Além de sua aplicação no dia a dia clínico, o retinógrafo portátil Eyer e a Inteligência Artificial EyerMaps têm sido fundamentais para o avanço de grandes pesquisas. Recentemente, dois estudos de peso tiveram suas apresentações aprovadas no maior e mais prestigiado congresso de pesquisa oftalmológica do mundo: The Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO). Adicionalmente, um deles foi laureado como o melhor artigo científico na Association of University Professors of Ophthalmology (AUPO).
A Inteligência Artificial do Eyer no mundo real
O artigo “Real-world performance of an offline, automatic algorithm for diabetic retinopathy detection embedded in a handheld smartphone-based retinal camera, on two ethnically diverse populations”, liderado pelo Dr. Fernando Malerbi, avaliou a IA offline do Eyer na detecção da Retinopatia Diabética (RD) em cenários reais e desafiadores de triagem. A apresentação ocorrerá no dia 03 de maio de 2026.
O desafio do viés algorítmico
Para que uma IA seja verdadeiramente eficaz e segura, ela não pode funcionar bem apenas em laboratório ou em um grupo específico de pessoas. “Além dos testes iniciais que fazemos para verificar se o algoritmo está dando respostas corretas, é importante reproduzi-los em populações com características diferentes, por exemplo, no nosso estudo, com backgrounds étnicos diversos, garantindo representatividade na base de dados, otimizando a performance da para a ferramenta e, assim, reduzindo o risco dela acertar em um cenário e errar em outro”, explica Malerbi.
Para provar essa robustez, o estudo analisou as imagens de 1.257 pacientes com diabetes em duas amostras brasileiras demograficamente muito díspares:
Itabuna (Bahia/BR): População predominantemente afro descendente, com maior taxa de retinopatia diabética e menor duração da diabetes;
Mapa destacando Itabuna (BA) e Blumenau (SC), cidades onde as amostras de pacientes foram coletadas.
Resultados impressionantes nas mãos de não-médicos
Um dos grandes diferenciais do estudo foi a operação do equipamento: as capturas foram realizadas majoritariamente por voluntários não-médicos, com diferentes níveis de experiência, em mutirões de triagem de alto volume.
“A relevância desse estudo está também nos ótimos números de acurácia e na qualidade das imagens. Em mais de 90% dos casos, foi possível realizar a imagem de maneira adequada e com alta taxa de qualidade”, destaca o autor. Malerbi pontua ainda alguns elementos que permitem qualidade adequada para uma imagem:,enquadramento, adequação da luz, foco e nitidez — fatores que são facilitados pela tecnologia do Eyer.
O estudo comprovou que a IA do Eyer é precisa, consistente e livre de vieses geográficos ou étnicos, provando que dispositivos de baixo custo e fáceis de usar, juntamente com ferramentas de detecção automática, podem desempenhar um papel significativo na prevenção da cegueira secundária ao diabetes.
O desafio técnico por trás do impacto
Para Paulo Prado, Coordenador de Mobile Software e IA da Phelcom, que participou ativamente do projeto, o sucesso do estudo reflete a união entre tecnologia avançada e propósito. “Participar deste projeto foi uma experiência muito significativa, ligando minha formação com o impacto direto na saúde das pessoas. Um dos pontos mais importantes foi desenvolver um algoritmo capaz de rodar offline e embarcado, sem comprometer a precisão, o que trouxe um desafio técnico muito grande”, relata Prado.
Prado reforça que a diversidade da amostra foi crucial para validar o trabalho da engenharia. “A validação do sistema em duas populações tão distintas demonstra a robustez do sistema em cenários reais e ajuda a garantir que a tecnologia seja realmente útil na prática clínica. Para mim, foi muito gratificante contribuir para uma solução que pode ajudar na detecção precoce de retinopatia diabética, ampliando o acesso ao rastreamento da doença, especialmente em locais com menos infraestrutura médica”.
Paulo Prado realiza captura de imagem de retina com o Eyer no Mutirão de Diabetes de Itabuna, 2022.
