De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), 47% dos brasileiros de 65 a 74 anos possuem catarata. Atualmente, essa doença é responsável por 48% dos casos de cegueira no Brasil, segundo a SBO.
Mesmo sendo curável, a falta de acesso à saúde de qualidade afeta o diagnóstico precoce e o tratamento. Hoje, o problema é resolvido apenas com cirurgia, dependendo da gravidade do caso.
Agora, resultados de uma nova pesquisa apontam que a doença pode ser curada apenas com medicamentos. Isso porque foi possível melhorar a qualidade ótica do cristalino, a lente que possuímos dentro do olho. O trabalho foi publicado na revista Investigative Ophthalmology and Visual Science.
Em seguida, saiba mais sobre a pesquisa, os resultados e como o possível novo tratamento para catarata pode ajudar milhões de pacientes que sofrem com o problema no mundo todo.
Novo tratamento para catarata: pesquisa e resultados
Os cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, fizeram testes ópticos avançados em um composto de oxisterol que havia sido proposto como uma droga anticatarata. Notou-se uma melhora ótica na transparência do cristalino, nossa lente intraocular.
O tratamento com o composto de oxisterol VP1-001 demonstrou essa melhora em 61% das lentes. Dessa forma, a organização proteica da lente parece estar sendo restaurada, resultando em uma melhor qualidade de foco da lente. Isso foi apoiado por uma redução estatística na opacidade da lente em 46% dos casos.
“Este estudo mostrou os efeitos positivos de um composto que foi proposto como uma droga anticatarata, mas nunca antes testado em a ótica da lente. É a primeira pesquisa desse tipo no mundo”, afirmou a líder do estudo, a professora Barbara Pierscionek.
“Isso mostrou que há uma diferença notável e melhora na ótica entre os olhos com o mesmo tipo de catarata que foram tratados com o composto em comparação com aqueles que não foram. Ocorreram melhorias em alguns tipos de catarata, mas não em todos, indicando que este pode ser um tratamento para cataratas específicas. Isso sugere que pode ser necessário fazer distinções entre os tipos de catarata ao desenvolver medicamentos anticatarata. É um passo significativo na direção de tratar essa condição extremamente comum com drogas em vez de cirurgia”, ressaltou.
A tradução desses estudos feitos para pacientes ainda depende de muitos testes clínicos, porém existe uma expectativa de que o melhor entendimento e manipulação à nível molecular reduza a necessidade de procedimentos invasivos em um futuro não tão distante.
Fonte: Revista Planeta
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
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