Recentemente, o apresentador Tiago Leifert e sua esposa, a jornalista Daiana Garbin, anunciaram que a filha Lua, de apenas um ano, foi diagnosticada com Retinoblastoma, um tipo de câncer ocular raro que afeta exclusivamente crianças. De acordo com a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA), 400 novos casos são diagnosticados por ano no Brasil.

A doença, sendo classificada em dois tipos: Germinal e Somático, apresenta alta taxa de cura quando identificada no início: 90%. Entretanto, 50% dos pacientes são diagnosticados já em estágio avançado – como é o caso da pequena Lua, por isso, é fundamental o diagnóstico precoce.

Neste artigo, entenda mais sobre o Retinoblastoma, os sinais, como identificar a doença e os tratamentos indicados.

 

Retinoblastoma – o que é

 

O Retinoblastoma é um câncer ocular infantil, sendo mais comum em crianças no primeiro ano de vida. Também pode ser diagnosticado como neoplasia, ou seja, uma massa de tecido anormal que possui crescimento de forma organizada. A enfermidade pode ser classificada como Germinal, o que significa que a criança pode haver herdado de um dos pais, como também, e mais frequente, haver sofrido uma mutação logo nas primeiras divisões do zigoto. O Retinoblastoma Germinal corresponde a ⅓ dos casos e usualmente é classificado como múltiplo, em outras palavras, afeta ambos os olhos ou apresenta mais de um foco tumoral no mesmo olho. Crianças com Retinoblastoma Germinal, geralmente são diagnosticadas no primeiro ano de vida.

A segunda classificação para o Retinoblastoma é a Somática e corresponde a ⅔ dos casos. Nesse caso, ocorre sempre como um único tumor e sua mutação é a mesma que o Germinal, entretanto, sucede mais tardiamente durante a vida embrionária e seu diagnóstico e sintomatologia é tardio, ao redor dos 2 anos. Dentro das classificações da doença, há o Retinoblastoma Unilateral, que afeta apenas um dos olhos, e o Retinoblastoma Bilateral, que pode atingir um ou os dois olhos.

 

 

Retinoblastoma – sinais

 

 

O principal sinal do Retinoblastoma é o reflexo, área branca e opaca na pupila que ocorre pela massa dentro do olho, que tem porções claras e devolve a luz ao observador. É popularmente conhecida como “olho de gato” e pode ser vista em fotos tiradas com flash – quando não utilizado o modo redutor de olhos vermelhos – em determinadas posições e iluminações. Dessa forma, o olho alterado apresenta reflexo brilhante e não reflexo vermelho ou não brilhante. Identificando tais alterações, um oftalmologista deve ser acionado com urgência e, ainda que o diagnóstico não seja Retinoblastoma, os sinais apresentados podem causar perda de visão, já que essa está em desenvolvimento na infância. 

Além desse, outros indícios podem surgir, como:

 

 

Além do reflexo, área branca e opaca na pupila, outros indícios podem surgir como:

  • Estrabismo;
  • Inflamação;
  • Dor;
  • Inchaço;
  • Perda de visão;
  • Vermelhidão da parte branca do olho;
  • Sangramento na parte anterior do olho;
  • Alteração na coloração da íris;
  • Globo ocular maior que o normal.

 

Retinoblastoma – exames

 

O Teste do Olhinho, realizado na maternidade assim que o bebê nasce, pode ajudar a perceber anomalias nos olhos e o exame é obrigatório no Brasil e realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Além do Teste do Olhinho, é fundamental que os pais levem seus filhos ao oftalmologista para acompanhamento preventivo, pois algumas doenças, como a Ambliopia, podem passar despercebidas pelo Teste do Olhinho. Exames como Retinografia, ultrassonografia bidimensional e ressonância magnética identificam o Retinoblastoma, além de outras enfermidades, e são necessários para um diagnóstico preciso.

 

retinoblastoma

 

 

Retinoblastoma – tratamento

 

Com o diagnóstico precoce, os tumores podem ser tratados com métodos como laserterapia e crioterapia, salvando o olho afetado e proporcionando visão útil para a criança. Em casos mais graves, como a enucleação (remoção da massa ocular), é possível colocar uma prótese de aparência similar ao olho, proporcionando um resultado estético satisfatório.

 

 

Revisado por Paulo Schor, médico oftalmologista, professor livre docente e diretor de inovação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colaborador da Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein e Eduardo Ferrari Marback, médico oftalmologista, Professor Associado II na Universidade Federal da Bahia (UFBA) com treinamento em Cirurgia da Catarata, Oncologia Ocular e Patologia Ocular. 

 

 

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