Eyer no leito hospitalar: Prêmio de Melhor Artigo na AUPO
O estudo intitulado “Handheld Non-Mydriatic Fundus Camera for Bedside Inpatient Ophthalmology and Neurology Consultations”, conduzido por pesquisadores da Emory University (EUA), incluindo a especialista Valerie Biousse, demonstrou como a portabilidade e a alta qualidade de imagem do Eyer facilitam diagnósticos rápidos e precisos em ambientes hospitalares, onde o deslocamento do paciente para equipamentos de mesa muitas vezes é inviável.
O impacto clínico dessa abordagem foi tão significativo que o estudo foi eleito o melhor artigona conferência da AUPO, além de garantir seu espaço para apresentação no ARVO.
A relevância de estar no ARVO e AUPO 2026
Em 2026, o ARVO acontecerá do dia 03 a 07 de maio com o tema oficial “Achieving precision ophthalmology through innovative vision research”, tema amplamente alinhado aos estudos realizados com o Eyer.
“Esse evento é considerado o maior e mais importante encontro científico de pesquisa em oftalmologia e ciências visuais do mundo” resume Malerbi. “É lá onde as principais ideias são apresentadas e validadas. Soluções que vão entrar no mercado ou que estarão disponíveis como tratamento lá na frente são apresentadas no ARVO. Tem esse caráter de pioneirismo”.
Para a Phelcom, ter o Eyer validado nestes estudos comprova o alinhamento da empresa com o futuro da “oftalmologia de precisão” mundial. Como conclui Malerbi: “É realmente importante estar presente neste evento, tanto do ponto de vista do autor quanto do de uma empresa que tem essa robustez de pesquisa e desenvolvimento”.
Para Diego Lencione, co-founder & CTO da Phelcom, o destaque nesses congressos reflete a maturidade da empresa e permite que a tecnologia alcance e transforme cada vez mais vidas. “É incrível acompanhar a evolução dos produtos na Phelcom e o aumento de nossa relevância no cenário internacional. Nos últimos anos tivemos a certificação regulatória de nossos produtos no FDA e vemos ano após ano aumentar nossa presença no mercado internacional. Sem dúvidas, parte deste sucesso se deve ao nosso esforço e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, que culminam com este trabalho tão relevante que será apresentado no ARVO 2026, combinando nossas competências na criação e fabricação de dispositivos oftalmológicos e de soluções em inteligência artificial que de fato agregam valor aos médicos, pacientes e toda sociedade.”, destaca Lencione.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.
O exame do fundo do olho, conhecido como retinografia, é essencial para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças oftalmológicas, como a retinopatia diabética. No entanto, em muitos países de baixa e média renda, o acesso a equipamentos tradicionais de imagem retiniana é limitado devido ao alto custo e à necessidade de infraestrutura específica. Além disso, a disponibilidade de bases de imagens referenciais para médicos, pesquisadores e clínicos ainda é bastante reduzida nesse tipo de equipamento.
Nesse cenário, os retinógrafos portáteis, como o Eyer, surgem como uma solução mais acessível e econômica para triagem e gerenciamento ocular. Acoplado a um smartphone, o Eyer captura imagens de alta qualidade da retina em poucos minutos, sem necessidade de dilatação da pupila.
Esses dispositivos permitem o uso em diferentes contextos além dos ambientes hospitalares convencionais, como mutirões de saúde e consultas de telemedicina. Adicionalmente, registram metadados detalhados que costumam estar ausentes em outros conjuntos de dados, incluindo idade, sexo, tempo de diagnóstico do diabetes, tratamentos e comorbidades.
Recentemente, a revista Scientific Data, do grupo Nature, publicou o artigo “A portable retina fundus photos dataset for clinical, demographic, and diabetic retinopathy prediction”, que apresenta o mBRSET: um novo conjunto de dados de imagens de retina capturadas com câmeras portáteis em cenários reais de alta demanda. Dentre os autores do estudo estão o oftalmologista Fernando Korn Malerbi e o CEO da Phelcom, José Augusto Stuchi.
