Além de sua aplicação no dia a dia clínico, o retinógrafo portátil Eyer e a Inteligência Artificial EyerMaps têm sido fundamentais para o avanço de grandes pesquisas. Recentemente, dois estudos de peso tiveram suas apresentações aprovadas no maior e mais prestigiado congresso de pesquisa oftalmológica do mundo: The Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO). Adicionalmente, um deles foi laureado como o melhor artigo científico na Association of University Professors of Ophthalmology (AUPO).
A Inteligência Artificial do Eyer no mundo real
O artigo “Real-world performance of an offline, automatic algorithm for diabetic retinopathy detection embedded in a handheld smartphone-based retinal camera, on two ethnically diverse populations”, liderado pelo Dr. Fernando Malerbi, avaliou a IA offline do Eyer na detecção da Retinopatia Diabética (RD) em cenários reais e desafiadores de triagem. A apresentação ocorrerá no dia 03 de maio de 2026.
O desafio do viés algorítmico
Para que uma IA seja verdadeiramente eficaz e segura, ela não pode funcionar bem apenas em laboratório ou em um grupo específico de pessoas. “Além dos testes iniciais que fazemos para verificar se o algoritmo está dando respostas corretas, é importante reproduzi-los em populações com características diferentes, por exemplo, no nosso estudo, com backgrounds étnicos diversos, garantindo representatividade na base de dados, otimizando a performance da para a ferramenta e, assim, reduzindo o risco dela acertar em um cenário e errar em outro”, explica Malerbi.
Para provar essa robustez, o estudo analisou as imagens de 1.257 pacientes com diabetes em duas amostras brasileiras demograficamente muito díspares:
- Itabuna (Bahia/BR): População predominantemente afro descendente, com maior taxa de retinopatia diabética e menor duração da diabetes;
- Blumenau (Santa Catarina/BR): Ascendência europeia prevalente.

Mapa destacando Itabuna (BA) e Blumenau (SC), cidades onde as amostras de pacientes foram coletadas.
Resultados impressionantes nas mãos de não-médicos
Um dos grandes diferenciais do estudo foi a operação do equipamento: as capturas foram realizadas majoritariamente por voluntários não-médicos, com diferentes níveis de experiência, em mutirões de triagem de alto volume.
“A relevância desse estudo está também nos ótimos números de acurácia e na qualidade das imagens. Em mais de 90% dos casos, foi possível realizar a imagem de maneira adequada e com alta taxa de qualidade”, destaca o autor. Malerbi pontua ainda alguns elementos que permitem qualidade adequada para uma imagem:,enquadramento, adequação da luz, foco e nitidez — fatores que são facilitados pela tecnologia do Eyer.
O estudo comprovou que a IA do Eyer é precisa, consistente e livre de vieses geográficos ou étnicos, provando que dispositivos de baixo custo e fáceis de usar, juntamente com ferramentas de detecção automática, podem desempenhar um papel significativo na prevenção da cegueira secundária ao diabetes.
O desafio técnico por trás do impacto
Para Paulo Prado, Coordenador de Mobile Software e IA da Phelcom, que participou ativamente do projeto, o sucesso do estudo reflete a união entre tecnologia avançada e propósito. “Participar deste projeto foi uma experiência muito significativa, ligando minha formação com o impacto direto na saúde das pessoas. Um dos pontos mais importantes foi desenvolver um algoritmo capaz de rodar offline e embarcado, sem comprometer a precisão, o que trouxe um desafio técnico muito grande”, relata Prado.
Prado reforça que a diversidade da amostra foi crucial para validar o trabalho da engenharia. “A validação do sistema em duas populações tão distintas demonstra a robustez do sistema em cenários reais e ajuda a garantir que a tecnologia seja realmente útil na prática clínica. Para mim, foi muito gratificante contribuir para uma solução que pode ajudar na detecção precoce de retinopatia diabética, ampliando o acesso ao rastreamento da doença, especialmente em locais com menos infraestrutura médica”.

