda não temos dimensão de todas as oportunidades que estão ao nosso alcance. E o De Olhos para o Futuro é uma delas. Além da competição, o projeto permite que os acadêmicos desenvolvam boas ideias, trabalhem em equipe e contribuam concretamente para a saúde ocular no Brasil.”
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