Imagens do fundo do olho capturadas com o Eyer durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna, em 2022, com destaque para o mapa de atenção gerado pelo EyerMaps, indicando possíveis anomalias.
mBRSET
Ao todo, o mBRSET reúne 5.164 imagens de retina de 1.291 pacientes com diferentes perfis, capturadas com o Eyer durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna, na Bahia, em 2022. Reconhecido como um dos maiores eventos do mundo em prevenção e tratamento do diabetes, o mutirão atende anualmente centenas de pacientes, oferecendo uma ampla gama de exames, como avaliação do fundo do olho, e encaminhamentos para tratamentos específicos.
Exame realizado com o Eyer durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna, em 2022.
Para avaliar a utilidade do mBRSET, foram utilizados modelos avançados de deep learning para benchmarking. Os resultados demonstraram alta precisão em tarefas clínicas, como o diagnóstico de retinopatia diabética e edema macular, além da previsão de dados demográficos.
Uma análise detalhada das imagens revelou que, entre as 4.885 avaliadas, 3.759 (76,79%) não apresentavam sinais de retinopatia diabética (RD). A RD não proliferativa leve foi identificada em 272 imagens (5,56%), enquanto a forma moderada estava presente em 570 imagens (11,64%). Além disso, 82 imagens (1,67%) mostraram sinais de RD não proliferativa grave e 212 (4,33%) foram classificadas como RD proliferativa. O edema macular também foi um achado relevante, presente em 427 imagens (8,69%).
Marco para a saúde ocular e pesquisa científica
A importância do conjunto de dados mBRSET pode ser definida em cinco aspectos fundamentais:
Representatividade da população brasileira
O mBRSET contribui para reduzir a sub-representação de populações de países de baixa e média renda nos conjuntos de dados oftalmológicos, incluindo indivíduos de diversas origens étnicas no Brasil.
Primeiro dataset público com imagens de câmeras portáteis
Este é o primeiro conjunto de dados disponível publicamente que apresenta imagens capturadas com retinógrafos portáteis, refletindo a crescente adoção dessa tecnologia em ambientes com poucos recursos.
Coleta em cenários reais e de alta demanda
As imagens foram obtidas em ambientes clínicos com grande fluxo de atendimento, garantindo que o dataset represente os desafios reais da triagem e do gerenciamento ocular.
Inclusão de dados demográficos detalhados
O mBRSET vai além das imagens retinianas, incluindo informações como sexo, nível de escolaridade e status de seguro de saúde. Isso permite que pesquisadores avaliem a equidade e a generalização dos algoritmos de inteligência artificial em diferentes subpopulações.
Base para o desenvolvimento de IA aplicada à oftalmologia
O conjunto de dados se torna um recurso essencial para a criação e validação de algoritmos de inteligência artificial, contribuindo para a automação da triagem, diagnóstico e monitoramento da retinopatia diabética e de outras doenças oculares.
Stuchi enfatiza o impacto do mBRSET para a comunidade científica e médica. “A criação deste conjunto de dados representa um marco significativo na saúde ocular, especialmente para regiões com recursos limitados. Ao disponibilizar imagens de alta qualidade capturadas com dispositivos portáteis, ampliamos as possibilidades de pesquisa e desenvolvimento de soluções em IA que podem transformar o diagnóstico e o tratamento de doenças oculares”.
Da esquerda para a direita: Diego Lencione, cofundador e CTO da Phelcom, Flavio Pascoal Vieira, cofundador e COO da Phelcom, Paulo Prado, coordenador de Mobile Software e IA da Phelcom, e José Augusto Stuchi, cofundador e CEO da Phelcom, durante o Mutirão do Diabetes de Itabuna, em 2022.
Eyer
O Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular.