Paulo Prado realiza captura de imagem de retina com o Eyer no Mutirão de Diabetes de Itabuna, 2022.
Eyer no leito hospitalar: Prêmio de Melhor Artigo na AUPO
O estudo intitulado “Handheld Non-Mydriatic Fundus Camera for Bedside Inpatient Ophthalmology and Neurology Consultations”, conduzido por pesquisadores da Emory University (EUA), incluindo a especialista Valerie Biousse, demonstrou como a portabilidade e a alta qualidade de imagem do Eyer facilitam diagnósticos rápidos e precisos em ambientes hospitalares, onde o deslocamento do paciente para equipamentos de mesa muitas vezes é inviável.
O impacto clínico dessa abordagem foi tão significativo que o estudo foi eleito o melhor artigo na conferência da AUPO, além de garantir seu espaço para apresentação no ARVO.
A relevância de estar no ARVO e AUPO 2026
Em 2026, o ARVO acontecerá do dia 03 a 07 de maio com o tema oficial “Achieving precision ophthalmology through innovative vision research”, tema amplamente alinhado aos estudos realizados com o Eyer.
“Esse evento é considerado o maior e mais importante encontro científico de pesquisa em oftalmologia e ciências visuais do mundo” resume Malerbi. “É lá onde as principais ideias são apresentadas e validadas. Soluções que vão entrar no mercado ou que estarão disponíveis como tratamento lá na frente são apresentadas no ARVO. Tem esse caráter de pioneirismo”.
Para a Phelcom, ter o Eyer validado nestes estudos comprova o alinhamento da empresa com o futuro da “oftalmologia de precisão” mundial. Como conclui Malerbi: “É realmente importante estar presente neste evento, tanto do ponto de vista do autor quanto do de uma empresa que tem essa robustez de pesquisa e desenvolvimento”.
Para Diego Lencione, co-founder & CTO da Phelcom, o destaque nesses congressos reflete a maturidade da empresa e permite que a tecnologia alcance e transforme cada vez mais vidas. “É incrível acompanhar a evolução dos produtos na Phelcom e o aumento de nossa relevância no cenário internacional. Nos últimos anos tivemos a certificação regulatória de nossos produtos no FDA e vemos ano após ano aumentar nossa presença no mercado internacional. Sem dúvidas, parte deste sucesso se deve ao nosso esforço e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, que culminam com este trabalho tão relevante que será apresentado no ARVO 2026, combinando nossas competências na criação e fabricação de dispositivos oftalmológicos e de soluções em inteligência artificial que de fato agregam valor aos médicos, pacientes e toda sociedade.”, destaca Lencione.
Sobre a Phelcom
A Phelcom Technologies é uma medtech brasileira sediada em São Carlos, interior de São Paulo. A história da empresa começou em 2016, quando três jovens pesquisadores – um físico, um engenheiro eletrônico e um engenheiro de computação (PHysics, ELetronics, COMputing) – criaram um retinógrafo portátil integrado a um smartphone.
O primeiro protótipo da Phelcom foi inspirado pela experiência pessoal de um dos sócios, Diego Lencione, cujo irmão enfrentou uma grave condição que comprometeu severamente sua visão desde a infância.
Em 2019, a Phelcom lançou no mercado brasileiro o seu primeiro produto: o retinógrafo portátil Eyer. Cinco anos depois, lançou o Eyer2, uma plataforma de exames visuais que permite realizar registros dos segmentos posterior e anterior com alta qualidade de imagem.
Hoje, com 10 anos de história, a tecnologia da Phelcom já beneficiou mais de duas milhões de pessoas no Brasil e em diversos países, como Estados Unidos, Japão, Chile, Colômbia, Argentina e Emirados Árabes, sendo utilizada também em mais de 200 ações sociais.
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