Recentemente, chegou ao mercado o Eyer2 com novas ferramentas embarcadas e funcionalidades aprimoradas. O equipamento possibilita a detecção de diversas doenças e condições do segmento anterior do olho, como blefarite e demais alterações de cílios, disfunção das glândulas meibomianas, hordéolos, tumores conjuntivais, tumores palpebrais, catarata avançada, corpo estranho, queimaduras, lesões na córnea e ceratites em geral causadas por olho seco, lente de contato, infecções e úlceras, dentre outros.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Atualmente, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 100 ações sociais.
As glândulas de Meibômio, localizadas nas placas tarsais das pálpebras, desempenham um papel fundamental na produção da lipídica do filme lacrimal, que corresponde à sua camada mais externa. Essa camada é essencial para estabilizar o filme lacrimal prevenindo a evaporação da lágrima e contribuindo para a homeostase da superfície ocular. A disfunção das glândulas de meibomius (MGD), por sua vez, leva à instabilidade do filme lacrimal, causando um desequilíbrio na fisiologia da superfície ocular.
A MGD se dá pela alteração da qualidade da secreção de meibomius, pela perda das glândulas de meibomius (“dropout”) e/ou pela obstrução dos ductos das glândulas, por onde a secreção se exterioriza. Um dos testes mais úteis para avaliação da morfologia das glândulas de Meibômio é chamado de Meibografia, um método que permite a visualização destas glândulas in vivo.
Avaliação propedêutica de olho seco: a principal, mas não a única aplicação da meibografia
Os testes diagnósticos para avaliação de olho seco incluem a observação de estabilidade e volume do filme lacrimal, avaliação de danos da superfície ocular a partir de exames utilizando corantes vitais, como fluoresceína ou rosa bengala, e a avaliação das pálpebras, incluindo o exame das glândulas de meibômio.
Meibografia realizada com luz infravermelha do retinógrafo portátil Eyer2Meibografia realizada com o retinógrafo portátil Eyer2 utilizando módulo de segmento anterior
Devido ao alto custo dos aparelhos que realizam a meibografia, este exame, apesar de relevante para o diagnóstico e monitoramento de casos de olho seco evaporativo, ainda não é tão popular nos consultórios oftalmológicos. Recentemente, a Phelcom inovou trazendo o registro por luz infravermelha para o portátil Eyer2, novo produto da empresa, tornando a realização da meibografia mais prática e acessível.
O módulo de segmento anterior do Eyer2 permite realizar tanto a meibografia quanto exame para identificar alterações nas células epiteliais na córnea e conjuntiva, por meio da luz azul cobalto interagindo com a fluoresceína.
Registro de lesão de córnea utilizando o retinógrafo Eyer2 associado a fluoresceína
É recomendável que outras análises clínicas sejam realizadas no processo de diagnóstico de olho seco, como por exemplo o teste de Schirmer, para diferenciação entre olho seco por deficiência de produção e olho seco evaporativo.
Outros usos relevantes da meibografia
A meibografia também é recomendada no pré-operatório de cirurgias refrativas, pois o olho seco, muitas vezes associado à MGD, é uma complicação comum após esses procedimentos. Neste cenário, o exame serve como documentação pré-operatória e monitoramento das glândulas, além de servir para fins educativos junto ao paciente.
O médico também pode fazer uso da meibografia para avaliação de possíveis comprometimentos das pálpebras pelo uso de lentes de contato, reações por conjuntivite alérgica, por tratamento antiglaucomatoso e outras condições clínicas.
O Eyer2
A Phelcom acaba de lançar o Eyer2, uma verdadeira plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem. Além da meibografia por meio de luz infravermelha, o novo equipamento conta com retinografias coloridas e red free com campo visual de 55º e ferramentas para capturas do segmento anterior utilizando diferentes tipos de luz para exames de superfície ocular, incluindo a luz azul cobalto, que permite avaliar lesões de córnea e conjuntiva.
Eyer2 com novo módulo para capturas de segmento anterior
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
Hoje, a tecnologia dos produtos da Phelcom já alcançou mais de duas milhões de pessoas em todo o Brasil e nos países em que está presente.
Fontes: Wolffsohn et al. TFOS DEWS II Diagnostic Methodology report 2017 Magno et al. Hot towels: The bedrock of Meibomian gland dysfunction treatment – A review Arita. Meibography: A Japanese Perspective Reiko. 2018
O médico Gustavo Rosa Gameiro, doutorando em oftalmologia pela Unifesp, foi selecionado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para participar do 8º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS. O evento ocorreu de 31 de julho a 08 de agosto em Gqeberha, na África do Sul.
O BRICS é um grupo composto por cinco países em desenvolvimento focado em cooperação econômica mútua: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Gameiro foi um dos seis cientistas brasileiros indicados para compor a plenária “O futuro da educação, skills e conjunto de habilidades”. O doutorando ressalta que a educação entrou na pauta do BRICS com muita força neste ano. “Na minha apresentação, discutimos sobre aplicações de modelos básicos e o uso do retinógrafo portátil com inteligência artificial Eyer para o ensino de oftalmologia a partir dos resultados de nossos workshops”, conta o médico, o mais jovem da delegação brasileira no evento: 27 anos de idade.
O médico Gustavo Gameiro utilizou o retinógrafo portátil Eyer em seu projeto apresentado no 8º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS. Foto: arquivo pessoal.
“Entretanto, estudos revelam que eles manifestam um enorme déficit no ensino de oftalmologia durante a graduação, comprometendo a correta abordagem e o prognóstico desses casos. E isso pode refletir na insegurança em encaminhar ou atender pacientes com queixas oftalmológicas”, explica.
Workshops
Os workshops ocorreram com os estudantes de graduação da Unifesp e do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e contou com o apoio dos oftalmologistas Thiago Gonçalves Martins e Paulo Schor, orientador do doutorado de Gameiro. O retinógrafo portátil Eyer e o sistema de IA EyerMaps foram disponibilizados gratuitamente pela Phelcom Technologies para o projeto.
“Com o recurso de IA EyerMaps, que destaca com um mapa de calor as áreas da retina com possíveis alterações provocadas por diferentes patologias, conseguimos ensinar e corrigir a interpretação dos achados pelo aluno no mesmo instante em que capturamos o fundo do olho”, ressalta o médico.
“A nitidez das imagens é absurdamente incrível. Nós fizemos exames nos colegas e conseguimos ver cada detalhe da retina, do nervo óptico e dos vasos. Transformar aparelhos grandes e pesados como um retinógrafo em portáteis facilita muito a vida do médico, pois conseguimos ir até os pacientes e alcançar melhores resultados”, conta a estudante de medicina da Unifesp, Suellyn Alves, participante do workshop.
Gameiro vai além. “Talvez precisemos mudar o paradigma de apenas ensinar aos alunos como adquirir imagens por meio dos equipamentos oftalmológicos. É necessário focar em como interpretá-las e fazer a gestão desses exames, organizando-os na nuvem, por exemplo. E com o Eyer dá para ensinar tudo isso na prática”, fala.
Com os resultados satisfatórios dos workshops, o médico revela a vontade de expandir o projeto e transformá-lo em um material de apoio para o ensino de oftalmologia em todo o Brasil.
Delegação Brasileira durante o 8º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS. Foto: arquivo pessoal.
Concurso “De Olhos para o Futuro”
Gameiro também está trabalhando em um novo projeto simultaneamente: a avaliação do impacto e seguimento dos projetos apresentados no concurso “De Olhos para o Futuro”, realizado pela Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Oftalmologia (ABLAO), em parceria com a Phelcom e com apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
A competição busca ensinar os estudantes e estimular as ligas a desenvolverem atividades de extensão que visem a criação de projetos educativos e/ou assistenciais com o objetivo de redução da cegueira por patologias do segmento posterior. Para isso, a Phelcom disponibilizou 20 unidades do Eyer com acesso ao recurso EyerMaps e ao sistema em nuvem EyerCloud.
O concurso selecionou 10 projetos e os três primeiros colocados ganharão um Eyer. “Seria muito interessante se conseguíssemos deixar definitivamente um retinógrafo portátil com cada uma das 10 ligas. Vamos trabalhar para conseguir patrocínio para a aquisição dos sete aparelhos que faltam”, afirma o médico.
“Após a seleção das Ligas Acadêmicas, conversando com o presidente da ABLAO Luís Sabage, percebemos a necessidade de avaliação e seguimento dos projetos apresentados. Nosso objetivo futuro é ampliar o número de ligas de oftalmologia, de estudantes de medicina e de pacientes alcançados pelos projetos de extensão desenvolvidos”, explica.
Além disso, com base nos resultados obtidos no concurso “De Olhos para o Futuro” e nos pontos de melhoria encontrados, Gameiro pretende estruturar um curso online de oftalmologia para estudantes de medicina e médicos generalistas, abrangendo técnicas básicas de exame oftalmológico, uso de plataformas de inteligência artificial e interpretação de imagens de retinografia.
O médico ressalta que os equipamentos tradicionais para a avaliação de fundo de olho, como a fundoscopia realizada com oftalmoscópio indireto e lente condensadora, são de relativo difícil manuseio, necessitam de uma capacitação prévia prolongada, possuem uma curva de aprendizagem e dependem do examinador para avaliação. Além disso, não permite, na maioria das vezes, registro fotográfico da retina para posterior discussão com outro profissional.
Como alternativa, há o retinógrafo convencional. Entretanto, tem elevado custo para aquisição. “A captura de imagens da retina é de extrema importância para avaliação com maior precisão e para o acompanhamento da doença e do tratamento. Também exerce papel fundamental na formação de novos profissionais por meio da exposição e discussão dos achados em grupo, permitindo ao estudante e ao médico comparação com seu exame e revisão dos resultados”, pontua.
O retinógrafo portátil Eyer apresenta-se como uma opção extremamente vantajosa em diversos aspectos:
Facilita a captura de imagens de alta qualidade da retina sem muito treinamento prévio;
Leve e pequeno (cabe na palma da mão);
Não depende de mão de obra especializada;
Preço relativamente mais acessível que o retinógrafo tradicional;
Não midriático, encurtando o tempo do exame e evitando possíveis efeitos adversos (desconforto visual, fotofobia, ceratite e aumento da pressão intraocular);
Por meio da telemedicina, envia as imagens para a nuvem, possibilitando o diagnóstico remoto.
Para Gameiro, o Eyer pode ter um impacto significativo na educação médica. “O aparelho pode ser usado pelos estudantes de medicina como uma oportunidade de aprendizado prático, na demonstração de casos clínicos e no acompanhamento da progressão de doenças oculares ao longo do tempo, além de estimular discussões interativas entre alunos e professores, favorecer a realização de projetos de pesquisas e cases e facilitar o acesso e registro de uma ampla variedade de casos”, ressalta.
O equipamento também tem inteligência artificial embarcada, o que pode ser uma opção confiável e de custo efetivo para o rastreio de patologias da retina e do nervo óptico por meio de algoritmos construídos com extensas bases de dados.
“Esses modelos de algoritmos conseguem predizer risco de alteração e, assim, notificar o examinador da necessidade de acompanhamento com especialista mais capacitado. Dessa forma, o uso de IA, em conjunto com deep learning e telemedicina, pode representar uma eficaz solução a longo prazo para o screening e monitoramento de pacientes na atenção primária em saúde”, finaliza.
Sobre o Eyer
Retinógrafo portátil Eyer.
O Eyer é um retinógrafo portátil que funciona acoplado a um smartphone e realiza exames de retina de alta qualidade, em poucos minutos e sem a necessidade de dilatação da pupila.
A tecnologia apoia no diagnóstico de mais de 50 doenças, dentre elas glaucoma, catarata, retinopatia diabética, DMRI, retinoblastoma, retinopatia hipertensiva e toxoplasmose ocular. Atualmente, já foram feitos mais de 10 milhões de exames no Brasil, Estados Unidos, Chile e Colômbia.
A portabilidade e o valor mais acessível da tecnologia democratizam o acesso a exames de retina. Pois ele custa aproximadamente seis vezes menos que um retinógrafo de mesa convencional, que ainda necessita de integração com o computador.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O projeto do primeiro protótipo nasceu do interesse do sócio Diego Lencione pela saúde visual, pois seu irmão tem uma condição que comprometeu a retina e a visão de forma severa desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Hoje, a tecnologia já alcançou mais de duas milhões de pessoas em todo o Brasil e nos países em que está presente.
Há 10 anos, pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, dos Estados Unidos, desenvolveram uma maneira de cultivar aglomerados organizados de células, chamados organoides, que se assemelham à estrutura da retina.
Para isso, eles obtiveram células da pele humana e as reprogramaram para atuar como células-tronco e, posteriormente, se desenvolverem em camadas de vários tipos de células da retina que detectam a luz e, finalmente, transmitir o impulso para fibras nervosas.
Agora, essas células conseguiram alcançar e se conectar com vizinhos, completando um “aperto de mão” que pode mostrar que estão prontas para testes em humanos com distúrbios oculares degenerativos.
Em seguida, saiba mais sobre a pesquisa e quais serão os próximos passos.
A partir desde momento, a última peça do quebra-cabeça era ver se esses cordões tinham a capacidade de se conectar ou “apertar a mão” de outros tipos de células da retina para se “comunicar”.
Vale relembrar que as células da retina e do cérebro se comunicam por meio de sinapses, pequenas lacunas nas pontas de seus axônios. Para confirmar que as células retinianas cultivadas em laboratório têm a capacidade de substituir as células doentes e transportar informações sensoriais como as saudáveis, os pesquisadores precisavam mostrar que podiam fazer sinapses.
Então, usaram um vírus da raiva modificado para identificar pares de células que poderiam formar os meios de comunicação entre si. Em seguida, separaram células individuais a partir dos organoides dessa “retina” dando a esses, uma semana para estender seus axônios e fazer novas conexões.
Os resultados
Muitas células da retina foram marcadas por uma cor fluorescente, indicando que uma infecção pelo vírus da raiva penetrou as mesmas através de uma sinapse formada com sucesso entre vizinhos.
Depois de confirmarem a presença de conexões sinápticas, os pesquisadores analisaram as células envolvidas e descobriram que os tipos de células da retina mais comuns formando sinapses eram os fotorreceptores (bastonetes e cones), que são perdidos em doenças como retinite pigmentosa, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e em certas lesões oculares.
O próximo tipo de célula mais comum, as células ganglionares da retina, são degeneradas em distúrbios de fibras e do nervo óptico, como o glaucoma.
Os organoides foram patenteados e a instituição Opsis Therapeutics, com sede em Madison, está adaptando a tecnologia para tratar distúrbios oculares humanos com base nas descobertas dessa pesquisa.
Agora, o próximo passo deve ser os testes clínicos em pessoas.
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
Acompanhe o blog da Phelcom e fique por dentro das principais novidades sobre células da retina cultivadas em laboratórios.
Uma pesquisa realizada por investigadores de várias instituições, incluindo a Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que o vírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, pode eventualmente ser identificado em lágrimas por meio de testes com swab. Os resultados foram publicados em artigo no Journal of Clinical Medicine.
Diversos estudos já apontavam uma possível correlação entre a covid-19 e olhos. Agora, esse novo trabalho mostra uma correlação com a gravidade da doença.
Em seguida, entenda como foi feita a pesquisa e como os resultados podem trazer uma nova forma de detecção da covid-19, além de um novo meio de proteção aos profissionais da saúde.
A pesquisa
A pesquisa avaliou amostras de pacientes internados no Hospital das Clínicas de Bauru (SP) com diagnóstico da doença confirmado por métodos convencionais. De 61 pacientes internados, foram analisadas amostras de 33 com diagnóstico de covid-19 e de outros 14 sem o vírus, obtidas durante o primeiro semestre de 2021, quando as principais variantes que circulavam no Estado de São Paulo eram a gama e a delta.
Os cientistas utilizaram duas formas para coletar as lágrimas: o swab conjuntival e as tiras de Schirmer (exame para avaliar se o olho produz quantidade suficiente de lágrimas). As análises foram realizadas entre julho e novembro do mesmo ano.
Os resultados
Do total, o SARS-CoV-2 foi detectado em 18,2% das amostras coletadas por swab e em 12,1% das obtidas por meio de tiras de Schirmer de pacientes positivos. Por outro lado, como esperado, nenhum dos pacientes negativados para covid-19 em exames feitos com swab nasofaríngeo teve amostra de lágrima positiva.
Para avaliar as comorbidades, o grupo adotou o Índice de Comorbidade de Charlson (ICC), composto por 20 fatores e desenvolvido como forma de padronizar e ajustar indicadores de risco, discriminando o prognóstico de um paciente em termos da mortalidade no período de até um ano.
Segundo a pesquisa, os indivíduos cujas lágrimas testaram positivo para o SARS-CoV-2 tiveram ICC inferior em relação ao restante (apontando maior probabilidade de óbito em dez anos) e taxas de mortalidade mais altas.
Independentemente do diagnóstico, a maioria dos indivíduos apresentou baixa produção lacrimal e desconforto ocular, indicando a necessidade do uso de lágrima artificial durante a internação.
Além de dados demográficos, clínicos e de sintomas oculares, os cientistas trabalharam com análises de RT-qPCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia de Polimerase de Transcrição Reversa). O método requer a extração do material genético; um processo de transcrição do RNA em DNA e, por fim, a multiplicação do DNA.
Considerado padrão-ouro para diagnóstico da covid-19 e amplamente usado em vários laboratórios pelo mundo, o exame é capaz de detectar a presença de até mesmo uma única cópia do material genético do vírus na amostra.
Ao contrário de estudos anteriores, em que genes virais (N e RdRp) não foram considerados nas análises de RT-qPCR, nesse caso a pesquisa identificou diferentes partes do vírus, resultando em uma melhor taxa de detecção.
Maior conforto
O resultado indica uma possível alternativa ao swab nasal e oral, que causa desconforto no nariz e na garganta, e sinaliza a necessidade de medidas de proteção para os profissionais de saúde já que, apesar de baixo, pode haver risco de transmissão do vírus pela lágrima.
Além disso, a combinação de dois fatores – mais comorbidades e maior taxa de mortalidade – entre pacientes com teste positivo na lágrima sugere que a detecção viral pode trazer algum insight no prognóstico da doença.
“No início da pesquisa, pensamos em buscar um método de diagnóstico fácil, com a coleta de material sem tanto incômodo para os pacientes. O swab nasal, além de provocar desconforto, nem sempre é usado da maneira correta. Para pessoas com desvio de septo nasal, por exemplo, pode ser um problema. Achávamos que a lágrima seria mais fácil de executar, mais tolerável. Conseguimos mostrar que é um caminho. Uma limitação nesse estudo é que não sabemos se a quantidade de lágrima coletada influencia na positividade ou não”, afirma o autor correspondente do artigo, o professor Luiz Fernando Manzoni Lourençone.
Segundo o pesquisador, é possível inferir que a probabilidade de detectar o vírus em amostras lacrimais é maior em pacientes com carga viral alta, que pode levar a um quadro de viremia disseminada por diversos fluidos corporais.
Próximos passos
Agora, o grupo de pesquisadores iniciou uma nova linha com foco na detecção de doenças por meio de testes e exames ligados aos olhos. O objetivo é trabalhar com outros tipos de vírus, além do SARS-CoV-2.
“Existem outros vírus ainda pouco estudados no Brasil. Pretendemos nos dedicar a encontrar soluções e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Vamos analisar também outras condições virais que se tornam sistêmicas”, diz o professor.
Fonte: Luciana Constantino | Agência FAPESP
Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein.
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